Reynaldo Fonseca: Confira nossa última conversa com o mestre da pintura na cor de âmbar

Reynaldo Fonseca: Confira nossa última conversa com o mestre da pintura na cor de âmbar

Dayvison Nunes / JC ImagemData: 15-01-2018Assunto: SOCIEDADE - Entrevista com o pintor Reynaldo Fonseca.

Publicado em Fotografia Galerias 23/07/2019 às 10:00

Atualizado às 9h45 do dia 23 de julho de 2019, em detrimento da morte de Reynaldo Fonseca. A matéria foi publicada, originalmente, em 31 de Janeiro de 2018


Faleceu na manhã desta terça-feira chuvosa Reynaldo Fonseca, mestre da pintura na cor de âmbar. O artista chegou aos 94 anos e estava internado na UTI do Memorial São José. Lúcido, sem filhos, trabalhou e se dedicou integralmente à arte até o fim da vida. Confira a seguir a última entrevista do pintor ao Social1.

Sentado sozinho no sofá de sua cobertura, na rua Setúbal, com um cigarro Hilton na mão, admirando a sua última obra finalizada, Reynaldo Fonseca – aos 93 anos comemorados hoje – é o reflexo do seu trabalho. Focado e perfeccionista, está – ainda – atento a tudo; assim como o olhar de suas personas. Caseiro, cada vez mais, a vida de Reynaldo se limita ao trabalho. “Das 9h às 17h, só parando para almoço. À noite, eu ainda rabisco”, conta o artista que perdeu a quantidade de quadros que já pintou. É metódico: sempre começa igual. “Faço desenhos pequenos – mas na proporção – e, depois, levo para a tela”.

Reynaldo Fonseca Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Fiel ao vinho – no almoço e no jantar – e ao seu cafezinho diário, o artista se vangloriza de sua saúde. “Está uma maravilha para 93 anos. A única coisa é ter que usar bengala”, lamenta Reynaldo que também não abre mão da fisio diária. Não perde uma novela e, atualmente, segue “Tempo de Amar”. Trocou, entretanto, os romances pela assinatura de revistas de arte francesa. “Depois passo para Pedro [Frederico], porque sei que gosta”.

Mirella e Reynaldo Foto Dayvison Nunes / JC Imagem

Amigo também de Lula Cardoso Ayres e Aloysio Magalhães, Reynaldo guarda boas recordações da juventude. “Aprendi muito com Lula e até ajudei-o num mural”. O mestre pernambucano também teve próxima relação com Cândido Portinari – um dos nomes de maior expressão na arte brasileira contemporânea. “Era muito humilde. Me ensinou a lavar o pincel”, recorda da época em que morou no Rio de Janeiro para dar vazão às encomendas da Galeria Boninho e a Ipanema. “Morei dez anos no Rio, mas bateu saudade da família”.

Um dos rabiscos

Atualmente, Reynaldo não aceita encomendas e só pinta o que gosta. “Não existe inspiração. Existe trabalho”,acredita o artista que começou a desenhar aos cinco anos por incentivo de sua mãe. “Ela guardou os meus primeiros rabiscos e até hoje eu os tenho”, avisa. Quase que diariamente lida com falsificação. Artista representado da Galeria Brennand, ele já passou por várias situações de plágio. “Teve uma pessoa conhecida – que não vou citar o nome – que havia comprado um ‘quadro meu baratinho’ e me pediu para autografar”, recorda.

Os esboços Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Avesso aos aniversários, ele faz questão de recordar uma celebração no Rio. “Uns dois ou três amigos fizeram uma festa surpresa e levaram até um cigarro de maconha. Dei uma tragada e achei a pior coisa do mundo. Ninguém gostou”, ri. Hoje, não vai comemorar. “Sempre tem um bolinho. Os amigos mais chegados aparecem.

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Publicado por
Mirella Martins

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