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Em carta aberta, Julia Konrad conta que foi vítima de estupro conjugal

Publicado em Notas 30/06/2020 às 15:01
Em carta aberta, Julia Konrad conta que foi vítima de estupro conjugal

Pernambucana Julia Konrad ganha destaque em 'O Sétimo Guardião'. Foto: Reprodução/Instagram

Em uma carta aberta dolorosa de se ler, a atriz pernambucana Julia Konrad desabafou sobre um relacionamento abusivo que viveu e que deixou marcas profundas. O relato, publicando na versão on line da revista Cláudia, narra desde o dia em que a artista conheceu o ex-companheiro até as agressões sexuais que sofreu. “Nos conhecemos em uma festa. Lembro de tê-lo visto chegar pela janela do apartamento de primeiro andar. Nossos olhares se cruzaram naquele instante, e minutos depois estávamos frente a frente no parapeito daquela janela, formalmente apresentados por um amigo em comum. Conversamos a noite inteira, e eu constantemente me perguntava se aquele homem era real, com sua voz doce, seu jeito caloroso”, conta.

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me reconhecer como vítima de violência doméstica não foi um processo fácil. anos atrás, vivi um relacionamento abusivo onde fui vítima de violência psicológica, verbal e sexual. a elaboração desse tipo de trauma muitas vezes leva anos, e comigo não foi diferente. e antes de mais nada, quero deixar aqui minha imensa gratidão a todos que fazem parte desse caminho comigo, me acolhendo, amparando, fortalecendo. vocês sabem quem são <3 hoje, pela primeira vez, trago a público detalhes da minha experiência com um tipo de violência contra a mulher que não é entendida, e muito menos falada abertamente: o estupro conjugal. em uma carta aberta publicada pela @claudiaonline, conto como uma violação sexual pode se dar de forma insidiosa dentro de um relacionamento, até onde entendemos o conceito de consentimento, e como vítimas são incapazes de identificar as violações sofridas. quero deixar claro desde já que meu único objetivo é alertar mulheres para situações abusivas que possam estar vivendo neste momento. durante o isolamento social, temos visto um aumento alarmante no número de casos de violência doméstica, mas ainda existe uma imensa subnotificação. espero que meu relato possa ajudar mulheres a identificar violências sofridas, e que dessa forma consigam buscar ajuda psicológica e legal. a todas que precisam de amparo, o @mapadoacolhimento é fundamental como ponto de partida. obrigada guta pelo espaço, e principalmente, pelo cuidado imenso comigo. deixo o link para a carta na bio. se você, como mulher, se reconhecer no meu relato, saiba que não está sozinha. jamais <3

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A atriz relata que se encantou de cara pelo rapaz, a ponto de pegar seu telefone e mandar uma mensagem para um encontro no dia seguinte. “Parecia um filme, parecia o destino, parecia tanta coisa ao mesmo tempo”, disse. Porém, logo no primeiro encontro a sós, Julia conta que sofreu a primeira agressão sexual. “Na noite que ele chegou, fiz o jantar e bebemos vinho. Completamente hipnotizada por aquele olhar, acreditava em tudo que saia daquela boca… De repente, algo mudou. Vi uma mudança no olhar enquanto ele me levava pro quarto. Lembro de ter sido surpreendida pela força. Fui jogada na cama. Tentei beijá-lo para acalmar um pouco aquela afobação toda, mas de nada adiantou. Segundos depois minha roupa já tinha sido arrancada, ele tirava as calças com uma velocidade absurda, e antes que pudesse pensar em reagir, fui penetrada”, conta.

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Apaixonada, Julia seguiu com o relacionamento, ainda sendo vítima do mesmo tipo de agressão constantemente. Ficou isolada da família, afastada dos amigos, com dívidas de empréstimos para pagar as contas do casal sempre feitos no dela e sempre cedia. “Se eu não cumprisse meu dever de mulher, ele me deixaria. Eu cumpriria meu dever de mulher, por medo. Medo de ficar sozinha. E depois da tempestade, do dever cumprido, vinha reconquista. O pedido de desculpas, a explicação dos traumas do relacionamento passado. Presentes, surpresas, declarações públicas de amor”.

Julia contou que reconhecer que ela era uma vítima de violência doméstica não foi um processo fácil. Como acontece com a maioria das mulheres nesse caso, ela achava que era culpada, que talvez tivesse algum problema ou fosse frígida. “A sociedade patriarcal nos ensina a normalizá-los, chamá-los de outros nomes, pois dessa forma fica mais difícil de identificar. Um desses nomes é ‘dever’. O ‘dever da mulher’, algo que era constantemente jogado na minha cara sempre que manifestava minha negativa ao sexo”, aponta.

Ofendida e machucada, a atriz conta que sangrou por diversas vezes e era humilhada constantemente. “Ele gritava que eu não sabia o que era sexo com um homem de verdade”. Foi nessas circunstâncias que se deu conta de que era vítima de estupro conjugal. “Meu despertar tem sido um processo longo e doloroso. Entender que fui vítima de estupro desde o primeiro encontro com esse homem não foi fácil. Sempre me achei uma mulher forte, esclarecida. Não cabia na minha cabeça a noção de que logo eu, tão ativa na causa feminista, tão estudiosa, não tivesse sido capaz de reconhecer o estupro pelo que ele é. Mas existe uma razão pra isso. Nós como sociedade não falamos sobre estupro, a não ser o violento, cometido por psicopatas, com corpos usados e jogados em matagais”, reflete.

Julia Konrad encerrou o relato contando que recentemente foi procurada por uma ex-parceira do mesmo homem e que chorou ao escutar sua história. “Escutei seu relato em silêncio por telefone, que ficou ensopado do tanto que chorei. E com mais dor ainda, descobri que os vários crimes que haviam sido cometidos contra ela já haviam prescrito”.

Atualmente, a atriz namora o empresário Pedro Marques.

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Publicado por
Anneliese Pires

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