DESABAFO

Katherine Heigl não sabe como falar com filha sobre morte de George Floyd: “Como vou explicar o inexplicável?”

Publicado em Notas 3/06/2020 às 10:43
Katherine Heigl não sabe como falar com filha sobre morte de George Floyd: “Como vou explicar o inexplicável?”

Foto: Instagram/reprodução

Mãe de uma menina negra, de oito anos, Katherine Heigl fez um desabafo em sua página de Instagram  sobre os protestos que estão a acontecendo nos Estados Unidos, depois da morte do afro-americano George Floyd. A atriz confessou que não sabe como abordar o assunto com sua pequena Adalaide. “Não consigo dormir”, disse a atriz, de 41 anos, numa das publicações onde mostra várias fotografias de Adalaide.

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Page 1. I’ve debated posting this. I don’t typically use my platform or social media to say much when it comes to the state of our country. I keep most of those thoughts to myself. I act quietly and behind the scenes. I let those with far more experience, education and eloquence be the voices for change. But I can’t sleep. And when I do I wake with a single thought in my head. How will I tell Adalaide? How will I explain the unexplainable? How can I protect her? How can I break a piece of her beautiful divine spirit to do so? I can’t sleep. I lay in my bed in the dark and weep for every mother of a beautiful divine black child who has to extinguish a piece of their beloved baby’s spirit to try to keep them alive in a country that has too many sleeping soundly. Eyes squeezed shut. Images and cries and pleas and pain banished from their minds. White bubbles strong and intact. But I lay awake. Finally. Painfully. My white bubble though always with me now begins to bleed. Because I have a black daughter. Because I have a Korean daughter. Because I have a Korean sister and nephews and niece. It has taken me far too long to truly internalize the reality of the abhorrent, evil despicable truth of racism. My whiteness kept it from me. My upbringing of inclusivity, love and compassion seemed normal. I thought the majority felt like I did. I couldn’t imagine a brain that saw the color of someone’s skin as anything but that. Just a color. I was naive. I was childish. I was blind to those who treated my own sister differently because of the shape of her beautiful almond eyes. Or her thick gorgeous hair. Or her golden skin. I was a child. For too long. And now I weep. Because what should have changed by now, by then, forever ago still is. Hopelessness is seeping in. Fear that there is nothing I can do, like a slow moving poison, is spreading through me. Then I look at my daughters. My sister. My nephews and niece. George Floyd. Ahmaud Arbery. Breonna Taylor. The hundreds, thousands millions more we haven’t even heard about. I look and the fear turns to something else. The sorrow warms and then bursts into flames of rage.

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“E quando acordo, tenho um único pensamento na cabeça. Como direi à Adalaide? Como vou explicar o inexplicável? Como é que posso protegê-la? […] Não consigo dormir. Deito-me na cama, às escuras, e choro por todas as mães de lindas e divinas crianças negras que têm que extinguir um pedaço do espírito do seu amado bebé para tentar mantê-las vivas num país que dorme profundamente”, acrescentou.

Veja a publicação na íntegra:

“Eu debati postar isso. Normalmente, não uso minha plataforma ou mídia social para dizer muito sobre o estado de nosso país. Eu mantenho a maioria desses pensamentos para mim. Eu ajo em silêncio e nos bastidores. Deixo que aqueles com muito mais experiência, educação e eloqüência sejam as vozes da mudança. Mas eu não consigo dormir. E quando acordo acordo com um único pensamento na cabeça. Como direi a Adalaide? Como vou explicar o inexplicável? Como posso protegê-la? Como posso quebrar um pedaço de seu belo espírito divino para fazer isso? Não consigo dormir Deito na minha cama no escuro e choro por toda mãe de uma linda criança negra divina que tem que extinguir um pedaço do espírito de seu amado bebê para tentar mantê-los vivos em um país que dorme profundamente demais. Os olhos se fecharam. Imagens e gritos, pedidos e dores são banidos de suas mentes. Bolhas brancas fortes e intactas. Mas eu fiquei acordado. Finalmente. Dolorosamente. Minha bolha branca, embora sempre comigo agora, começa a sangrar. Porque eu tenho uma filha negra. Porque eu tenho uma filha coreana. Porque eu tenho uma irmã coreana e sobrinhos e sobrinha. Levei muito tempo para internalizar verdadeiramente a realidade da verdade desprezível e abominável e maligna do racismo. Minha brancura escondeu de mim. Minha educação de inclusão, amor e compaixão parecia normal. Eu pensei que a maioria se sentia como eu. Eu não conseguia imaginar um cérebro que visse a cor da pele de alguém como algo além disso. Apenas uma cor. Eu fui ingênuo. Eu era infantil. Eu era cego para aqueles que tratavam minha própria irmã de maneira diferente por causa do formato de seus lindos olhos amendoados. Ou seu cabelo grosso e lindo. Ou sua pele dourada. Eu era criança. Por muito tempo. E agora eu choro. Porque o que deveria ter mudado até agora, até então, para sempre ainda é. A desesperança está se infiltrando. O medo de que não haja nada que eu possa fazer, como um veneno lento, está se espalhando por mim. Então eu olho para minhas filhas. Minha irmã. Meus sobrinhos e sobrinha. George Floyd. Ahmaud Arbery. Breonna Taylor. As centenas, milhares milhões a mais que nem ouvimos falar. Eu olho e o medo se transforma em outra coisa. A tristeza esquenta e depois explode em chamas de raiva”.

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Publicado por
Anneliese Pires

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