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04/07/17
Leão recebe o Arsenal-ARG pela segunda fase da Sula. Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Leão recebe o Arsenal-ARG pela segunda fase da Sula. Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Muitas taças, reformas e ineditismo: Ilha do Retiro completa 80 anos

04 / jul
Publicado por Karoline Albuquerque em Notícias às 6:51

A história da Ilha do Retiro completa 80 anos nesta terça-feira (4), pouco mais de um ano antes da inauguração do estádio. Mais precisamente, 3 de março de 1936 foi o dia que os dirigentes do Sport fecharam negócio para compra da chácara de número 56, na Ilha do Retiro. O volume total investido pelo clube foi de 85 contos de réis. Para viabilizar o terreno de 14 hectares foi preciso vender algumas medalhas que faziam parte do acervo leonino como conta o próprio tesoureiro na época, Francisco Cribari.

“Precisava pagar de início 25 contos de réis, e a tesouraria só tinha em caixa 13 contos de réis. Vendemos então um resto de medalhas pertencentes ao clube, e o resto foi coberto por uma subscrição entre um determinado número de sócios”, disse.

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O primeiro objetivo da compra era erguer um estádio para o time mandar seus jogos, o que foi viabilizado no ano seguinte, com o clube sob o comando de José de Andrade Médicis, a quem coube a honra de ver o estádio batizado com seu nome. Ele mudaria em 1955, quando uma reforma foi feita para o cinquentenário e homenageia um dos presidentes que mais contribuíram para a construção do patrimônio rubro-negro: o empresário Adelmar da Costa Carvalho.

A primeira partida foi um amistoso contra o Santa Cruz na chuvosa manhã de 4 de julho. Inclusive, o dilúvio que desabou sobre o Recife adiou o apito inicial em mais de uma hora – estava previsto para 8h50, mas só começou às 10h. O primeiro gol foi vermelho e preto: Danzi. A cada gol do Sport o Santa empatava. Até que Haroldo Praça, pai do ex-presidente Sílvio Guimarães, marcou o gol da vitória por 6×5

Os times jogaram assim:
Sport – Muniz, Morato e Gelsomino; Ernesto, Ademar e Amarino; Haroldo, Djalma, Danzi, Pitota e Pedro.
Santa Cruz – Neco, Sidinho II e João Martins; Ademar, Rubem e Ernane; Malaquias, Lauro, Tará, Sidinho I e Siduca.

Uma semana depois, o primeiro jogo oficial, pelo Campeonato Pernambucano. O adversário do Sport foi o Tramways. Houve empate por 2×2, resultado que valeu ao Furacão Elétrico o primeiro turno.

COPA DE 1950

Apenas 13 anos depois de inaugurada a Ilha ganhou a primeira reforma. Um racha político no clube levou à renúncia do então presidente José Lourenço Meira de Vasconcelos, que iniciou as negociações com a CBD (Confederação Brasileira de Desportos). O sucessor, Severino Almeida, conseguiu retomar a conversa via Federação Pernambucana e foram colocadas diversas condições para o estádio receber um jogo do Mundial: vestiários e túneis para atletas e árbitros, além do alambrado para separar o público. Os dirigentes se uniram e com o apoio de sócios e torcedores, colocaram mãos à obra, A capacidade foi ampliada para 20 mil espectadores. Em poucos meses veio a liberação e o jogo Chile 5×2 EUA foi a primeira partida de Copa do Mundo disputada no Norte-Nordeste.

Mais obras foram retomadas em 1953 para as comemorações do cinquentenário leonino. A Ilha recebeu um novo lance de arquibancadas, iluminação, poço artesiano, campo de treinamento e bilheterias. Na década de 1980 o estádio passou por mais uma ampliação, repetindo a dose em 1995.

OS GRANDES JOGOS

Além da já citada inauguração, a Ilha se tornaria palco de grandes jogos e conquistas rubro-negras. Foi no Adelmar da Costa Carvalho que o clube conquistou seus três títulos nacionais. No dia 7 de fevereiro de 1988, o quase interminável Brasileiro de 1987 chegava ao fim na Ilha. Aos 19 do segundo tempo Marco Antônio marcou, de cabeça, o gol do título. Três anos depois, o clube decidia a Série B com o Atlético Paranaense. Depois de um empate por 1×1 no Pinheirão os dois times não saíram do zero na Ilha. Melhor para o time da casa.

