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O que significa cada letra da sigla LGBTQIA+

O que significa cada letra da sigla LGBTQIA+

Bandeira LGBTQIA+ - Foto: reprodução

Publicado em Notas 30/06/2020 às 6:53

Este junho de 2020 foi o 50º Mês do Orgulho LGBTQIA+ (leia abaixo como o movimento surgiu). Um mês dedicado a celebrar o que a comunidade já conquistou e reivindicar o que ainda falta. É também um período de promoção de ações afirmativas, para educar as pessoas sobre a diversidade de orientações sexuais e identidades de gênero.

A propósito, para compreender o movimento, a sigla e o mundo hoje é fundamental entender a diferença entre orientação sexual e identidade de gênero. O cineasta e diretor de TV João Jardim, que em 2016 lançou uma série sobre o assunto, “Liberdade de Gênero” (GNT), já explicou a diferença com clareza:

“A orientação sexual das pessoas, com quem elas transam – homem, mulher ou os dois –, não tem nada a ver com o gênero. Gênero é como as pessoas querem se expressar no mundo: se como homem, mulher ou nenhum dos dois.”

LGBTQIA+

Cada letra da sigla LGBTQIA+ agrega um grupo de pessoas que se reconhece por uma orientação sexual ou uma identidade de gênero diversa das convencionais: orientação heterossexual; gêneros masculino e feminino. Ela é a evolução de GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), de GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transexuais) e LGBT.

A retirada do “S”, de simpatizante, que se referia a héteros que apoiavam a causa, deu-se pelo entendimento de que eles não eram protagonistas do movimento. Já a troca de posições entre o “G” e o “L” foi motivada pela promoção de equidade de gênero entre mulheres e homens.

Assim, fica evidente que as próprias mudanças na sigla – com inserção de letra, retirada e reposicionamento – demonstram a evolução do movimento pela inclusão das pessoas em suas diferentes orientações sexuais e identidades de gênero.

Como se sabe, o L diz respeito às lésbicas e o G, a gays, respectivamente, mulheres e homens que sentem atração afetivo-sexual por pessoas do mesmo gênero que o seu; enquanto o B representa as pessoas bissexuais, que sentem atração afetivo-sexual por homens e mulheres. Até aqui, a sigla agrega grupos por orientações sexuais.

A partir do T, a sigla acolhe identidades de gênero dentro do amplo espectro da diversidade. Na primeira letra estão incluídos transgêneros, transexuais e travestis: pessoas que se identificam com um gênero diferente do que foi designado no nascimento. É o oposto da pessoa cisgênero ou “cis” (mulheres e homens que se reconhecem conforme seu gênero de nascimento).

Uma pessoa transgênera se enxerga pertencendo ao gênero oposto; da mesma forma, a transexual, sendo que esta necessita de mudanças no corpo. Sobre travestis há duas compreensões: a primeira é a de que seria o mesmo que transexual, mas usado assim entre classes sociais mais baixas; e a outra é a de que, apesar de transitar para o gênero oposto, ela não se sente pertencente, propriamente, a nenhum dos dois.

As três identidades de gênero têm sido comumente reunidas no termo transvestigênere.

Continuando a desvendar a sigla, o Q é de queer – quem transita entre os gêneros feminino e masculino, e mesmo em outros gêneros fora da binaridade masculino-feminino, o que é chamado de não-binário. A teoria queer afirma que a orientação sexual e a identidade de gênero são resultado de uma construção social, e não de uma funcionalidade biológica.

O I, que é mais recente, diz respeito ao intersexo – identidade de gênero de pessoas cujo desenvolvimento sexual corporal (seja por hormônios, genitais, cromossomos ou outras características biológicas) não se encaixam na forma binária masculino-feminino.

O A volta a se referir a orientação sexual. Agrega os assexuais, aqueles que não sentem atração afetivo-sexual por outra pessoa, independente de orientação sexual nem de identidade de gênero.

Por fim, o +, que há uns anos foi incorporado à sigla, abriga outras possibilidades de orientação sexual e identidade de gênero que existam. É o caso da pessoa que, do ponto de vista da orientação sexual, se define como pansexual. A sigla, aliás, também aparece escrita com o P ao fim: LGBTQIAP+. Pansexual é quem sente atração afetivo-sexual independente da identidade de gênero da pessoa – seja mulher ou homem, cis ou trans, ou mesmo de outro gênero, como o intersexo. É a orientação sexual mais fluida.

Como surgiu o Mês do Orgulho

Em 1969, a homossexualidade era considerada crime com pena que podia chegar à prisão perpétua em quase todos os estados norte-americanos. Lésbicas, gays, bissexuais e travestis eram alvos constante de extorsão e espancamento por parte dos policiais.

No dia 28 de junho (Dia do Orgulho LGBTQIA+) daquele ano, a polícia da cidade de Nova Iorque fez uma batida no bar Stonewall Inn para violentar pessoas LGBT, como de costume. Mas, pela primeira vez, encontrou grande resistência. Uma multidão encurralou os policiais dentro do bar e um grande confronto teve início, chegando a durar dias. Esse tornou-se um marco de resistência na luta por direitos da comunidade LGBTQIA+.

No ano seguinte, dez mil pessoal se reuniram na porta do bar e marcharam naquela que ficou conhecida como a primeira Parada da Diversidade e do Orgulho LGBTQIA+.

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Publicado por
Romero Rafael

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