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16/04/21
Foto: Reprodução/Twitter
Foto: Reprodução/Twitter

Patric “contrata” motorista que colocou coleção de camisas do Sport à venda nas redes sociais

16 / abr
Publicado por Lourenço Gadêlha em Notícias às 13:43

Não é só futebol! O capitão Patric deu uma aula de empatia ao se colocar à disposição para ajudar o trabalho do torcedor Bruno Henrique de Santana, que é motorista de aplicativo e tornou-se conhecido após anunciar em suas redes sociais a venda de uma coleção de camisas do time rubro-negro. A ação, que foi divulgada na manhã de quinta-feira, tinha o intuito de arrecadar dinheiro e tentar amenizar a crise financeira que tem passado nos últimos tempos. No entanto, a repercussão positiva fez o torcedor desistir de comercializar as peças, especialmente pelo apoio que recebeu do volante Marcão. Agora, foi a vez de Patric entrar em ação oferecendo uma parceria com o motorista.

“Ontem (quinta-feira) recebi um vídeo de Patric, dizendo que ia me dar uma camisa e ajudar o meu trabalho, de motorista de aplicativo. Não foi exatamente um contrato, mas ele me chamou para ajudá-lo no deslocamento de levar os filhos dele para escola, levar e buscar ele no CT e, nesse intervalo de tempo, eu volto a fazer minha atividade normal. Mas o compromisso que acertamos foi esse, de fazer o deslocamento dele e da família. A princípio, será num período de um ou dois meses, mas quem sabe a gente não se entende e torna-se um emprego duradouro”, afirmou Bruno em entrevista ao Jornal do Commercio.

Menos de 24h após desistir da campanha que iria vender as camisas do Sport, Bruno Henrique de Santana, que é motorista de Uber, registrou o encontro na manhã desta sexta-feira (16) em com o capitão rubro-negro Patric. Do encontro, a esperança de dias melhores. Isso porque o atleta ofereceu, temporariamente, uma vaga de motorista para Bruno. “Levei os filhos dele na escola, depois fomos num empresarial para ele resolver questões pessoais e, depois, o deixei em casa. Foi uma conversa legal. Ele pediu para eu contar minha história para ele. Conversamos sobre futebol também, perspectivas dele e do clube. Uma conversa sem muito lero lero”, disse, em tom bem humorado.

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Além do apoio de Patric no próximo mês, Bruno Henrique de Santana, de 34 anos, tem o transporte de aplicativo como fonte principal de renda após ter ficado desempregado. Antes, era vigilante e usava o trabalho na Uber como uma fonte secundária de ganhar dinheiro. Entretanto, pouco depois de ter sido demitido, sofreu um acidente de moto que o impossibilitou de voltar à antiga atividade.

“No acidente, quebrei a perna direita toda. A minha esposa quebrou quatro costelas, mas graças a Deus a gente se recuperou, só que a médica do INSS me vetou de voltar às atividades como vigilante. Hoje, vivo de aplicativo, que é a minha atividade e renda principal. Cheguei nesse momento de dificuldade financeira desde o início da pandemia, não vou dizer bem no início, porque no início da pandemia a gente ainda tinha uma reserva guardada”, explicou, antes de contar sobre as dificuldades financeiras que passou a enfrentar. 

“Com o valor de rescisão do trabalho da minha esposa, que tinha sido demitida há pouco tempo, a gente foi se virando, mas as corridas ficaram mais escassas, os valores cobrados também, questão de tarifas que ficaram menores. Daí começaram a surgir algumas dificuldades, inclusive tive que vender um videogame que eu tinha comprado e paguei com bastante esforço, mas tive que vender pra tentar amenizar algumas dívidas”, acrescentou.

Em meio às dificuldades financeiras já existentes, Bruno e sua esposa foram agraciados com o nascimento da filha, que veio ao mundo no dia 23 de dezembro de 2020. Apesar da felicidade, as dívidas não deram trégua. “Com ela (filha) veio ainda mais um pouco de preocupação e compromisso, mais responsabilidade também. A gente tinha algumas expectativas de suprir, de sair um pouco das dívidas. Porém, as dívidas se tornaram uma bola de neve e acabou que a gente não conseguia mais sair delas. Fazia um mês que tinha pensado em vender as camisas para conseguir algum dinheiro”.

VENDA DAS CAMISAS

Foi então quando Bruno decidiu, nas primeiras horas da manhã de quinta-feira (15), colocar à venda 13 das 25 camisas que possui do Sport, pois sabia que a comercialização seria rápida em meio à torcida rubro-negra. Ele só não esperava que a venda ganhasse tanta repercussão. 

“A torcida do Sport compra mesmo, de verdade. Só não tinha imaginado que eles iam comprar minha briga também. Eu não tinha ideia de mobilizar as pessoas e fazer uma campanha para me ajudar financeiramente. A minha ideia era vender as camisas para arrecadar fundos, tentar minimizar minhas dívidas e honrar meus compromissos. Só que as pessoas me surpreenderam com a atitude que tiveram de retweetar, de compartilhar, de pedir o código do Pix e fazer doações. Foi algo fora do comum, algo que eu não consigo explicar, é a ação divina mesmo, obra do Espírito Santo de Deus”, relatou.

A repercussão foi tanta que chegou ao volante do Sport, Marcão, que rapidamente se prontificou à ajudar o torcedor rubro-negro. “Não vendi nenhuma. Na verdade, tinha vendido uma vinho, mas o rapaz devolveu e me doou o valor. Ricardo de Sá Leitão se sensibilizou e fez um Pix, mobilizou outros amigos e fizeram o mesmo. Fiquei muito surpreso quando vi Marcão falando que não era pra eu vender mais as camisas. Decidi, então, que não ia vender mais. Falei com as pessoas que já tinham feito o Pix e estornei o valor que tinham depositado. Acabei recuperando todas as camisas”, falou.

“Graças a Deus estou com todas as camisas aqui, as pessoas ainda estão me ajudando, tem muita gente ainda falando, mandando recado, conversando, vendo o que pode ajudar e eu só tenho a agradecer a Deus. Marcão entrou em contato através dos seus representantes e com certeza ele vai fazer o que tiver dentro do seu alcance para ajudar. Uma pessoa que se mostrou ser bastante humana. Eu só tenho que agradecer a Deus mesmo por tudo que ele tem feito na minha vida”, completou Bruno Henrique.

 


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