Antes disso em 1988, a casa rubro-negra recebeu os primeiros jogos do time na Libertadores. A estreia foi um revés de 1×0 para o Guarani. No segundo jogo, goleada sobre o Alianza Lima, do Peru, por 5×0, seguido de um empate com o Universitário, também do Peru, por 0x0.

Em 2008, o Sport voltava a brilhar nacionalmente. Contando com uma absurda pressão que a torcida fazia na Ilha, foi derrubando os adversários da Copa do Brasil um a um até chegar à decisão com o Corinthians e se tornar o primeiro – e até agora único – clube do Nordeste a conquistar a competição. Foram seis jogos na Ilha com seis vitórias, 19 gols marcados e apenas quatro sofridos. Em 2009 nova dose de Libertadores com quatro jogos – três vitórias e uma derrota. Entre 2008 e 2009 o time passou seis meses – ou 25 jogos – sem perder dentro de casa, entre Copa do Brasil, Brasileirão e Campeonato Pernambucano. A casa rubro-negra foi apelidada de Ilha de Lost pelo jornalista Carlyle Paes Barreto, do Jornal do Commercio, alusão à uma série de tv famosa na época que mostrava um grupo de pessoas presa numa ilha.

ESTADUAIS E REGIONAIS

Quando o assunto é conquista estadual, temos a Ilha do Retiro registrando seu maior público justamente num Campeonato Pernambucano. No dia 7 de junho de 1998 56.875 rubro-negros se espremeram para ver Irani marcar duas vezes e dar o tricampeonato – invicto – ao Leão. Para se ter uma ideia da quantidade de gente, hoje a capacidade máxima é de 29 mil pessoas.

A primeira conquista em casa demoraria quatro anos para acontecer. Em 1938 e 1941 o time foi campeão, mas na Jaqueira e Aflitos, respectivamente. Em 1942 a taça veio com uma vitória sobre o Santa Cruz por 2×1. Ali, os rubro-negros conquistavam o quarto dos cinco turnos do Estadual e por isso não houve decisão. O tricampeonato seria coroado novamente na Ilha e justamente no dia do aniversário de cinco anos da casa vermelha e preta. No dia 4 de julho o Sport derrotou o Santa Cruz por 3×0 e levou o segundo turno. Como já havia vencido o primeiro não houve necessidade de final.

A primeira decisão propriamente decisiva aconteceu apenas em 1948. Sport e América decidiram o Pernambucano numa melhor de três e o time da Ilha venceu a primeira por 2×0 e a segunda por 2×0. O ano do cinquentenário foi corado por mais um título estadual. A Ilha foi palco de seu primeiro Clássico dos Clássicos definindo um campeonato. O Sport venceu por 3×2 com dois gols de Traçaia e outro de Naninho. Wilton e Ivanildo descontaram para o Náutico.

Nas décadas seguintes a Ilha acostumou-se a ver seu dono levantar diversos troféus de todas as formas possíveis. Com goleadas como aconteceu sobre o Náutico com o 4×1 em 1988 ou sofridas com disputa de pênaltis, como aconteceu diante do Santa Cruz em 2006.

Nos regionais, a única vez que o estádio viu o time ser campeão foi em 2000. O Sport já havia ganho a Copa do Nordeste de 1994, disputada apenas em Alagoas. O bi veio com dois empates por 2×2 com o Vitória. Como teve melhor campanha ao longo de todo torneio, o time pernambucano foi beneficiado pelos empates. Por ironia do destino, o local que viu tantas conquistas amarga um jejum de sete anos. A última taça erguida na Ilha foi em 2010, quando Sport venceu o Náutico por 1×0 e faturou seu segundo pentacampeonato estadual. De lá para cá o clube foi campeão pernambucano em 2014 e neste ano, além da Copa do Nordeste de 2014. As conquistas aconteceram na Arena Pernambuco (PE 2014), Arena Castelão (NE 2014) e Cornélio de Barros (PE 2017).


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