“Meu trabalho é trazer a mulher negra para protagonizar peças artísticas”, diz il.li, artista negra que expõe na Fenearte

“Meu trabalho é trazer a mulher negra para protagonizar peças artísticas”, diz il.li, artista negra que expõe na Fenearte

Íldima Lima, a artista visual il.li - Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Publicado em Notas 13/07/2018 às 8:30

Há menos de um ano que il.li põe sua arte para fora. Na vitrine da Fenearte, pela primeira vez, ela tem ganhado admiradoras: desde a artista visual Joana Lira, que se encantou pela beleza das pinturas em aquarela, a meninas negras, que nem ela, entusiasmadas com a arte em que se veem. “A grande tônica do meu trabalho é trazer a mulher negra para protagonizar as peças artísticas”, diz il.li, que fora desse circuito atende por Íldima Lima, uma baiana radicada no Recife há seis anos.

Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

A artista relata que uma visitante chorou ao se reconhecer num dos seus trabalhos: uma mulher negra de cabelo curto. Outra vez, uma criança soltou, animada: “Aqui tá cheio de cacheadas!”. “Isso, pra mim, é o apogeu do meu trabalho. É isso que eu quero! Tenho um caminho longo de técnica, mas elas chegarem e se verem já é a nota 10 da escola de samba”, confessa il.li, com graça.

Obra do meio fez visitante chorar por se reconhecer no desenho – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

“A gente está vivendo um momento muito positivo de reforçar a beleza da mulher negra através da estética, o audiovisual tem feito algumas correções históricas, mas na arte ainda falta, tanto como criadora quanto como objeto artístico, despido dos estereótipos”, avalia sobre o seu papel.

Mais da obra de il.li – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Quilombolas

Outro estande de protagonismo da mulher negra na Fenearte 2018 é o das Quilombolas de São Lourenço, povoado do município de Goiana, na Região Metropolitana do Recife. A partir de conhecimento rendeiro de suas anciãs e de inspiração advinda do trabalho como marisqueiras, elas entrelaçam conchas de mariscos em fios que formam tramas semelhantes a redes. “É um trabalho sofisticado, bem acabado e bonito na cor. As peças passam a alegria e o aconchego delas, são muito femininas e de um uso que super ornamenta no vestuário”, conta a artista Joana Lira, que sente força e energia nas peças.

Dayvison Nunes / JC Imagem

Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

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Publicado por
Romero Rafael

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