MODA E COMPORTAMENTO

O beabá dos chapéus masculinos

O beabá dos chapéus masculinos

Modelo Renato Macêdo posa com chapéu Santos Dumont diante do Loft Raízes, na Casacor | Imagem: Vinícius Ramos / Cortesia

Publicado em Moda MODA/BELEZA 23/09/2019 às 9:52

Chame-se o processo de ‘reconstrução’ ou ‘desconstrução’, a masculinidade passa por um novo momento de transição. Homens deixam o estigma do ogro desajeitado e partem para as alfaiatarias, barbearias e, como forma de agregar símbolos, procuram itens como chapéus. Eles existem em diversos modelos e o produtor de moda Álamo Bandeira explicou ao Social1 a conjuntura na qual eles estão inseridos, além de como e quando usá-los.

“A moda funciona como uma roda que gira as engrenagens partindo e se retroalimentando do próprio eixo. Na moda masculina, sobretudo após a revolução burguesa, essas mudanças são mais sutis, mas ainda estão presentes: o look do homem no século XX parece modificar-se pouco, mas só parece. O uso dos chapéus é um bom exemplo disso”, explica Álamo Bandeira, que é professor de moda do curso de Design da UFPE.

Ou seja, a masculinidade é uma convenção que se transforma: “No início do sistema de moda, o closet masculino era tão rico quanto o feminino. Basta lembrar que o grande ‘propagandista’ do salto alto foi o rei francês Louis XIV. Esse modus permaneceu até o século XIX, quando passou-se a valorizar a discrição aos homens. Os valores das cores e da ornamentação mudaram o foco da moda para o corpo feminino”, comenta Álamo Bandeira.

A “moda masculina” e a “moda feminina”, porém, mantinham relação direta: “Um homem de sucesso no mundo calvinista burguês passou a ser aquele o discreto. Sua riqueza deveria ser não ser refletida sobre si, mas sobre o corpo de sua esposa. Entretanto, quando em mais uma mudança histórica, a mulher passa a lutar por seu protagonismo político e não ocupa mais o espaço de bibelô dos homens. Esse se vê ‘perdido’ e volta a buscar nos códigos clássicos um espaço para traduzir sua vaidade”.

Confira as dicas do produtor de moda sobre como usar os modelos mais conhecidos:

Chapéu Panamá

Apesar do nome sugestivo, o modelo original é do Equador. O nome surgiu em 1006, quando o presidente dos EUA Theodore Roosevelt usou o chapéu durante as obras do canal do Panamá. Desde então, popularizou-se e hoje é produzido em diversos tons, mas o original é feito de palha bege toquillo, com trançado na copa construído de modo circular.

“Por isso, é importante jamais molhá-lo e sempre manuseá-lo pelas abas, para não deformá-lo. Ele pode ser usado para deixar o look do trabalho mais leve, combinado-o com uma camisa de botões manga curta. Para coordenar o look, varie as cores da fita do chapéu combinando com o tom principal da camisa. Ele também pode ser usado para eventos mais elegantes, como casamentos e festas na praia. De todos os modelos, o Panamá de aba média é um dos mais democráticos, funciona desde os rostos ovais e finos aos mais redondos e largos”, explica Álamo Bandeira.

Aba Larga ou Santos Dumont

Trata-se de um modelo ideal para uso diurno e para rostos mais finos e ovais. Protege do sol sem perder a elegância. Pode ser produzido tanto em feltro como em palha”, explica o produtor de moda sobre o modelo.

A opção em palha era conhecida por ser a favorita do inventor Santos Dumont e, por isso, algumas variantes do modelo levam o nome do brasileiro.

Viseira

Muito presente nas fotografias das últimas gerações, as viseiras voltaram com tudo e já tomam um bom espaço nos principais perfis virtuais dedicados à moda. Nesta década, porém, ela se transformou.

“Antigamente, a regra clássica dizia: ‘ao entrar em ambientes fechados, tire o chapéu’. Mas chapéu hoje não tem horário, tem atitude. A viseira esportiva pode sair da praia e acompanhar o look noturno. Para isso, basta escolher tons mais neutros e coordenar uma cor central, como bege ou preto, que dialogue com as outras peças da composição. Por ser uma peça de origem mais esportiva, ela traz um caráter mais informal: evite usar bonés ou viseiras em produções formais”, opina Álamo Bandeira.


Agradecimentos pela produção

Local: Casacor Pernambuco e Ademar Leão, criador do loft Raízes
Produção de Moda: Álamo Bandeira
Assist. de Moda: Sofia Queiroga
Make: Bia Guedes
Modelo: Renato Macêdo
Marcas: Décimo Andar, Ellus, C&A, Rush Praia, Vero Chapelaria

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Publicado por
Victor Augusto

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