Em seu primeiro desfile, Vitor Cunha surpreende com jangadeiro moderno

Em seu primeiro desfile, Vitor Cunha surpreende com jangadeiro moderno

Vitor Cunha apresentou a coleção "Mar Interior" no DFB 2019 - Foto; Roberta Braga e Chico Gomes / Divulgação

Publicado em Galerias Moda 17/05/2019 às 12:37

Fortaleza – Técnico em vestuário, estudante de design de moda, o jovem cearense Vitor Cunha, de 20 anos, fez um dos desfiles mais bonitos (senão o mais) da noite de quarta (15) do 20º Dragão Fashion Brasil, o DFB Festival, que neste ano se mudou para o Aterro da Praia de Iracema. A coleção dele, “Mar Interior”, é uma ode ao Litoral cearense e à figura do jangadeiro.

Vitor Cunha começou o desfile com um tom nude, remetendo ao cru de roupas comumente usadas, sobretudo, pelos pescadores do passado. Como quem entra no mar, a coleção vai migrando para um azul marítimo; depois, já águas adentro, chega a um verde, até pular para um laranja que nem o pôr do sol e as falésias da praia de Canoa Quebrada (Aracati-CE). A barra da calça do jangadeiro, molhada, e a posta do sol, feita de uma escala de tons, levaram Vitor a tingir tecidos em degradês, numa panela caseira, com corante Tupy.

A rede de pesca também serviu de inspiração para trabalhos lindos em macramê (de diversos jeitos de nó) e crochê. Há macramê compondo alças de macaquitos, por exemplo, e em acessórios, como bolsas, cintos e sandálias desejáveis (essas, da marca cearense @aureainspira). Além de sobreposições que enriqueceram o desfile como se fossem fragmentos de redes. Uma bermuda de crochê e degradê de azul destaca-se como uma peça autoral e, ao mesmo tempo, com alto potencial comercial.

Jangadeiro

Conceitualmente, “Mar Interior” traz à tona uma história dos anos 40, no Estado Novo de Getúlio Vargas, quando quatro jangadeiros cearenses – Jacaré, Jerônimo, Manoel Preto e Tatá – da Colônia Z-1, no atual Porto do Mucuripe, foram ao mar com destino ao Rio para denunciar ao presidente a precariedade do trabalho e reivindicar direitos mais tarde conquistados. À época, essa odisseia cearense seduziu o cineasta americano Orson Welles, que refez o trajeto com os quatro jangadeiros para o documentário “It’s all true”. A viagem, no entanto, culminou na morte de Jacaré, numa tempestade em mares cariocas. O doc, abandonado por Welles devido ao infortúnio, esteve por anos perdido, até ser redescoberto e exibido a partir de 1990.

Veja galeria

Confira mais sobre o evento nos Highlights do @blogsocial1 no Instagram.

LEIA TAMBÉM:

DFB Festival (ex-Dragão Fashion) se muda para a Praia de Iracema, com megaestrutura e acesso livre

*Repórter viajou a convite do DFB Festival

Compartilhe
Publicado por
Romero Rafael

Comentários
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com