ANÁLISE

BBB 21: cancelamento, ostracismo e afetividade

BBB 21: cancelamento, ostracismo e afetividade

Lucas e Gil e observam os demais participantes do BBB 21 (Imagem: Reprodução)

Publicado em BBB 21 8/02/2021 às 3:33

Na Grécia Antiga, especificamente na Atenas do século V A.C (cerca de 2,5 mil anos antes do BBB 21), o político ou figura que colocava-se contra a “liberdade” pública ateniense poderia cair em ostracismo. Isto é, após votação dos cidadãos, ser expulso da cidade-estado e só retornar após um período de 10 anos.

No microcosmo teatral do 21º Big Brother Brasil, grande espetáculo da convivência humana sob a ótica comercial destes tempos pandêmicos, vemos situação semelhante e o julgamento dos participantes pelos participantes (e não pela preferência do público, até o momento) é fator determinante desta edição.

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Inicialmente, 19 pessoas se dividiram entre os que investiam contra Lucas Penteado, um participante que julgavam estar morto no jogo, e os que decidiram estender a mão, mesmo que minimamente. Aparentemente, atacar o brother (já isolado) era sinônimo de boa convivência na casa.

O grupo hegemônico, formado por aqueles que violentaram verbalmente o participante junto com os que, ou por medo ou falta de empatia, nada fizeram contra isso, tem líder. Essa pessoa, aparentemente, é a detentora do poder de decidir quem convive ou não com os demais, quem faz e quem não faz parte da grande pólis.

Cancelados unidos do BBB 21

Se na Grécia Antiga, os inimigos da “liberdade” eram expulsos da cidade e jogados aos quatro ventos, no BBB 21 os marginalizados do reality, que chegaram nessa posição ao posicionar-se contra a situação hostil, criaram uma pequena comunidade afetiva.

Encabeçada por Gilberto e Sarah, o quarteto completado por Juliette e Lucas pareceu encontrar seu lugar no programa, construindo um quilombo afetivo longe das tramoias que cercam o “centro” da casa.

Beijo de Lucas e Gilberto foi o primeiro entre homens na história do “Big Brother Brasil” – Foto: reprodução

Durou pouco, mas graças à esse movimento, Lucas sentiu-se livre para protagonizar, junto com Gilberto, o primeiro beijo entre homens no reality show. O grupo também conseguiu atrair Arcrebiano, após o próprio brother perceber o modus operandi do grupo que considera-se o núcleo do reality.

Resta saber se, após a saída de Lucas e o dramático paredão formado neste domingo, o quilombo afetivo encontrará mais dissidentes para crescer no BBB 21. Há quem demonstre estar incomodado com a situação, mas os chamados “plantas” parecem não ter traquejo para perceber o que se passou.

Desse jeito, o público agora tem de escolher entre três excluídos da casa, que recentemente chamaram atenção e ganharam carinho fora do confinamento.

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Publicado por
Augusto Tenório

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