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“É difícil ser livre e preto”, desabafa Ícaro Silva sobre racismo

“É difícil ser livre e preto”, desabafa Ícaro Silva sobre racismo

O ator Ícaro Silva (Foto: Reprodução/Twitter)

Publicado em Famosos 1/06/2020 às 10:33

Engajado sociopoliticamente, Ícaro Silva foi um dos nomes que se posicionou nas redes sobre a onda de protestos. Nos últimos dias, pautas antirracistas têm ganhado voz e manifestações após o assassinato de George Floyd, nos EUA.

No Instagram, o ator publicou um desabafo extremamente pessoal, além de homenagear o próprio pai. Ícaro Silva falou sobre a relação com o próprio cabelo e como o racismo permeou isso.

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“Ícaro de 13 anos sente uma fisgada de dor quando pensa que não teve esse cabelo. Porque não podia, ‘não era bonito’. As pessoas na escola xingariam”, escreveu. Na época, o ator não usava o seu cabelo natural. “Deixei [crescer] a contragosto, aos 15, para fazer um trabalho, que não trouxe muito, mas trouxe tudo. Nunca mais esqueci desse encontro”.

Além da foto e do texto sobre o cabelo, Ícaro Silva contou que foi o pai quem o presenteou com um pente garfo. Na publicação, uma foto do objeto e o que ele representa até hoje: beleza e liberdade.

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Meu cabelo é uma das maiores belezas que eu encontrei nessa vida. E não falo só dessa plástica nobre e impecável que ele imprime ao meu rosto, acentuada pela robustez da minha belíssima barba, sem falsa modéstia, mas da liberdade que existe nessa volumosa e macia esfera de pequenos, cheirosos e grossos cachos negros. Ícaro de 13 anos sente uma fisgada de dor quando pensa que não teve esse cabelo. Porque não podia, “não era bonito”. As pessoas na escola xingariam. Minha irmã já tinha que prender o cabelo (absolutamente perfeito), o meu era melhor nem deixar crescer. Deixei a contragosto, aos 15, para fazer um trabalho, que não trouxe muito, mas trouxe tudo. Nunca mais esqueci desse encontro. Ali estava a literal coroa de liberdade e beleza que orientaria muitos dos meus passos. Meu pai me deu então um objeto que eu já conhecia, mas que não tinha como fazer parte do meu cotidiano até ali. Esse garfo da segunda foto ele fez com as próprias mãos, nos anos 70, quando era mais jovem do que sou hoje e cantava à frente da “Quinta Dimensão”, sua banda de covers com rapazes pretos que foram empurrados em direções muito diferentes das de seus sonhos. Que lindo meu pai (lindo mesmo, ele é gato real) foi e é ao me dar esse instrumento de pura liberdade. Eu concordo com a Nina Simone quando ela diz que “Liberdade é não ter medo”. É difícil ser livre e preto. Sempre difícil. Que duro é ver o genocídio da nossa gente e a face podre e pestilenta do racismo surgindo impunemente na figura de assassinos a serviço do Estado. Meu pai, você me inspira a viver muito e a gerar outros frutos como eu, naturalmente coroados. Esse poderia ser um post para respirar no caos, rebatendo o fascismo com beleza, que é o que tenho tentado para manter a saúde mental, mas é na real um post de apreciação ao meu pai, que sobrevive como homem preto há quase 70 anos nesse inferno que é o Brasil. #VidasNegrasImportam #ParemDeNosMatar #BlackLivesMatter #StopKillingUs

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“Eu concordo com a Nina Simone quando ela fiz que ‘Liberdade é não ter medo’. É difícil ser livre e preto. Sempre difícil. Quero duro é ver o genocídio da nossa gente e a faca podre e pestilenta do racismo surgindo”.

Ainda assim, Ícaro Silva falou da inspiração que é o próprio pai. “Na real [esse] é um post de apreciação ao meu pai; que sobrevive como homem preto há quase 70 anos nesse inferno que é o Brasil”.

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