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03/11/19
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem.
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem.

“Time de futebol tem que emocionar”, diz Paulo Roberto Falcão

03 / nov
Publicado por Marcos Leandro em Notícias às 13:14

Eterno Rei de Roma, Paulo Roberto Falcão, que treinou o Sport em 2015/2016, concedeu entrevista exclusiva ao repórter da Rádio Jornal, Antônio Gabriel. Na pauta, as mudanças no futebol, técnicos consagrados, Lenis, Mark González e muito mais. Falcão também fez questão de ressaltar que foi muito bem tratado no Recife.

FUTEBOL

Eu não sei se o futebol mudou. Mas o que mudou foi o entorno do futebol, as exigências, a maneira de ver futebol, na parte da fisiologia, fisioterapia. Essas coisas mudaram bastante. O futebol dentro de campo, independente de ter mais ou menos qualidade, não tem grandes modificações a não ser uma preocupação maior com o aspecto físico e isso faz parte do momento que se vive. Se você tem um jogador de qualidade e bem preparado, você tem uma vantagem enorme. O problema é conscientizar esse jogador que tem alta qualidade que é necessário treinar forte também.

CLUBE-EMPRESA

Eu sou favorável ao clube-empresa. Desde que tenha uma capacidade de preservar o clube, principalmente por conta de seus torcedores, de que esse clube não vai fechar. Vai ser empresa, mas que vai resguardar, criar mecanismos. Eu não concordo é que seja clube-empresa e de repente o clube vá a falência. Temos uma história no Brasil que merece ser respeitada. O importante é você ter a criatividade de montar um time bom e, o mais importante, aonde você quer chegar com esse grupo de jogadores.

TÉCNICO

O treinador campeão da Europa no ano passado, que foi o Klopp (Jurgen), do Liverpool, falou, há alguns meses atrás, que ele, às vezes, em um ano não consegue montar o time. E ele é um cara extremamente competente. Você precisa ter identidade, criar um gupo que tenha jogadores acostumados a ganhar e que possam entender rapidamente o trabalho tático. Você tem que ter tantas coisas, que não consegue de hoje para amanhã. Isso começa na montagem do grupo e, nem sempre, quando você monta o grupo, você consegue o resultado que almeja, porque às vezes o jogador, embora seja muito bom, ele não consegue render. Está cheio de exemplos disso…

SPORT

O Sport, quando eu trabalhei, tinham dois jogadores extraordinários; o Lenis (Reinaldo) na direita e o González (Mark) na esquerda, mas não conseguiram jogar. Porque se o Lenis jogasse o que jogou quando foi o melhor jogador estrangeiro na Argentina, e o Mark González, pô, o Sport teria dois jogadores fantásticos, pela velocidade, pelo empenho. Só que não conseguiram jogar. E aí não quer dizer que os jogadores não foram bem indicados. Então as coisas não são simples. Se você tiver tempo, planejamento e tenha uma gestão que entenda como funciona o futebol, porque tem que ter gente, em clube, com a convicção de que futebol é feito diferente. E que dois mais dois, no futebol, não são quatro, você consegue pelo menos ter um tempo. Mas no Brasil o pessoal é demitido com 20 dias. Eu fui demitido do Internacional com 25 dias.

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JORGE JESUS

Uma das coisas que eu sempre procurei fazer é conhecer o que se faz lá fora. E várias vezes eu tive um período, eu ia duas três vezes por ano ver o que eles estavam fazendo. Eu estive no Real Madrid do Mourinho (José), do Ancelotti (Carlo), que foi meu companheiro de Roma, estive conversando com o Wilmots (Marc) que era treinador da Bélgica. Eu sempre me preocupei e me interessei em fugir da mesmice. Então, o que o Jesus está fazendo, já sei essas coisas, porque eu sempre me interessei por isso. Ele consegue colocar aquilo que no Brasil é muito complicado, jogar com um volante. E qual é o segredo do Flamengo? É a compactação.

GUARDIOLA

Estou com o segundo livro dele aqui na minha frente. Têm coisas que eu comungo e tento fazer isso dentro do possível. Acho que time de futebol tem que emocionar, que não jogue só pelo resultado. É o que ele diz e faz. Você tem que ter performance. O resultado vem. Se você não jogar bem o resultado pode até vir, mas não te dá segurança que vai continuar vindo. Tem que olhar e te emocionar. Jogar bem. Claro que nem sempre se consegue. Mas acho que o objetivo do treinador, pelo menos é o meu, é que o time ganhe e que permaceça ao longo do tempo lembrado porque ganhou bem.

TITE

Brinco sempre com os treinadores atuais da seleção, que a única inveja que eu tenho é porque o grupo que vocês têm na mão eu não tive lá atrás. Na nossa safra, não tinha um grande destaque. Mas aí foi bom que dei oportunidade a jogadores como Cafu, Leonardo, Marcio Santos, Mauro Silva, que foram campeões do mundo três anos depois com Parreira em 1994. Foi o maior legado. Claro que a gente quer que a seleção jogue sempre bem, mas temos que entender que hoje o Brasil não joga o melhor futebol do mundo. A exigência, por tudo que se conquistou, a expectativa é sempe do espétaculo. Mas hoje você tem seleções extraordinárias. França, Bélgica, Alemanha, Espanha. Agora, Brasil, Italia, Alemanha e Argentina sempre serão favoritos, porque têm história. Tem que ter calma e se cobrar resultado na hora da competição.

MEIA

Existe um erro em se pensar que se precisa ter um armador com a 10. Se tiver, ótimo. Mas posso ter dois laterais que armem o jogo, como Daniel Alves e Marcelo. Ou um ponta-esquerda, como foi Mário Sérgio. Tem que ter jogador com característica de armação.

RECIFE

Tenho muito carinho por Recife. Fui muito bem tratado. A história de Olinda é maravilhosa. Conheci a primeira faculdade de direito do Brasil. Vivi muito essa cidade.


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