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Vic Chameleon, modelo e DJ pernambucana, estampa capa virtual de revista

Publicado em Moda MODA/BELEZA 27/05/2020 às 10:08
Vic Chameleon, modelo e DJ pernambucana, estampa capa virtual de revista

Vic Chameleon compôs a capa do retorno da Elle Brasil (Foto: @Ravmes)

“Estar na capa da Elle fala sobre pluralidade.” Essas são as palavras da pernambucana Vic Chameleon, uma das 17 pessoas escolhidas para estampar a capa da revista Elle, no retorno das suas atividades editoriais no Brasil; por ora, só virtual, mas, a partir de setembro, também fisicamente. Aos 21 anos, a modelo, DJ e produtora, natural de Jaboatão dos Guararapes, transita entre os mundos da música e da moda, com um tom político nas suas realizações e no seu discurso.

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Foi na segunda-feira, 25, que a Elle Brasil deu fim ao hiato que já durava dois anos (quando encerrou suas atividades) e revelou imagens de Vic Chameleon, num ensaio realizado por videochamada, pelo fotógrafo Gleeson Paulino. Nele, Vic – que, nas festas, como DJ, é mais conhecida pelo nome artístico Cherolainne – mostra a sua relação com a moda e a música, num discurso, ao mesmo tempo natural e político, de representatividade.

A relação com a moda começou em 2016, com uma semente na periferia de Jaboatão dos Guararapes. Através de um vizinho, o estilista Cris Moura, Vic Chameleon deu os primeiros passos na criação de um estilo próprio; sua forma de se expressar pelo que veste. No mesmo ano, iniciou contato com a música eletrônica underground.

“Gosto muito de uma pegada flexível e carregada de modernidade. Desde então, tenho me identificado cada vez mais com a moda”, conta a modelo, que também foi aumentando o seu interesse pela música. Por volta de 2018, resolveu que suas duas paixões não eram bem um dilema, ao perceber que não precisava escolher, e sim conciliá-las.

A DJ e modelo Vic Chameleon (Foto: Gleeson Paulino | Stylist: Lucas Boccalão)

Para Vic Chameleon, a moda não só dá a oportunidade de mudar, como também funciona como uma ferramenta de comunicação entre os corpos. “Um exemplo é quando me visto para sair. Antes de pensar no que vão achar, eu penso no que aquela composição vai me promover. No sentido de como o look vai imprimir meu estado de espírito.”

Comunicação e moda

Vic Chameleon acredita que a moda simboliza inovação, mas ainda assim precisa se renovar. “Já está na hora da moda, num geral, ‘abrir os olhos’ para as novas construções. Olhar menos de cima e mais de baixo, sendo ela um mecanismo de representação social.”

A modelo Vic Chameleon para a Elle (Foto: Gleeson Paulino | Stylist: Lucas Boccalão)

Acompanhando o tempo, a indústria da moda tem se mostrado, aos poucos, mudando, de certa forma, o seu modus operandi. A representatividade e a identificação são apontadas como bases importantes para o futuro da indústria.

A própria Vic Chamaleon cita exemplos de como isso funciona na prática. Seja com a tecnologia a favor do desfile, seja pensando sob novos corpos para representar as marcas.

“Vivemos um momento onde devemos deixar de enxergar as mais magras como modelos padrão de representação. Afinal, não existe só gente magra consumistes de moda.”

Vic também opina sobre o que se pode aguardar desse posteriori. “Já estão havendo modificações nas maneiras de pensar sobre moda e consumo. Me sinto empolgada sobre o que está por vir.”

Representatividade

A experiência na capa da Elle surgiu pelo engajamento da hashtag #OlhaElle, criado pela revista. A composição foi feita acompanhada do fotógrafo Gleeson Paulino ao lado do stylist Lucas Boccalão.

“Quando a matéria foi ao ar e me deparei comigo na capa, eu quase choro. Foi muito emocionante ver que eu estava ali compondo aquele time na primeira página”, descreve.

Olhando para trás, Vic Chameleon relembra não apenas sua história como a prória essência e a importância disso: “Não é todo dia que temos uma pessoa trans, nascida e criada na periferia na capa de uma revisa.”

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“Morando no país em que mais mata pessoas trans e travestis no mundo, eu, enquanto mulher trans, me sinto muito honrada e privilegiada por estar ali. Estar neste posto fala sobre representatividade. Estar na capa da Elle fala sobre pluralidade.”

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