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Pai de Valentina, 1, o jornalista Fernando Alvarenga, 32, lançou o @paideverdade quando a esposa estava grávida.
Pai de Valentina, 1, o jornalista Fernando Alvarenga, 32, lançou o @paideverdade quando a esposa estava grávida. "Ela sempre encontrou facilmente informações sobre a maternidade. E eu pensava: ‘E para o meu universo masculino, onde posso encontrar conteúdo?'. (Foto: Crédito: Catarina Monteiro/Divulgação)

Na web, pais compartilham entusiasmo e bem-estar emocional aflorados pelo sentimento de paternidade

12 / ago
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 12/08/2017 às 12:50

Os bebês não chegam ao mundo com um manual de instruções e, por isso, é natural que tanto o pai quanto a mãe sejam acometidos pelo medo do desconhecido quando precisam lidar com os cuidados na infância. Em situações como essa, mulheres e homens passam a ter receio de não zelarem de forma adequada os filhos. E por isso, neste mundo dominado pela internet, as redes sociais passaram a ser um ambiente marcado pelas experiências paternas. Assim como as mães, eles invadem a web com perfis temáticos, que apresentam a forma como vivenciam a gravidez (e o planejamento dela) e o parto, o envolvimento com os primeiros cuidados após o nascimento e o acompanhamento do desenvolvimento dos filhos ao longo da infância e adolescência.

Assista ao programa, na TV JC, sobre o tema: 

Em blogs, Instagram ou Facebook, eles também compartilham imagens, vídeos e palavras de conforto, capazes de dar confiança e aflorar o lado paterno que existe em cada um. Neste Dia dos Pais, especialistas destacam como registrar essas vivências pode contribuir com o bem-estar emocional.

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“Os homens estão assumindo boa parte dos cuidados com as crianças e demonstram entusiasmo com esse jeito de exercer a paternidade. Estão descobrindo que cuidar, estar mais presente, acompanhar o crescimento mais de perto pode ser fascinante e divulgam isso aos quatro ventos. É como se dissessem: ‘Vejam o que os homens estavam perdendo’. Os papéis, dentro de casa, ficam cada vez mais diluídos, e os perfis nas redes sociais demonstram isso claramente”, frisa o psiquiatra Amaury Cantilino, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e associado da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

O médico acrescenta que, nesse compartilhamento de vivência da paternidade e da rotina com os filhos, é preciso adotar cuidados. “Há os riscos relacionados à perda de privacidade com consequentes impactos na segurança. No entanto, se (a presença nas redes sociais) for bem medida, pode ser uma importante ferramenta de mudança de valores sociais e de readequação dos papéis de gênero.”

O publicitário Beto Lima, 35 anos, que criou o @eupapai (hoje tem 81,3 mil seguidores no Instagram) em 2013, conta que o perfil surgiu de forma espontânea. “Foi simples: minha mulher não queria contar para ninguém sobre a gravidez até completar três meses. E respondi que simplesmente não conseguiria esperar até lá para dividir essa alegria com as pessoas. Fiquei angustiado. Criei uma espécie de diário e vi no Instagram uma boa alternativa para isso. O fato do anonimato do perfil, que está sendo encerrado neste domingo, surgiu unicamente por este motivo. Eu dividia minhas emoções, mas não podia falar quem eu era”, relata Beto, que é pai de João Pedro, 3, e espera o nascimento de uma menina (a esposa está na 13ª semana de gestação).

Pai de Valentina, 1, o jornalista Fernando Alvarenga, 32, também lançou o @paideverdade quando a esposa estava grávida. “Ela sempre encontrou facilmente informações sobre a maternidade. E eu pensava: ‘E para o meu universo masculino, onde posso encontrar conteúdo?’. Decidi, então, compartilhar minhas experiências como pai”, conta Fernando, que não abre mão de avaliar o que vai registrar nas redes sociais. “Tenho cuidado e me preocupo também com o que posto”, diz o jornalista, ciente de que o bom senso é valioso para se compartilhar experiências a partir do olhar paterno.

“Há registros, nas redes sociais, que podem ser perigosos. Dependendo de onde se tira uma foto, há quem analise valores (materiais) do que aparece, enquanto o pai só quer demonstrar afeto”, frisou o diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria Antônio Geraldo da Silva (na ponta, à dir.), em entrevista à TV JC (Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem)


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