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14/11/18
A pacata Touros, com o Farol do Calcanhar e coqueiral ao fundo. Fotos: Gustavo Belarmino/NE10
A pacata Touros, com o Farol do Calcanhar e coqueiral ao fundo. Fotos: Gustavo Belarmino/NE10

O gostoso Litoral Norte potiguar

Publicado por Gustavo Belarmino em Turismo às 12:48

Na “esquina do Brasil” – ou mais precisamente onde nasce a BR-101 que liga o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul – fica o município de Touros que, junto a São Miguel do Gostoso, despontam como novos destinos da costa nordestina. Atrações naturais – em contraste com a pequena oferta de infraestrutura urbana, se comparado com outras praias potiguares – não faltam. E é justamente esse ar de vila de pescadores escondida em um rincão ainda pouco explorado que tem, ano a ano, atraído a atenção de turistas e mudado a geografia e economia locais.

Areia branquinha e mar azul. Touros e São Miguel do Gostoso vêm atraindo turistas

Mirante: acima da rocha, é possível contemplar a praia de Touros

O Social1 visitou a região e traz, neste post, imagens e informações que podem fazer do destino a sua próxima rota. A cerca de 1h30 do aeroporto de Natal – em direção ao Litoral Norte -, fica o município de Touros, batizado com este nome, segundo guias locais, devido a uma formação rochosa à beira-mar que de longe lembra a cabeça do animal. A rocha forma um belo mirante, de onde dá para observar ao longe o Farol do Calcanhar – batizado com este nome por ficar justamente no ponto considerado como esquina no País, ponto mais próximo do nosso continente com a África.

Farol do Calcanhar – o segundo mais alto do Brasil – perdeu o lugar para o Ceará

Talvez essa proximidade tenha feito de Touros o “primeiro ponto descoberto no Brasil”, ganhando o posto da Bahia e de Gaibu (com Vincente Pinzón, aqui em Pernambuco). Títulos à parte, pouco dessa história de colonização foi preservado, salvo canhões que comprovam a presença armada do passado na localidade. Estes canhões ficam em frente à igreja da cidade, Bom Jesus dos Navegantes, que data de 1.800. O santuário, aliás, vira palco de um dos mais concorridos eventos da região, ao lado do Carnaval, a Festa do Bom Jesus, com direito a procissão e buscada no mar, quando os pescadores retiram a imagem do altar e a colocam em um barco. A festa começa em dezembro e segue até janeiro.

Santuário dos Navegantes, em Touros, data de 1800

Os canhões coloniais, encontrados na praia de Touros – resquícios do passado

O ideal para conhecer estes pontos turísticos – parte da cidade e também a orla passando pelas vilas de pescadores, falésias e formação de dunas, é alugar um buggy. A associação local – que está se reestruturando com a chegada de mais turistas – faz passeios por grupos de até 4 pessoas a partir de R$ 290 por veículo. Na aventura ‘vento-no-rosto’ é possível percorrer a cidade, passar pela frente das casas de veraneio – que ficam lotadas em época de alta estação -, ver a rotina dos pescadores e suas bucólicas jangadas e até presenciar uma pesca de rede de arrasto (ou arrastão), quando pescadores, mulheres e crianças param para capturar os peixes que vêm presos à rede.

Por ali, em alguns momentos, parece que a hora não passa. Aproveite para relaxar ao sol em um dos muitos trechos desabitados e contemplar as formações rochosas no mar baixo. O passeio de buggy ainda passa por entre caminhos de terra batida, ocre, em contraste com as areias branquíssimas da praia. Na vegetação é possível observar cactos e muitos pés de caju – além de algumas frutinhas nativas da região e comestíveis (como a Guajiru… que lembra um jambo).

A frutinha típica parecida com o jambo é uma das espécies da vegetação local

O passeio segue até um destino curioso. O início da BR-101, o KM-0. São 4.765 km que vão até o Rio Grande do Sul. As fotos por ali são obrigatórias. No Marco Zero, dois arcos de Oscar Niemayer são tombados – através dele é possível contemplar o coqueiral e o mar azul ao longe. Hoje estão precisando de um pouco mais de cuidado.

 

GOSTOSO É ESTAR LÁ

Neste mesmo dia, seguimos com destino ao município de São Miguel do Gostoso – vizinho, mas não tão perto. No caminho, visita imperdível é a Urca do Tubarão. Misto de cachaçaria, restaurante e pousada, conhecida pela peculiaridade do seu proprietário. Um professor de química que ama andar de bicicleta e nunca viajou de avião. Mas que guarda, ali mesmo, na sua “urca” uma bagagem inestimável de conhecimento e – cacarecos. Seu Edson Nobre, Ministro da Cachaça, mostra todo o seu acervo que vão de secadores de cabelo, celulares tijolão, a moedas de “Gostoso” (uma moeda de verdade, impressa na casa da moeda e com circulação local). Tem também a radiola “que funciona” e vários LPs colados na parede como background. “Todos ali foram meus funcionários”, comenta. Mostra de Fafá de Belém a Gilberto Gil, contando causos fictícios que arrancam, senão curiosidade, um belo sorriso dos turistas.

Para vender sua cachaça usa uma técnica muito adaptada aos nossos tempos. Explica todo o processo de envasamento do líquido “em um minuto”. Suficiente para postar no feed do Instagram. Esperto ele. Nesse passo a passo, seu Edson mostra desde a hora que sai o líquido até o envasamento. Tudo automatizado. Só que não. Diversão na certa. No espaço também há vários vasinhos e elementos bem “pinterest”. Veja na galeria alguns dos momentos na Urca do Tubarão.

Dá para ver a partir das falésias ou escolher um lugar na areia para sentar e contemplar. Onde o sol se despede é possível ver também um gigantesco parque eólico que, com boa vontade, parecem cataventos e complementam a paisagem.

Formação rochosa na praia de Tourinhos, em São Miguel do Gostoso

Formação rochosa na praia de Tourinhos, em São Miguel do Gostoso

E, enfim, o dia vai se despedindo. E a parada de muitos turistas é na praia de Tourinhos, em São Miguel do Gostoso. É de lá um dos espetáculos do pôr-do-sol mais bonitos da região.

Pôr-do-sol em Tourinhos, São Miguel do Gostoso. Presta atenção nas turbinas eólicas ao fundo

Na volta, uma das pedidas é parar para comprar castanha de caju e experimentar uma das pimentas – misericórdia! – fortes do lugar. Tem castanhas in natura, com sal, sem, com leite condensado e doce com pimenta – que acompanham bem uma cervejinha, segundo a simpática atendente da loja. Simpatia, aliás, é uma qualidade imaterial que faz toda diferença na experiência de quem escolhe o destino como ponto de parada. É difícil não se encantar com o jeito e cortesia locais.


INVESTIMENTO

Diante de tanta beleza natural, o Litoral Norte Potiguar tem atraído olhares dos investidores. A rede portuguesa Vila Galé, que tem vários resorts no País, inclusive em Pernambuco, no Cabo de Santo Agostinho, escolheu o município de Touros para instalar o maior resort all inclusive do Estado. A estrutura, montada em 113 mil metros quadrados, foi inaugurada há pouco mais de dois meses, com investimentos de R$ 150 milhões, e empregando 300 colaboradores diretos – 80% deles mão de obra local – e 1.200 indiretos.

 

* O jornalista Gustavo Belarmino viajou a convite do Vila Galé Touros. Veja mais no Stories 



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