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11/06/21
No ônibus para o Aeroporto Internacional do Galeão, a resenha era liderada pelo rubro-negro Traçaia, com direito violão e alegria.
Foto: Arquivo
No ônibus para o Aeroporto Internacional do Galeão, a resenha era liderada pelo rubro-negro Traçaia, com direito violão e alegria. Foto: Arquivo

O ano em que Pernambuco foi o Brasil na Copa América

11 / jun
Publicado por Carolina Fonsêca em Náutico às 10:02

O técnico Tite anunciou, na última quarta-feira (9), os nomes dos 24 convocados para a Seleção Brasileira, para a disputa da Copa América 2021. Na lista, atletas de grandes clubes da Europa, como o atacante Neymar, do PSG, e o meia Casemiro, do Real Madrid. Mas, um dia, essa lista já deu lugar à Seleção Pernambucana, escolhida para representar o Brasil, no Sul-Americano Extra, que viria a se tornar a Copa América.

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Era 1959, um ano após a conquista da Copa do Mundo de 1958, o primeiro título mundial do Brasil no futebol. O torneio Sul-Americano Extra seria realizado no final daquele ano, no Equador. Com os campeões mundiais cansados e desgastados por outras competições, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), convocou a Seleção Pernambucana para representar o país na competição. Graças a crônica esportiva sulista, com teor um tanto quanto preconceituoso, o time foi apelidado de Cacareco – enquanto a Seleção Brasileira “original” já era conhecida por Canarinho.

Cacareco é um termo usado para se referir a um objeto velho ou sem valor. E foi assim que a imprensa esportiva do eixo Rio-São Paulo escolheu se referir aquele Brasil pernambucano, sem economizar no desdém. Mas, como quem vem do lixo não perde para basculho, a delegação composta por rubro-negros, alvirrubros e tricolores virou o jogo. Adotou o apelido sem se envergonhar.

Sob o comando do técnico Gentil Cardoso, campeão estadual pelo Santa Cruz naquele mesmo ano, a Cacareco enfrentaria as seis maiores seleções da América do Sul.

Apesar de soar como uma missão intimidadora, os relatos da época demonstram que os pernambucanos não se deixavam abalar. No ônibus para o Aeroporto Internacional do Galeão, a resenha era liderada pelo rubro-negro Traçaia, com direito violão e alegria. Na chegada ao Equador, a delegação foi a mais festejada. Para a crônica sulista, eles podiam ser a Cacareco, mas para torcedores e jornalistas fora do país, era a seleção campeã do mundo em 1958.

Em campo, a campanha foi de duas vitórias e duas derrotas. Logo na estreia, no dia 5 de dezembro, venceu o Paraguai por 3×2, com dois gols de Paulo e um de Zé de Melo. Na sequência, perdeu para o Uruguai por 3×0, no dia 12 de dezembro. Na semana seguinte, mais precisamente no dia 19 de dezembro, venceu o Equador por 3×1, com gols de Geraldo, Paulo e Zé de Melo. A despedida da competição foi no dia 22 de dezembro, com derrota por 4×1 para a Argentina.

A Seleção Pernambucana encerrava sua missão como representante do país, levando para casa o terceiro lugar e dando um novo valor à palavra Cacareco.


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