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14/11/16
Experiência virtual mostra efeitos da diabetes não controlada na visão do paciente. Foto: Gustavo Belarmino/NE10
Experiência virtual mostra efeitos da diabetes não controlada na visão do paciente. Foto: Gustavo Belarmino/NE10

Sem tratamento adequado, um terço das pessoas com diabetes desenvolve complicações oculares

14 / nov
Publicado por Gustavo Belarmino em Blog - 14/11/2016 às 10:20

SÃO PAULO – Antes de começar a coletiva de imprensa sobre os riscos do diabetes para a visão, os jornalistas são convidados a participar de uma experiência de realidade virtual. Com óculos na face, um filme transporta o usuário para atividades rotineiras, como ler um livro, dirigir um carro ou assistir a um filme. Aos poucos, a visão começa a distorcer, mostrando ora manchas negras, ora um desfoque ao centro da visão. Impossível não se sentir desconfortável com a sensação que, segundo levantamento do Diabetes Atlas Seventh Edition 2015 (www.diabetesatlas.org), aproximadamente um terço das pessoas com diabetes vai desenvolver em decorrência da falta de controle da doença.

No Dia Mundial da Diabetes, lembrado nesta segunda-feira (14), muito há o que se alertar sobre o problema. Atualmente, 415 milhões de pessoas enfrentam a doença no mundo, sendo 14 milhões no Brasil – e esse número deve sofrer um impactante aumento de 64% até 2040. Essa projeção ocorre em decorrência de mudanças na alimentação, redução de atividades físicas e envelhecimento da população, que amplia a propensão das pessoas à doença. O sinal vermelho se torna ainda maior se considerarmos que 46% das pessoas com diabetes não são diagnosticadas e desconhecem os danos a longo prazo provocados pela ausência do tratamento, que pode levar à amputação de membros, doenças cardiovasculares e à cegueira.

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Recifenses desconhecem riscos da doença

É preciso mais ações de conscientização para a doença, sugere médico
É preciso mais ações de conscientização para a doença, sugere dr. Arnaldo Bordon

Uma pesquisa nacional conduzida pela Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV), em parceria com a Bayer, aponta que 70% dos recifenses nunca fizeram um exame para detecção da diabetes. “Um dos principais empecilhos para o diagnóstico precoce da doença é a falta de divulgação constante e prolongada”, reforçou o médico Arnaldo Bordon, integrante da diretoria da SBRV, comparando à bem-sucedida campanha de combate ao câncer de mama. “As etapas iniciais da diabetes são silenciosas. Por isso, é muito importante que a população procure se prevenir precocemente”, destacou.

Evento em São Paulo reuniu jornalista para falar sobre as novidades no tratamento da doença
Evento em São Paulo reuniu jornalista para falar sobre as novidades no tratamento da doença

A pesquisa procurou saber o grau de percepção da população com relação às complicações oculares ocasionadas pela doença. Foram ouvidas 4 mil pessoas de oito capitais brasileiras: Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. Entre os entrevistados que não têm diabetes ou não possuem ninguém na família com a doença, 39% desconhecem a relação entre a doença e a perda da visão. Entre os diabéticos ou que têm familiares com a doença, mesmo sendo a perda de visão uma das enfermidades mais temidas (30%), 94% nunca ouviram falar de retinopatia diabética e edema macular diabético – duas das principais complicações oculares da diabetes.

A estudante Luciana Mangini, moradora de Sorocaba (SP), convive com a diabetes desde os 10 anos. Embora consciente de que deveria levar uma vida regrada, nunca imaginou que deveria seguir tão à risca o conselho do seu oftalmologista de, uma vez por ano, fazer os exames de rotina para verificar a saúde ocular. Uma manhã após uma festa de réveillon, acordou com a visão comprometida. “Estava quase cega. Durante um ano e meio, tive apenas 5% de visão”. O problema levou Luciana a trancar o curso de medicina e dificultou a realização de tarefas simples do dia a dia. “Tenha consciência de que a doença está evoluindo dentro de você. E você não está vendo nada”, advertiu. Ela reforça a importância do jovem com diabetes ouvir o seu médico e seguir fielmente as recomendações.

A doença está evoluindo dentro de você. E você não está vendo nada

Luciana Mangini, estudante

Conheça o edema macular diabético

Esta é uma complicação, assim como a retinopatia diabética, causada pelo aumento do açúcar no sangue, levando a alterações nos vasos sanguíneos de todo o corpo, incluindo os vasos do olho, especialmente da parte posterior do olho, chamada de retina, e de sua porção central denominada mácula.

Os principais sintomas do edema macular são manchas na visão, distorção de imagem, fotofobia, diminuição do contraste e alteração de cores, além de alterações no campo da visão. “O diagnóstico precoce do edema macular diabético permite que, em alguns casos, a visão do paciente seja recuperada, impactando positivamente na sua vida social”, afirma o oftalmologista Arnaldo Bordon.

diabetes

Nova medicação para o edema macular diabético

No último mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova terapia para o edema macular diabético, através da inibição da formação de novos vasos na retina, além de atuar na inflamação causada pela doença. O aflibercepte, da Bayer, é um antiangiogênico, ministrado por injeção intravítrea (dentro do olho), que apresenta mecanismo de ação exclusivo permitindo uma duração de atividade dentro do olho maior que a dos outros medicamentos, além de permitir a extensão do tratamento de acordo com os resultados visuais e anatômicos de cada paciente.

Os estudos realizados com aflibercepte, em edema macular diabético, mostram resultados de ganho de visão já com a primeira injeção do medicamento – e esse ganho de visão é mantido por até três anos dos estudos.

O aflibercepte também é aprovado pela Anvisa para o tratamento de outras quatro doenças vasculares da retina: degeneração macular relacionada à idade (DMRI) forma úmida, oclusão venosa da retina (nas suas duas formas de apresentação: oclusão da veia central da retina – OVCR – e oclusão de ramo da veia retiniana – ORVR) e neovascularização coroidal miópica (NVCm).

* Gustavo Belarmino é editor do Portal NE10 e viajou a convite da Bayer


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