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17/06/12

Há 50 anos, o Brasil era bicampeão mundial de futebol

17 / jun
Publicado por Thiago Wagner em Notícias às 9:16


Djalma Santos, Zito, Gilmar, Zózimo, Nilton Santos e Mauro (em pé). Garrincha, Didi, Vavá, Amarildo e Zagallo (agachados). Este era o esquadrão do bi

Quando o árbitro soviético Nikolaj Latychev deu o apito final para partida entre Brasil e Tchecoslováquia, no dia 17 de junho de 1962, a história da Copa do Mundo do Chile estava decretada. A seleção brasileira venceu de virada por 3 a 1 com gols de Amarildo, Zito e Vavá. Masopust anotou para os tchecos. Há 50 anos, o futebol brasileiro se sagrava bicampeão mundial. A taça Jules Rimet, a do mundo, como em 1958, era outra vez nossa como bem dizia a música. A festa era outra vez brasileira.

No entanto, diferentemente de 58, ano do primeiro título mundial, na Suécia, o personagem principal não seria Pelé. Não que o "rei de futebol" estivesse ausente no grupo de 62. Pelé estava convocado e era uma das estrelas daquela equipe, que era a base do mundial anterior. Porém, uma contusão muscular na perna direita durante a segunda partida da competição tiraria Pelé do restante da disputa. Aquela Copa do Mundo estava reservada para outros dois nomes, Garrincha e Amarildo.


Garrincha chamou a responsabilidade naquele mundial

O primeiro já era conhecido do público brasileiro pelos seus dribles e pela sua técnica com a bola no pé. Astro do Botafogo e campeão mundial com a seleção em 1958, Garrincha não precisava de maiores apresentações. Todos já o conheciam. Logo, com a contusão de Pelé, imagiva-se que Garrincha assumisse o papel de destaque no Brasil. O que poucos presumiam, era que o "anjo das pernas tortas" fosse ser o craque daquela Copa do jeito que foi. Foram quatro gols naquele mundial e exibições que encataram até mesmo os companheiros. "Nós tivemos a felicidade de ter um fantástico Mané Garrincha naquela Copa. Foi incrível", disse o ex-ponta-esqueda Pepe, um dos jogadores presentes naquele título, para a reportagem do Blog do Torcedor/NE10.

Já Amarildo tinha "somente" a responsabilidade de substituir Pelé, o ídolo de uma nação. O jovem de 21 anos não decepcionou e, junto com Garrincha, ajudou a carregar a seleção brasileira rumo ao título. Foram três gols decisivos durante o mundial, dois deles na vitória de virada por 2 a 1 diante da Espanha, se o Brasil perdesse estava fora da Copa, e um na final contra a Tchecoslováquia. O gol de Amarildo foi o que empatou a partida e o que deu gás para a virada na decisão. "Se eu jogasse pensando em subsituir o Pelé seria um desastre. Me preparei mentalmente e fisicamente. Dei o máximo de mim", afirmou Amarildo, que hoje tem 71 anos.


Zagueiro Mauro repete o gesto de Bellini quatro anos antes e ergue a taça

Apesar do brilho desses dois jogadores, a Copa de 62 não foi fácil. A competição foi ganha na base da experiência de um elenco já rodado em mundiais. Nove dos 22 jogadores do elenco tinham mais de 30 anos enquanto que apenas oito jogadores eram caras novas no grupo. Oito também era o número de titulares da final de 62 que estavam na decisão de 58. Os zagueiros Mauro e Zózimo e o atacante Amarildo eram as novidades da equipe comandanda pelo técnico Aymoré Moreira, outro "novato" na disputa. Até os preparadores eram os mesmos. O comando da delegação também se repetiria. Paulo Machado de Carvalho gerenciava a canarinho assim como em 58.

Com o título em mãos, a seleção brasileira foi recebida com muita festa no país. o elenco foi recebido pelo presidente da época, João Goulart, em Brasília, nova capital federal, e desfilou em carro do corpo de bombeiros. "A volta foi muito bonita. Claro que nós tínhamos a lembrança de 58, mas foi muito bonito de ver. Tinha muita gente no aeroporto", relembra Pepe.

