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Cinema: a importância da representatividade negra nas telonas

Cinema: a importância da representatividade negra nas telonas

Cena do filme 'Pantera Negra' (Foto: Reprodução/Internet)

Publicado em Notas 9/11/2019 às 1:00

Em uma semana, talvez nunca tenha se falado tanto sobre as condições sociais que envolvem o cinema. O assunto veio à tona por conta do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM, que teve como tema da reação a democratização do acesso ao cinema. Porém, pensar em consumir e produzir cinema é também refletir sobre o que e quem está sendo representado para o público. 

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O termo “representatividade” vem sendo, cada vez mais, discutido em diversas áreas da sociedade. Afinal, que pessoas são representadas, diariamente, seja nas produções hollywoodianas ou nacionais? Quem são as protagonistas marcantes nas telenovelas brasileiras?

Pensar nesses personagens é também pensar em como a sociedade em geral está sendo representada. Aos poucos, as produções, principalmente cinematográficas, vem buscando uma maior pluralidade em seus personagens. 

Assim, no Mês da Consciência Negra, é necessário voltar o olhar para a população que é grande parte do público, mas dificilmente representada. Vale ressaltar que falar sobre representatividade é, de fato, inserir diferentes pessoas dentro de um espaço. No caso da produção de um filme, por exemplo, é a presença nos bastidores, gravação, produção e atuação.  

Disney 

Para se ter noção, apenas em 2009 a grandiosa Disney teve a sua primeira princesa negra. “A Princesa e o Sapo” mostrou a personagem batalhadora Tiana em busca de montar o seu próprio restaurante. A personagem encantou milhares de crianças e contou com o outro protagonista, o príncipe Naveen, como um personagem negro.

O filme também aborda sobre o Jazz, manifestação cultural criada por comunidades negras de Nova Orleans, onde se passa a trama da animação, no início dos anos 1900. Tiana surgiu 72 anos depois da criação da primeira princesa da Disney, Branca de Neve, em 1937.

Marvel

O caminho da Disney para a representatividade de personagens negros, desde então, tem sido a passos lentos, mas transformadores. O verdadeiro ‘boom’ aconteceu em 2018, com o lançamento do primeiro filme protagonizado por heróis negros.

“Pantera Negra” movimentou fãs da Marvel ao redor do mundo todo e surpreendeu pela abordagem futurista e moderna, diferente do que geralmente é apresentado quando se fala de populações negras.

A produção, inclusive, foi indicado a sete categorias no Oscar 2019, levando três estatuetas de Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora e Melhor Design de Produção. 

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Racismo

Essas mudanças, porém, não tem agradado parte do público. “Pantera Negra” conseguiu revoltar alguns fãs de quadrinhos e heróis que alegaram “não ver a necessidade” do filme e “não se sentirem representados”, já que o elenco é composto majoritariamente por pessoas negras.

Apenas em 2019, nomes como Will Smith e Idris Elba foram alvos de críticas pelo público por não corresponderem às expectativas dos fãs. O primeiro no live-action de “Aladdin” (2019), onde interpreta o Gênio da lâmpada (que é azul). Enquanto isso, Idris estaria sendo o favorito para interpretar o primeiro James Bond da história do agente secreto.

O caso mais recente se deu após o anúncio da Disney do live-action de “A Pequena Sereia” (1989). A atriz e cantora Haelle Bailey foi escolhida para o papel principal de Ariel. No entanto, a jovem de 19 anos recebeu duras críticas alegando que deturpa a ‘cor correta’ da personagem.

As justificas se davam a partir do argumento de que isso não seria racismo, mas sim fidelidade à obra original. Vale lembrar que a personagem fictícia de Ariel é uma sereia e que, por incrível que pareça, sereias não existem.

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