Anitta: a palestra da poderosa

Anitta: a palestra da poderosa

Anitta foi a responsável pela palestra de encerramento de evento de tecnologia e negócios, em São Paulo. Fotos: Divulgação

Publicado em Notas 27/06/2019 às 11:18

A cantora Anitta – ou melhor, a empresária Larissa Machado, foi a atração de encerramento do Universo Totvs, nesta quarta-feira (27). Para uma plateia lotada, a cantora falou sobre sua veia empreendedora (há quem não saiba, mas ela, além de gerir a própria carreira, é consultora e gerencia várias contas de outros artistas) e revelou que, aos 26 anos, está 100% realizada. “Tudo que eu tracei na minha vida desde pequena, eu consegui. Dez vezes mais”. Sobre a carreira de cantora, Anitta revelou: “Não penso em ser cantora durante muito tempo. Depois dos 30 já estou parando”. Cantora, porque empresária… Tá no DNA. Veja alguns dos melhores momentos da conversa:

Diana Rodrigues, da Totvs, comandou o bate-papo com a cantora-empreendedora

Administradora da própria carreira e gestora de uma equipe de mais de 50 pessoas, Anitta trouxe sua experiência como empreendedora para uma plateia lotada e atenta. Ela é sócia de uma empresa de produção e gerenciamento artístico e responsável por produções no ramo da música e do entretenimento. Durante uma hora, ela falou para executivos, empresários e pessoas ligadas ao mundo da TI sobre as experiências que a ajudaram a transformar sua carreira em um fenômeno mundial.

Sonhar e realizar

Anitta chegou ao palco ao som de “Show das Poderosas”,  depois da mediadora, Diana Rodrigues, ler o texto “Startup Anitta”, publicado na revista Exame. À vontade com o público diferente do encontrado nos shows, a cantora falou de sonhos e certezas. “Sempre tive muita certeza das coisas que eu sonho. Para mim, o sonho e a realização andam lado a lado quando você quer que ele vire real. E sonho está muito atrelado com a visão do futuro”, destacou.

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“Eu sempre tive muita certeza do que eu queria da minha vida. Acho que desde que eu nasci. E hoje tudo que vou fazer, já sonho com essa cabeça de que ‘vai ser realizado’. A primeira vez que eu tive contato com a administração foi na adolescência, obrigada pelo meu pai, que disse que fazer “arte” era coisa de rico.

Fiquei três anos estudado, eu detestava, mas era uma boa aluna.

Fiz um estágio na Vale do Rio Doce por um ano, depois eu larguei. Ia ser efetivada, mas desisti para seguir meu sonho de ser cantora.

E nunca imaginei que um dia iria voltar à administração. Eu tinha pessoas que cuidavam da minha carreira, busquei muito por isso, mas ninguém conseguia fazer do jeito que eu queria. E que fosse fazer com amor, dedicação, carinho”. Foi assim que Anitta decidiu tomar as rédeas do seu negócio. E não parou de crescer.

Empoderamento feminino

Anitta falou sobre a responsabilidade de ser mulher em um mercado como o brasileiro. “São diferentes tipos de público e eu tenho que aprender a falar com eles de uma forma geral”. Sobre o mercado da música, a maior barreira de ser mulher veio pela idade e por trabalhar com a sensualidade. “Muitas vezes quando eu ia para uma reunião, as pessoas esperavam algo diferente de como eu me apresentava ali naquele momento”.

Carreira internacional

Engana-se quem pensa que foi apenas sorte. Para Anitta chegar – em relativamente tão pouco tempo – aonde chegou, houve por trás muito suor. “Tive todas as barreiras que você puder imaginar. Hoje em dia, todos estão buscando incessantemente vir para o Brasil, inclusive se eu for para Marte, querem me encontrar. Muitas dessas pessoas que hoje vêm atrás de mim já me falaram ‘é impossível'”.

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Anitta falou sobre o bloqueio que existe aos artistas que não estão naquele ‘círculo’.  “Quando você tenta exportar o seu trabalho, aquelas pessoas que já estão lá tentam fechar o cerco. O que eu fiz foi entrar em contato direto com os artistas, procurei pessoas que também poderiam se beneficiar se a gente fizesse um co-branding. E propus fazer uma troca, ganha lá, ganha cá”.

Anitta conta que até chegar a essa conclusão, foi bem complicado. “Decidi entrar na carreira internacional quando tinha 23 anos e ganhei um prêmio aqui no Brasil. ‘O que mais eu vou fazer da minha vida?’. Procurei, busquei , e muita gente falou que era impossível. Falou para mim que era impossível, eu já quis fazer”, brincou.

