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14/11/17
"Há três meses, estou sem receber a insulina na Farmácia do Estado. Tenho que comprar porque não podemos viver sem a medicação. Nós, pacientes, aproveitamos uma data como a de hoje para fazer um grito de socorro", relata a propagandista Ana Lígia Pessoa de Melo, 47 anos, que vive com diabetes há mais de uma década (Foto: Leo Motta/JC Imagem)

Mulheres com diabetes têm quase 10 vezes mais chances de ter doença cardíaca

14 / nov
Publicado por Cinthya Leite em Blog - 14/11/2017 às 9:15

As mulheres com diabetes tipo 2 têm quase dez vezes mais chances de ter problemas cardiovasculares, em comparação com aquelas que não têm as taxas de glicose no sangue descontroladas. No mundo, duas em cada cinco mulheres com diabetes estão em idade reprodutiva, e aquelas que vivem com o tipo 1 da doença têm risco aumentado de aborto ou malformações fetais. Essas constatações, destacadas pela Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês) neste dia mundial de combate (14/11) à doença, voltam o olhar para um grave problema de saúde pública: a enfermidade é uma das principais causas de morte entre as mulheres, o que torna inaceitável autoridades ficarem alheias ao fenômeno ou se limitarem a atitudes pontuais.

Assista ao programa Casa Saudável, na TV JC, sobre diabetes:

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“Especialmente no período da pós-menopausa, a mulher com diabetes passa a ter um maior risco de doenças cardiovasculares porque deixa de ter a proteção do hormônio estrogênio (em associação ao risco isolado do mau controle da glicemia afetar a saúde do coração)”, explica o endocrinologista Ruy Lyra, professor da Universidade Federal de Pernambuco. Os danos causados pela glicemia alta podem ser evitados com tratamento adequado, que inclui medicamentos, insulina (em parte dos casos), reeducação alimentar e prática de atividades físicas.

“O mau estilo de vida funciona como um gatilho para o desenvolvimento da diabetes”, alerta o endocrinologista Ruy Lyra (Foto: Leo Motta/JC Imagem)

“Com o avanço da ciência, há novas medicações que melhoram não só a glicemia, mas também reduzem o risco de complicações cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Infelizmente nem todos têm acesso a esses tratamentos”, destaca Ruy.

Os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) lutam por um tratamento de qualidade e longe de burocracias. Hoje, por exemplo, quem vai à Farmácia de Pernambuco para receber a insulina glargina (ou Lantus, nome comercial) volta para casa de mãos vazias. “Há três meses, estou sem receber essa medicação. Tenho que comprar porque não podemos viver sem insulina. Uso três unidades por mês. Nós, pacientes, aproveitamos uma data como a de hoje para fazer um grito de socorro”, relata a propagandista Ana Lígia Pessoa de Melo, 47 anos, que vive com diabetes há mais de uma década.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informa que já finalizou o processo de compra da Lantus. A previsão é que a entregue ao Estado, pelo fornecedor, seja feita até a próxima semana. “O abastecimento será para quatro meses”, diz o comunicado. A SES acrescenta ainda que realiza o processo de compra de Tresiba (nome comercial da insulina degludeca), que deve estar disponível em 2018. “Essa insulina não faz parte do rol de medicamentos disponibilizados pelo SUS. Mas, para beneficiar os pacientes que não respondem à Glargina, o Governo de Pernambuco está garantindo mais esse insumo”, destaca a SES.


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