Os "velhos" artilheiros se destacam no futebol brasileiro

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Davi Saboya

Publicado em 11/05/2021 às 7:02
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AFP - Os artilheiros de quase metade das equipes brasileiras que disputam a Copa Libertadores e a Sul-Americana têm mais de 30 anos. Aos olhos do futebol podem ser velhos, mas preenchem o vazio dos jovens que partem para a Europa e balançam as redes como se estivessem na adolescência.

Seis dos quatorze times brasileiros que participam de um dos torneios internacionais de clubes têm um 'veterano' como maior artilheiro, que em alguns casos vem amentando suas marcas no início das competições nacionais, como a Copa do Brasil e os campeonatos estaduais.

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Fred, o mais velho, de 37 anos, é a referência do Fluminense. Lembrado pelo péssimo desempenho na Copa do Mundo de 2014, o ex-jogador do Lyon é o maior artilheiro da primeira divisão brasileira, com 403 gols. Nesta temporada já marcou oito gols.

"É algo grandioso na vida de qualquer atleta, em uma camisa tão pesada quanto a do Fluminense. Então fico muito feliz em alcançar esta marca e fazendo gols na Libertadores", disse ele no dia 28 de abril, quando marcou dois gols no jogo com o colombiano Santa Fé, na Libertadores e se tornou o segundo maior artilheiro da história do tricolor das Laranjeiras, com 185 gols.

Atrás dele está Diego Souza (de 35 anos), o camisa 9 do Grêmio. O ex-Benfica de Portugal marcou 12 gols em onze jogos, número que lhe permite dividir a artilharia do início da temporada brasileira com o atacante da Chapecoense, Pedro Henrique Perotti, de 23 anos.

Depois de 16 anos jogando na Europa e na Ásia, Hulk (de 34 anos) voltou para casa em janeiro e desde março, quando estreou no Atlético Mineiro, já marcou seis gols em doze jogos. "Quando o coletivo começa a ir bem, o individual de cada jogador se destaca", garantiu o ex-Porto ao programa Globo Esporte.

NÍVEL MAIS ALTO

O ex-jogador da seleção brasileira é seguido por Ytalo (33 anos), do Red Bull Bragantino, com cinco gols; Gilberto (31 anos), do Bahia, com nove, e Thiago Galhardo (31 anos), do Internacional de Porto Alegre, com sete.

Com a exceção de Galhardo (que foi do japonês Albirex Niigata), todos jogaram na Europa, com maior ou menor grau de êxito.

"São jogadores que tem um nível acima do que a gente encontra no Brasil mas não atendem as expectativas do que é jogar na Europa (...) que é o futebol de elite", diz à AFP Victor Figols, editor do portal de esporte Ludopédio.

O especialista explica que o mercado brasileiro tem espaço para jogadores com mais de 30 anos porque os jovens promissores partem para o Velho Continente muito cedo e os clubes precisam preencher as "lacunas" que ainda restam em seus elencos.

"Aí esses veteranos acabam tendo um protagonismo maior justamente pela experiência que eles têm", acrescenta.

Outro fator que tem influenciado é a fuga de talentos da liga chinesa, que havia seduzido grandes estrelas com salários milionários. Mas a crise econômica agravada pela pandemia e a imposição de um teto salarial fez com que vários voltassem ao Brasil, como Hulk, Miranda e Eder (os dois últimos, recentes contratações do São Paulo).

DESAFIO É SE CONSOLIDAR

Na Europa, a "velhice" chegou para alguns 'matadores', como Zlatan Ibrahimovi? (de 39 anos), Cristiano Ronaldo (36), Edinson Cavani (34), Luis Suárez (34), Lionel Messi (33), Karim Benzema (33) e Robert Lewandowski (32) com a mesma pontaria de quando eram jovens.

Esses astros têm conseguido manter um patamar elevado nas ligas mais competitivas do mundo e esse será o principal desafio dos 'veteranos' brasileiros: estender a sequência positiva até o final da temporada.

No Brasileirão-2020, apenas quatro jogadores com mais de 30 anos (Marinho, Thiago Galhardo, o argentino Germán Cano e Diego Souza) ficaram entre os 10 primeiros na artilharia, que foi liderada por Claudinho (de 24 anos), do RB Bragantino, e Luciano (de 27), do São Paulo, ambos com 18 gols.

Das seis equipes que não disputam uma competição internacional, só há um 'matador' trintão: o ex-Sporting de Braga Elton (de 35 anos), que com seis gols é o artilheiro do recém-promovido Cuiabá.

Outros que lutam por copas continentais possuem jovens atacantes com faro de artilheiro, como Gabigol (de 24 anos) e seus onze gols pelo Flamengo ou Rony (25) e seus cinco tentos pelo Palmeiras.

"Não importa a idade, é uma questão  de mentalidade", já disse Cristiano Ronaldo, que tem gols de sobra... E anos?

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