TRAÇO

Ensaio na quarentena: conheça a artista Rayana Rayo e sua busca pela origem

Publicado em Artes Galerias 29/07/2020 às 19:00
Ensaio na quarentena: conheça a artista Rayana Rayo e sua busca pela origem

A artista Rayana Rayo, em ensaio remoto, via Skype; ao fundo, a tela "O Grito das Jaçanãs", feita durante a quarentena, sobre um compensando - Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Convidamos Rayana Rayo para, neste isolamento social, conversar com o Social1 via WhatsApp e posar por Skype. O texto é de Romero Rafael e as fotos (em galeria no final do post) são de Dayvison Nunes

Rayana Rayo, ou Rayana Viana. Uma geminiana e seu impasse diante da escolha entre dois nomes. Mas, para além da astrologia, soa honesto que uma artista que vem pesquisando sobre origem vagueie pela sua própria – afinal, nome é código social que indica quem somos; e sobrenome, de onde viemos. Nome é origem.

O Rayo, apelido desde sempre, é também o @ do seu Instagram, por onde divulga sua arte. O Viana é do pai, o artista José Carlos Viana, falecido há quase um ano. Em 2015, quando Rayana decidiu largar a advocacia e assumir-se artista, o Rayo caiu-lhe perfeito – queria que a sua arte, naquele momento ainda buscando o traço próprio, não fosse associada à do pai, artista já consagrado, pela pressão que poderia sofrer. Mas o Viana a tem cortejado de volta.

“A cada dia, tenho entendido mais a questão afetiva da arte com meu pai”, diz ela. “A gente não sabe de onde vem essa vontade insaciável de desenhar. A arte é ou não é herdada? É pelo incentivo ou é de alma? Porque meu pai também tinha essa vontade de alma. É e não é ingênuo pensar que a arte chamou a gente. Existe um chamamento ancestral, que é muito forte. Acho que essa força chamou meu pai e me chamou.”

A arte de Rayana, hoje, talvez ronde essa força. Qual a origem? A interessam, portanto, a etimologia, a filosofia, o pensamento decolonial… Ao passo em que reflete sobre o que está e o que nos é posto, tomou como missão, através da arte, ressignificar a vida e aprofundar ideias. É como se rasgasse um manual pronto e (quem sabe) empoeirado e vencido, para então fazer outro. “Quando você materializa outra realidade [no caso dela, artisticamente], as coisas deixam de ser como eram antes, porque algo é feito”, conta.

“O desenho me mostra um caminho de sociedade.”

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Romero Rafael

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