Então Anitta conta que, nestas viagens em busca do mercado internacional, marcou várias reuniões com pessoas da indústria. “E foi um fiasco total. Porque essas pessoas vão te aconselhar a fazer um movimento incrível para eles, e não para você. Eu comecei a ver isso e fui para as ruas. Rua mesmo, literalmente. Fui para as boates, casas de show… Numa noite eu cheguei a fazer três shows, em casas de diferentes públicos e poderes aquisitivos. Para ver como era o comportamento das pessoas. E eu fui descobrindo os artistas que no Brasil ninguém sabia quem era, mas nesses locais eram grandes febres.

E eu fui entendendo que esse era meu negócio. Da forma mais informal possível eu iria chegando aonde eu queria”.

Visionária, ela também falou que muitas das coisas que fez até hoje foi baseada em intuição. “Agora, neste exato momento, eu e meu irmão encontramos um parceiro internacional. Mas até agora tudo que a gente fez foi sozinho”.

“Todas as atitudes que eu tomei, as coisas que eu fiz foi pensando na indústria. [Essa projeção] Reverberou bastante no público, mas minha intenção era chegar nas pessoas da industria para ter o mesmo tom de voz para negociar o que fosse bom para a minha carreira. Essas coisas para mim são pensadas. E por dentro eu sei onde eu quero chegar”.

Realização pessoal

“Eu tenho 26 anos. Todas as coisas que eu fiz, eu já considero muito grandes. Eu não imaginava gravar com a Madonna. Daí eu falei: ok, não vou me cobrar mais nada. Eu cheguei aonde eu queria. Eu estou 100% realizada. Tudo que eu tracei na minha vida desde pequena, eu consegui 10 vezes mais”.

Anitta também mostra que não se impressiona facilmente com os números. Recordista de seguidores no Instagram, ela conhece o poder dos números e a responsabilidade que tem com eles. Mas sabe também que a carreira tem fases. “Tem um pico, cai um pouco, o que é natural, para seguir naquela reta. Você tem que saber que neste pico vai atingir um publico que não vai seguir com você para o resto da vida, mas que é importante”.

“Não penso em ser cantora durante muito tempo. Depois dos 30 já estou quase parando”.

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Redes sociais

Perguntada sobre a administração dos seus perfis, ela respondeu: “Já pulei de equipe em equipe e hoje eu decidi que vai ser só uma pessoa escutando meus gritos e fazendo o que eu direcionar”, brincou. “A forma que eu trabalho as redes sociais é sabendo que é um mundo paralelo. Nem sempre o que está ali é o que de fato está acontecendo”, pontuou.

Sobre seu alcance e como vê os números, Anitta afirmou que “um número é um número. Ele não traz informações de credibilidade, de solidez, de consolidação. Ele é importante, mas ao meu ver, ele não traduz 100% do que acontece no mundo real. Procurei amadurecer muito, principalmente depois de tocar o meu negócio e ver como isso impactava no meu público diretamente e mudei. Foi dolorosíssimo, só estou plena e segura agora”.

Ela falava sobre erros.  “Imagina a sua vida… Cada erro da sua vida, se você tivesse milhares de pessoas assistindo esse momento? Foi doloroso pela exposição, mas faz parte da carreira que eu decidi ter”.

Veia empreendedora

Hoje não é novidade para Anitta falar para empresários. Muita gente quer entender o sucesso por trás da cantora. O que talvez muita gente não saiba é que a primeira palestra que ela fez foi justamente em Harvard.

“Eu pensei: porque [estão me convidando]? E responderam: ‘Mas você não é sua empresária, a dona da sua carreira? Então porque não fala disso?’ E foi assim que eu passei a dar consultoria, a fazer plano para outros artistas”, relembrou.

E empreender, entende, não é fácil.  “Acho um herói cada pessoa que tem uma empresa e consegue ter liquidez, consegue ter lucro.  Fazer todos os processos dentro da legalidade, cumprindo tudo que a lei brasileira pede, você tá de parabéns”, destacou, antes de ser aplaudida pela plateia.

Sobre autoestima, Anitta foi enfática: “O próprio brasileiro se subestima e valoriza muito o que é de fora. O Brasil tem muita qualidade, a mão de obra brasileira é muito boa e o povo tem a característica de ser inovador. Só depende realmente da crença do brasileiro nele mesmo”.

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