Lindebergue faz crítica bem-humorada em “Eu não sou seu lixo”

Lindebergue faz crítica bem-humorada em “Eu não sou seu lixo”

A modelo Amanda Brolese no desfile "Eu não sou seu lixo", de Lindebergue, no DFB 2019 - Foto: Roberta Braga e Chico Gomes / Divulgação

Publicado em Galerias Moda 20/05/2019 às 7:09

Fortaleza – Há umas boas edições que o desfile mais esperado de todo Dragão Fashion Brasil (desde 2015 DFB Festival) é o de Lindebergue Fernandes. É que o estilista cearense mostra, a cada desfile-espetáculo, que moda é mais do que roupa; moda é, sobretudo, comportamento e expressão. Portanto, cai muitíssimo bem vestir uma moda politizada. E assim Lindebergue faz sempre muito bem.

“Eu não sou seu lixo” (nome que batiza a coleção apresentada na sexta, 17, tirada da música do recifense Johnny Hooker) é uma crítica de Lili, como ele é chamado no meio, à forma como o povo brasileiro tem sido tratado pelo Governo Federal.

Se com tanto pano pra manga no noticiário político brasileiro a gente esperava um protesto duro, explícito ou didático, Lindebergue surpreendeu ao botar os modelos para rirem de si mesmos, ao mesmo tempo em que deixam que os outros (nós) riamos deles… sendo que eles eram os que estavam diante de um pit lotado de fotógrafos e de luzes, desfilando na passarela, como num (auto)deboche resistente ou até uma provocação.

A roupa flerta com o lixo, quase que literalmente, no ponto em que dá sobrevida a tecidos que iriam para… o lixo. E flerta com um lixo mais simbólico ao deitar e rolar em modelagens dos anos 80, agora em desuso. As joias, da designer piauiense Maihara Brandão, foram feitas a partir de um garimpo de pratas diversas e objetos antigos ou quebrados ou abandonados ou com um pé no lixo; quase uma quinquilharia, mas joias.

A maquiagem e o cabelo propositadamente “bregas” e a trilha sonora de Ronaldo Rosedá, que incluiu “Marrom Glacê”, tema de novela homônima, e “A Última Moda” (“Você sabe/ você sabe/ Qual é a última moda da terra?”), da novela “Plumas e Paetês”, ambas dos anos 80 – assim como “Brega e Chique”, que se lia numa camiseta (na foto acima) – soaram também como uma crítica ao nosso fascínio pela tal da última moda; do costume de buscar uma tendência que chega atropelando outra que já havia superado uma anterior, e por aí vai; enquanto a gente vai produzindo… lixo.

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*Repórter viajou a convite do DFB Festival

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Publicado por
Romero Rafael

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