Biotecido da mesma bactéria da kombucha é uma das inovações para a moda

Biotecido da mesma bactéria da kombucha é uma das inovações para a moda

Modelo veste peça da Movin, feita com o biotecido texticel, da Biotecam, no Brasil Eco Fashion Week - Foto: Agência Fotosite

Publicado em Moda Sustentabilidade 20/01/2019 às 2:03

Como produzem as acetobactérias… Esse grupo de bactérias, que já nos dava o vinagre, subiu o degrau e nos deu a kombucha (bebida probiótica a partir da fermentação de chá, que tá em alta), e agora também dão tecido; no caso, biotecido. Chama-se texticel e é desenvolvido pela empresa carioca de biotecnologia Biotecam. A matéria-prima, que se beneficia do selo vegano, já rendeu produtos curiosos, como vestido, bolsa e cabedal de sapato, para experimentações de moda, e esteve entre os destaques de inovação do Inspiramais 2020_I, Salão de Design e Inovações de Materiais da América Latina, que fez edição nos dias 15 e 16 deste mês de janeiro, em São Paulo. Isso quer dizer que o biotecido está a vapor para entrar numa escala de produção.

Se você já preparou a kombucha, bebeu ou pesquisou sobre a bebida, sabe que há um corpo sólido, chamado de “scoby”, sigla em inglês para “cultura simbiótica de bactérias e leveduras”, na tradução para o português. Pois bem, o biotecido é justamente o scoby. “Só que a gente, em laboratório, cria condições de cultivo para ter uma alta produtividade desse material [o scoby, que é o tal material sintetizado pelas bactéria], e não do líquido”, explica Hugo Mendes, engenheiro da Biotecam.

A produção do texticel demora um mês, sendo três semanas de cultivo e uma para secar e finalizar, quando aplica-se um produto para dar maleabilidade. “Quando a gente colhe, fica uma capa de celulose de uns 5 cm, pesando entre 2 e 3 kg, mas 99% disso é água. No final, fica um biotecido de 120 g”, conta Hugo Mendes, explicando que a Biotecam produz em recipientes de 30 cm x 50 cm, mas que poderia ser maior, sendo possível até numa piscina, o que exigiria um processo mecanizado, com elevador para a “colheita”, visto que, antes de secar, pesa. Em termo de estética, pode-se considerar que parece um tipo de couro.

Modelos com peças da Movin, feitas com o biotecido texticel, da Biotecam, no Brasil Eco Fashion Week – Fotos: Agência Fotosite

Já desfilado no Brasil Eco Fashion Week, o texticel deverá estar em bolsas da Flying to the Sun, uma startup carioca focada em inovação e projetos ecológicos e de economia circular. No uso, o biotecido pode ser tratado como qualquer tecido; mas pode ressacar – que nem o couro. “Por ser biodegradável, muita gente acha que vai se desfazer, mas não é isso. A composição dele lembra papel, apesar de diferir em como as tramas são feitas, e papel não de desfaz do nada, é só ter cuidado. Agora, se pegar um tecido desse e botar na natureza, em um ano ele vai ser decomposto”, deixa claro.

Cabedal com o biotecido texticel, criado pela designer Liz Unikowski – Foto: reprodução de @biotecam_biotecidos

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* Repórter viajou a convite da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), que realiza o Inspiramais

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Publicado por
Romero Rafael

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