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06/09/18
Delícias da culinária árabe no Rihan - Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem
Delícias da culinária árabe no Rihan - Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Restaurante no Cordeiro difunde a culinária árabe no Recife

Publicado por Romero Rafael em Galerias às 11:15

A especialidade do Rihan, restaurante de cozinha árabe aberto há menos de dois anos no Cordeiro, está no cardápio, claro, mas também naqueles que o fazem: Caio Rihan, 29 anos, arquiteto; e Tiago Moreira, 29, técnico de segurança do trabalho. O primeiro, baiano de Itabuna, procurava no Recife – onde vive desde 2013 – um quibe frito igual ao que era feito pela avó materna. O segundo, baiano de Paulo Afonso, buscava uma nova ocupação quando chegou à capital pernambucana, em 2016. O encontro dos dois deu numa sociedade de interesses complementares.

A frustração na procura levou Caio à cozinha. Deixou a Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural, da Prefeitura do Recife, para vasculhar o caderno de receitas da família. De tal patrimônio, restaurou, logo, o quibe – herança deixada pela bisavó materna, a brasileira Elvira, que aprendera com a sogra, no Líbano, de onde era o marido, Jamil Rihan, lá nos anos 1920.

Tudo começou com o quibe, crocante por fora e com recheio generoso – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

A receita do prato árabe é fiel à tradição dos Rihan: massa de carne e triguilho, recheada com mais carne – no caso, um patinho magérrimo –, que chega à mesa sequinho, como se não tivesse encostado no óleo. O segredo são as cinco moagens por que passa a massa da crosta; homogênea o suficiente a não sugar o líquido que a gente tanto evita.

Inicialmente preparado para fornecer outros endereços – como o Central e o Meio do Mundo, clientes até hoje –, os quibes fizeram tal sucesso que foi preciso crescer. Daí veio a sociedade com Tiago; e depois, a casa-restaurante.

Os sócios da casa, Tiago Moreira e Caio Rihan – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Se o sabor da cozinha da avó foi a força motriz para a virada de Caio, o labor na cozinha sempre comoveu Tiago. Recorda que, desde criança, observava as mulheres da família cozinhando: um gatilho para a paixão que começou como hobby. Hoje, os dois se dividem na cozinha do Rihan. E o cardápio é resultado tanto do resgate das receitas da família – num trabalho que envolve a mãe de Caio, Cláudia – quanto de pesquisas.

O quibe (são mais de 700, por mês) e a esfiha fechada (recheada com coalhada e carne), ambos garimpados da família, estão no topo dos pedidos. Para acompanhar, nenhuma outra bebida sai mais do que a limonada libanesa – esta, fruto de pesquisa, leva limonada, hortelã e água de flor de laranjeira.

A esfiha fechada, recheada com coalhada e carne, é outro hit do restaurante –  Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

O pão sírio é produzido na casa, sob fermentação natural. Vai na entrada, acompanhando babaganoush, coalhada seca, hummus e uma minissalada fatouche; é também servido com a kafta (de carne bovina, carneiro ou frango) e ainda envolve o shawarma, sanduíche recheado com alface, tomate, cebola, pepino, rabanete, repolho-roxo, molho à base de tahine e ainda carne bovina, carneiro, frango ou falafel. A coalhada e o tahine, pasta de gergelim tostado, também são de fabricação própria. E parte dos alimentos – o máximo possível – é de origem orgânica.

Entrada com pão sírio, hummus, coalhada seca, babaganoush e minissalada fatouche – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

A casa

Transformada em restaurante, a casa, no Cordeiro, é parte da proposta despretensiosa dos dois jovens sócios. “A gente também quer marcar território na Zona Oeste, que é tão escassa de restaurantes”, adiciona Caio Rihan. A cozinha e o ambiente sintonizam a gente ao que há de mais essencial na cultura gastronômica: a paixão pela comida. Apenas ela, sem firulas e com muita vontade.

SERVIÇO:
Rua Dona Antônia Bezerra, 69, Cordeiro
Fone: 3019-2843
Funciona de quinta a domingo, das 18h às 23h



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