JC: cem anos muito bem comemorados

JC: cem anos muito bem comemorados
Publicado em Notas 2/04/2019 às 10:56

Um dos sentimentos mais belos é de pai com orgulho do filho. Aquele olhar despretensioso, sem querer nada em troca. Apenas coração preenchido. Olhos marejados. Às vezes, com explicação – mas também pode ser sem. Esse era o sentimento de João Carlos Paes Mendonça, na noite de ontem, no auditório do SJCC. Bastante cumprimentado e felicitado, o empresário sergipano do ramo de varejo, que resolveu apostar num jornal deficitário, há 30 anos, teve êxito. Aquele “então devaneio” realizou-se como uma potência de informação – com seus múltiplos canais –, líder de mercado e, agora, tendo chegado à marca dos cem anos. Olhar seu João Carlos naquele hall recebendo pessoas, abraçando, agradecendo… um momento gratificante.

Ter um jornal centenário no Nordeste do País, em plena atividade, moderno, multiplataforma e independente é, mesmo, gratificante. “Falar de jornalismo é tratar do livre acesso à informação e da capacidade de dar voz às reivindicações da sociedade. É, acima de tudo, exercer a democracia”, disse ele, no seu discurso.  Para o governador Paulo Câmara (PSB), o jornal é de suma importância na vida dos pernambucanos por ser fonte de episódios da história do Brasil. “É essencial. São vozes que ecoam.”

Mas a efeméride foi uma celebração para além dos pernambucanos, com vários donos de jornais do Brasil: João Roberto Marinho (O Globo), Chiquinho Mesquita (Estadão), Jayme Sirotsky (RBS), Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Neto (A Gazeta) e ACM Júnior e Renata Magalhães (Correio). Fizeram questão de comparecer e acompanhar a solenidade. “Momento de união”, disse Sirotsky, fundador de um dos maiores grupos de comunidade do Sul do Brasil. A prestigiada noite contou, ainda, com a presença de vários diretores de redação dos maiores jornais do País, políticos e empresários. O clima era o melhor de todos, com uma troca e comunhão gostosa de se testemunhar…

Cem anos não são cem dias…
O ex-ministro do STF Ayres Britto – agora professor de Direito Constitucional e consultor jurídico – era uma das figuras mais festejadas. Foi ele o palestrante da noite. De voz tranquila, o jurista fundamentou, desde a Constituição Brasileira de 1988, o combo liberdade de imprensa e democracia. “São irmãs siamesas. Juntas formam um cordão umbilical que não pode ser cortado”, começou o seu discurso.

Ayres Britto, por sinal, foi o relator da ação que sepultou a Lei da Imprensa oriunda do regime militar. Sabia muito bem o que estava falando. “Trata-se da vitória do reconhecimento da liberdade de imprensa como direito fundamental superlativo, pleno e inviolável”, disse.

O jurista apresentou várias citações e comentou o momento em que vive o País: “Dias de incompreensões generalizadas”. Citou Leonardo Boff para justificar: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”. Confessou ser um eterno otimista “já que a propositividade sempre busca saídas”. E acredita que a solução está na Constituição. “É preciso afastar essa má vontade com ela”, brincou o sergipano.

Para terminar, João Carlos destacou: “Não fizemos tudo o que sonhamos, mas fizemos mais do que nem mesmo imaginávamos. A notícia sempre vai existir. E, novamente, vamos nos basear na credibilidade para seguir em frente. Acreditamos no futuro da informação. E vamos seguir cada vez mais integrados dentro de uma dinâmica multiplataforma, dando projeção e sendo – SEMPRE – a voz de todos os pernambucanos. Ainda há caminhos a percorrer”.

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Publicado por
Mirella Martins

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