MOVIMENTO

Fafá de Belém cantou e fez discurso no lançamento do Geração XMais

Fafá de Belém cantou e fez discurso no lançamento do Geração XMais

Fafá de Belém na noite de lançamento do movimento Geração XMais - Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Publicado em Cobertura 30/09/2019 às 10:16

O Teatro RioMar ficou cheio, nesta segunda (30), para ver e ouvir Fafá de Belém, estrela do lançamento do Geração XMais, movimento idealizado pela publicitária Cecília Freitas, de 72 anos; a psicóloga Anamélia Poggi, 70 anos; a empresária Célia da Fonte Longman, 67, a profissional liberal Liliane Longman, 67, e a consultora financeira Simone Gueiros, 52. “Fazer parte desse projeto é uma alegria. Eu entendo que vivemos num País que cultua apenas uma parte da idade”, disse Fafá, assim que apareceu no palco, antes mesmo de soltar o vozeirão na primeira música do roteiro, “Foi assim”, acompanhada pelo piano do maestro João Rebouças.

Fafá de Belém entre Simone Gueiros, Anamélia Poggi, Cecília Freitas, Célia da Fonte Longman e Liliane Longman – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

“Eu tenho 63 anos, com essa carinha de 62 [gargalhada], e acredito que a vida da gente caminha pra frente. Nós não podemos nos colocar num armário de bibelôs frágeis. Não! Nós somos fortes, pensadores… já sofremos tantas coisas, e o olhar da experiência está sempre conosco, então não podemos deixar que nos coloquem de lado. É função de cada um de nós incentivar outros com mais de 40, 50, 60 anos, porque a idade está dentro da cabeça da gente. E se a gente for se engessando pelo que os outros querem, a gente acaba dando passo nenhum”, discursou Fafá de Belém, ainda à entrada.

“Continuo caminhando cada vez mais na esperança de que não somos parte do correr dos bois, nós somos os donos da boiada”, finalizou, depois de citar seus projetos recentes – entre eles, o elogiado disco e show “Humana”, apresentado no Teatro RioMar em julho.

Fafá de Belém com o maestro João Rebouças – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem
Fafá de Belém – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem
Público no lançamento do Geração XMais – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

O movimento Geração XMais surgiu das inquietações pessoais das cinco idealizadoras quanto a longevidade e contra a cultura brasileira que exclui idosos de papéis ativos na sociedade – sobretudo, no mercado de trabalho. “E nós temos uma força de trabalho enorme. Hoje, se aposenta com 60 anos, quando a gente tem uma expectativa de vida de 80, 90 anos. Nós somos produtivos e temos que tentar ajudar nosso País”, pontua Cecília Freitas. Simone Gueiros complementa: “Economicamente, os idosos são a terceira economia do planeta. E os 30 anos que se ganhou de [expectativa de] vida podem ser feitos de outras coisas”. Um dos projetos que o movimento já desenvolve, inclusive, é uma plataforma de negócios, ferramenta criada para promover a reinserção de idosos no mercado.

Entende-se pela Geração X+ aqueles nascidos após a Segunda Guerra Mundial, até a metade da década de 60, os chamados “baby boomers”. A Geração X compreende os nascidos a partir da segunda metade dos anos 1960 até antes dos anos 1980.

“Eu nunca penso em pessoas com prazo de validade”

Antes de subir ao palco, durante entrevista, Fafá de Belém falou sobre envelhecimento: “Eu nunca penso em pessoas com prazo de validade. A vida continua, e continua com muita qualidade. Eu nunca tive pudor de esconder a idade. Adoro ser avó e isso não me impede de ser viva e ter uma vitalidade enorme”.

A cantora destacou que não vive do passado, e sim do presente, e criticou o culto apenas à juventude. “Eu não vivo do meu passado. Eu sei quem eu sou e sei da minha história, mas não sento nela pra ficar ‘olha, gente, eu fui isso’, porque nós somos, nós seremos, se nós fizermos, se tivermos oportunidade e a liberdade de ser. O que existe aqui, no Brasil, é que a sociedade condena a idade. Você vê nos ‘casts’ de novela e, principalmente, nos comerciais… é sempre a juventude perfeita e aquela pessoa de cabelo branco sem vitalidade nenhuma fazendo parte do cenário. Não é isso: nós construímos esse cenário!”

“Eu não acredito que a melhor fase da vida é a infância, a juventude, a adolescência ou a velhice. A melhor fase da vida é a gente estar bem”, enfatizou em um dos momentos. A propósito, expressões como “melhor idade” e “terceira idade” não são mais usadas.

Assista à entrevista com Fafá de Belém:

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Publicado por
Romero Rafael

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