Garrincha: o menino simples e humilde

Foi na Copa de 1962 que um dos fatos mais curiosos das Copas aconteceu. Um cachorro invadiu o gramado durante a partida entre Brasil e Inglaterra pelas quartas-de-finais. O jogo obviamente foi interrompido. Coube então aos jogadores correrem para pegar o animal. Um deles foi Garrincha, que foi "driblado" pelo cachorro para alguns risos. Esta atitude de Mané definia bem a sua personalidade, segundo Pepe. "O Garrincha era um menino. Não que ele fosse moleque, não é isso. Mas ele era bem simples e humilde", disse.

Sobre a disputa do mundial, o ex-ponta-esquerda da seleção relembra que a Tchecoslováquia era um adversário complicado e que a Copa foi ganha na superação. "Não demos espetáculo como em 58. Tivemos uma Tchecoslováquia muito forte. A sorte é que a maioria de nossos jogadores conhecia o adversário das excursões com o Santos e com o Botafogo, que eram a base do time. A contusão de Pelé também nos abalou, mas a superação foi incrível", afirmou.

"Fiz aquilo que sabia fazer", diz Amarildo

Personagem central da conquista brasileira, Amarildo revela que nunca pensou em substituir Pelé. "Joguei como jogava no Botafogo. Fiz aquilo que sabia fazer", declarou.


Amarildo (esq.) substituiu Pelé (dir.) à altura

Amarildo também afirma que um dos adversários que mais temeu foi a Espanha. "Eles eram experientes e perigosos. Porém tínhamos o Garrincha e o Didi. Fizemos tudo que podíamos naquele jogo". A partida contra os espanhóis foi a primeira de Amarildo em Copas.

Vavá: O leão da Copa

Representante de Pernambuco ao lado do meia Zequinha (ex-Santa Cruz e Náutico), o ex-atacante Vavá é lembrado com carinho pelos ex-companheiros de seleção. Para Pepe, o ex-centroavante do Sport detinha um faro de gol bastante apurado. "Vavá foi brilhante naquela Copa. Poucos eram como ele. Foi muito meu amigo. Eu o chamava de o leão da Copa".


Vavá comemora o último gol na vitória contra o Chile

Amarildo foi outro que não poupou elogios. "Vavá era espetacular. Não tinha igual como centroavante. Batava uma desatenção que ele fazia. O gol que ele fez na final acredito que poucos fariam".

Vavá atuou em duas Copas do Mundo, 1958 e 1962, sendo campeão nas duas. Ao todo, foram 23 jogos pela seleção principal, dez em Copas. No mundial do Chile, Vavá marcou quatro gols e foi um dos artilheiros Ele faleceu em 2002, aos 67 anos. Já Zequinha atuou 17 vezes com a camisa da seleção, porém nenhuma dessas partidas foi em Copas.

Campanha do Brasil em 1962

Brasil 2×0 México – 30 de maio de 1962
Gols: Zagallo e Pelé.

Brasil 0x0 Tchecoslováquia – 2 de junho de 1962

Brasil 2×1 Espanha – 6 de junho de 1962
Gols: Amarildo (duas vezes) para o Brasil; Rodríguez para a Espanha.

Brasil 3×1 Inglaterra – 10 de junho de 1962
Gols: Garrincha (duas vezes) e Vavá para o Brasil; Hitchens para a Inglaterra.

Brasil 4×2 Chile – 13 de junho de 1962
Gols: Garrincha (duas vezes) e Vavá (duas vezes) para o Brasil; Toro e Sánchez para o Chile.

Brasil 3×1 Tchecoslováquia – 17 de junho de 1962
Gols: Amarildo, Zito e Vavá para o Brasil; Masopust para a Tchecoslováquia.

Artilheiros do Brasil:

Garrincha e Vavá – 4 gols
Amarildo – 3 gols
Pelé, Zagallo e Zito – 1 gol


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