O garimpo de Joana Lira na Fenearte

O garimpo de Joana Lira na Fenearte

Joana Lira na Fenearte - Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Publicado em Artes 13/07/2018 às 8:00

Joana Lira percorreu a Fenearte, a convite do Social1, num garimpo de peças do jeito que gosta: elegantes, de boa qualidade e bom acabamento. Pelos corredores da feira, que segue até domingo (15), a designer e artista visual reencontrou o artesão piauiense Ribamar das Santinhas, a quem comprou um São Jorge na 1ª edição da Fenearte, há 19 anos; encantou-se novamente com os móbiles de meriti do Pará, que nem o que ganhou no nascimento do primeiro filho; ainda revisitou as Quilombolas de São Lourenço, com seus colares desejáveis, e conheceu il.li, artista baiana radicada no Recife que dá a mulher negra protagonismo na arte. Por esses achados e outros, acompanhe nosso tour e o garimpo de Joana Lira:

1 – A fantasia na obra de Mestre Cunha (PE)

As “máquinas humanizadas” de Mestre Cunha – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Eu acho incrível o trabalho dele, porque é superlúdico, fantasioso… uma viagem! Conheci através do meu pai [o arquiteto e colecionador de arte popular Carlos Augusto Lira] e sempre me chamou muita atenção por transformar a máquina, o carro, o avião, em animais, como um aeroplano que é um pássaro… Ele humaniza a máquina, na minha concepção. E mesmo as peças pequenas têm a pegada da brincadeira, têm um humor atrelado.

J.L.

2 – A elegância da escultura de Márcio Lira (PE)

Obra de Márcio Lira em madeira – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

É um trabalho muito delicado… Ele interfere na madeira – óbvio, porque esculpe -, mas a deixa próxima ao natural, com os veios e as imperfeições. Na verdade, ele tira proveito disso e cria, por exemplo, um cenário com aves que estão pousadas em galhos como ele achou. Só deu um tratamento. Há sensibilidade na composição e elegância ao esculpir. Os desenhos são simplificados e elegantes.

J.L.

3 – A sofisticação das Quilombolas de São Lourenço (PE)

Colar enche os olhos de beleza – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Elas usam conchas, búzios, um fio que parece rede, e variam muito bem. É um trabalho sofisticado, bem acabado e bonito na cor. As peças passam a alegria e o aconchego delas, são superfemininas e de um uso que ornamenta bastante no vestuário.

J.L.

4 – A técnica de Lorane Barreto (PE)

Medalhas com símbolos dos orixás – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

É incrível a técnica da ‘canabarro’ – a tinta dela é o melaço da cana, com que ela faz serigrafia na cerâmica. É rústico, elegante e com originalidade. É um trabalho gráfico muito bem elaborado, as peças e as formas são lindíssimas, além de que as impressões, os símbolos, os significados e o conceito em que ela mergulha são muito ricos. Realmente me impressionou demais!

J.L.

5 – As mulheres negras de il.li (PE)

Aquarelas de Íldima Lima, artista baiana radicada no Recife há seis anos – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Pra mim o trabalho dela foi uma grande descoberta. Principalmente, as aquarelas, que são superlindas. Foi uma surpresa, um bom encontro; diria um encontro Fenearte.

J.L.

LEIA TAMBÉM: “Meu trabalho é trazer a mulher negra para protagonizar peças artísticas”, diz il.li, artista negra que expõe na Fenearte

6 – A personalidade da Vitalina (PE)

Sandálias de couro em releituras – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Acho lindo o resgate que eles fazem – a sandália de couro tanto revisitada quanto em modelos realmente tradicionais, mas em cores diversificadas. Há personalidade, por ser um calçado da nossa cultura, de couro, tendo o sertanejo como base, mas com vários desdobramentos, e também há uma preocupação com o conforto.

J.L.

7 – A religiosidade de Ribamar das Santinhas (PI)

As santinhas no estande do Piauí – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Na minha primeira Fenearte, eu comprei um São Jorge a seu Ribamar, mas não lembrava onde é que tinha comprado. Agora, 19 anos depois, eu vim aqui e identifiquei o trabalho dele, pelas cores e a obsessão que ele tem por São Jorge, por quem eu sou apaixonada; é o meu ritual de proteção na minha casa.

J.L.

8 – Os móbiles de Síria e Ivan Leal (PA)

Móbiles feitos de meriti, no estande do Pará – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Quando meu primeiro filho nasceu [Joaquim, 12 anos], meu pai presenteou com um móbile desse, com esses passarinhos coloridos. É um arte linda do Pará, cheia de vida, feita de meriti, material de uma palmeira, que é bem leve. E foi muito significativo pra mim e para o meu filho.

J.L.

9 – O colorido dos Fulni-ô (PE)

Colares pendurados no estande da tribo Fulni-ô – Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Meu fascínio por essa arte de miçangas nesses colares é a representação da natureza, dos animais, que é superbonita, com cores vivas e um trabalho delicado, de continhas.

J.L.

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Publicado por
Romero Rafael

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