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04/05/18
Chico Buarque na turnê
Chico Buarque na turnê "Caravanas", em show no Recife - Foto: Felipe Souto Maior / Divulgação

Chico Buarque, político e sempre elegante

Publicado por Romero Rafael em Galerias às 18:57

Depois do preço (salgado) do ingresso, a expectativa por algum protesto político foi o assunto que orbitou a temporada de Chico Buarque no Teatro Guararapes, na turnê recifense de Caravanas – estreada na quinta-feira (3), com sessões até o domingo (6). Na noite que abriu, a maioria da plateia – que tinha as cinco últimas fileiras vazias, enquanto cambistas, lá fora, sobravam – cantou “Olê, olê, olá, Lula…”. Chico, que não esconde de ninguém seu apoio ao ex-presidente, aderiu à manifestação com sorriso e palmas, sem verbalizar, provavelmente em respeito a quem, ali, pensava diferente. Foi quando, então, numa iluminação vermelha, retomou o show cantando Geni e o Zepelim. Em verdade, a obra de Chico já é a sua manifestação política.

Ao fim da apresentação, terminada num segundo bis com Paratodos (O meu pai era paulista/ meu avô pernambucano…), o público ainda ensaiou uma nova saudação ao ex-presidente Lula. Um grupo até levantou uma faixa de apoio com “Lula Livre”. E todos deixaram o teatro em aparente harmonia, ignoradas as diferenças políticas, ainda bem.

Repertório

Chico Buarque começou a noite com Minha Embaixada Chegou (de Assis Valente, mesma música com que ele corta para o bis). Com ela, parece dizer “estou aqui”, soando tanto como anúncio da sua volta aos palcos, seis anos depois da vez anterior, quanto como resposta às agressões que sofreu por intolerância política. Seguiu com Mambembe “No palco, na praça, no circo, num banco de jardim/ correndo no escuro, pichado no muro/ você vai saber de mim) e Partido Alto (Na barriga da miséria/ nasci brasileiro).

Na primeira noite, Todo o Sentimento foi o momento de maior introspecção; enquanto Homenagem ao Malandro (que cutuca: “Malandro candidato a malandro federal), As Vitrines, Sabiá, Gota D’Água e Futuros Amantes levaram o público à euforia e a gritos como “eu te amo”.

Dueto, Tua Cantiga e As Caravanas, do último álbum, mostraram força na boca do povo. Já perto do bis, de chapéu e ensaiando samba no pé, Chico dedicou a turnê a Wilson das Neves, baterista que não dispensava o acessório, falecido em agosto de 2017; é quando canta Grande Hotel, parceria dos dois.

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