Os 80 anos de Marcos Vinícios Vilaça na APL

Os 80 anos de Marcos Vinícios Vilaça na APL

Vilaça apagando as velinhas do bolo. Foto Dayvison Nunes/JC Imagem

Publicado em Notas 10/06/2019 às 7:17

Marcos Vinicius Vilaça recebeu os cumprimentos de muitos amigos, nesta segunda (10), na homenagem pelos seus 80 anos preparada pela Academia Pernambucana de Letras, da qual ele é presidente de honra. O ex-presidente da da Academia Brasileira de Letras chegou acompanhado pelos filhos, Taciana e Rodrigo, e dos netos Vinícios e josé. Natural de Nazaré da Mata, recebeu uma gola de maracatu, de presente do atual prefeito da sua cidade natal, Nino, e ainda ganhou um retrato em xilogravura, de J. Borges, que não pode comparecer ao evento.

O Quarteto de Clarinetes Sopros de Pernambuco executou para o aniversariante e os convidados um miniconcerto, de Luiz Gonzaga à “Suíte Pernambucana de Bolso”, de Maestro Duda. O Coral do Colégio Santa Maria também se apresentou. Foram cinco canções. Interessante é que os pequenos também usaram as libras durante as músicas.

Coube ao amigo e acadêmico José Paulo Cavalcanti fazer a saudação inicial, mas antes a colega de chá das cinco, Marly Mota, registrou seus laços com o homenageado num texto cheio de emoção e nostalgia. “Como prestar homenagem a Vilaça? Professor da faculdade de direito. Conhecido de Moçambique a Helsinque; presidente do TCU; 182 condecorações e medalhas, além de dezenas de honrarias estrangeiras, 76 livros publicados; 15 livros no estrangeiro. E Náutico, como todas as pessoas inteligentes são!”, enalteceu e brincou o jurista e escritor José Paulo Cavalcanti Filho, na sua fala, que terminou parafraseando Mia Couto: “A vida é um prematuro sonho. Só morre quem nunca viveu”.

Na sequência, o ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) fez seu discurso de agradecimento, num tom nostálgico, de reflexão sobre a vida. “Aos 80, não sou mais nem palco nem plateia. Eu não queria a festa e ia fazer uma besteira danada, mas como negar a Margarida Cantarelli [presidente da APL]?” “Estou comovidíssimo, mas está faltando alguém. Onde há vida há morte”, disse, em referência à mulher, Maria do Carmo Vilaça, que faleceu em 2015, e ao filho Marcantônio, que morreu em 2000,  e a netinha Vitória, também já no outro plano. “Preciso dar sentido à vida pelos anos que me resta. Não sei se há tempo”, completou.

A tarde/noite também foi de registros.  Vilaça ainda recordou seu amigo mais antigo, Roberto Cavalcanti Albuquerque, trouxe detalhes de todo o mundo que conheceu (“até Antártica”) e refletiu sobre o fato de ser filho único, e as consequências: “Filho único fala só. Educação lúcida dos pais não me socializou. Na verdade, sou um chato. Sei disso. E meus netos também sabem”.

E continuou: “Vinicius de Moraes fala que é preciso acabar com minha tristeza. Como poder com a internet que liberou o mundo aos idiotas? Quero fazer um pedido: envolvam-se na pernambucanidade. Todos invejam isso de nós”. Sobre o orgulho de ser pernambucano, o acadêmico contou que, nas quatro vezes em que esteve à frente da ABL, “falava de Pernambuco o tempo todo. Não devemos consentir na fragilização de Pernambuco. Temos que zelar por Pernambuco. Imortal, imortal, como diz o hino”. Para terminar, leu a música Trem-Bala, de Ana Vilela, que tornou-se uma espécie de mantra de vida.

Estiveram por lá Maria Lecticia Cavalcanti, Do Carmo Monteiro, Maria Helena e Neném Brennand, João Lyra e Leila Queiroz, Gilberto Freyre Neto, Antonio Campos, Lourdes e Renata Brennand, André Campos…

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Publicado por
Mirella Martins

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