Outubro Rosa: “Não é só o câncer, é a mudança de vida”, compartilha Juliana

Outubro Rosa: “Não é só o câncer, é a mudança de vida”, compartilha Juliana

Foto: Dayvison Nunes/ JC Imagem

Publicado em Instant Article 31/10/2017 às 6:29

Para encerrar o Outubro Rosa, de prevenção ao câncer de mama e conscientização, o Social1 conversou com a jornalista Juliana Chaves, que recebeu diagnóstico da doença no ano passado e, a partir de então, redescobriu-se como mulher, mãe e pessoa.

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A história de Juliana com o câncer de mama não é tão recente. Aos 15 anos, ela perdeu sua mãe devido à doença. Com a genética propícia, a jornalista começou a fazer exame de mamografia aos 35 anos, justamente para prevenir uma descoberta tardia. Em 2016, um dia antes de viajar para uma temporada fora do País, ela descobriu algumas calcificações, que são alterações metabólicas celulares levando a deposição de sais. Nada sério. Falou com a sua mastologista e foi liberada para a viagem. Ao voltar, refez o exame e descobriu o câncer.

Foto: JC Imagem

A descoberta do câncer foi um desafio. Juliana abriu o exame ao lado do filho mais velho, que na época tinha quatro anos. No momento, com medo do que estava por vir, ela começou a chorar e foi acalmada pelo pequeno. “Meu filho é bem sensitivo e disse assim: ‘mãe, quando você chegar em casa descansa e toma um remédio para dor de cabeça’. Ele nunca tinha me visto daquele jeito”, relembra. “Mãe, vai passar, você não diz que tudo passa?”, recordou, ainda sobre a reação do filho.

Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Dali em diante, tudo aconteceu rápido: em uma semana ela já estava em São Paulo para a cirurgia. Mãe de dois filhos pequenos, uma menina de 2 anos e um menino de 4, ela só tinha medo de abandoná-los ainda jovem. “A única coisa que eu orei foi para não morrer cedo porque perdi minha mãe aos 15 anos. E eu sei como foi ruim pra mim”, conta. Apesar do medo, a recuperação foi rápida: em 10 dias ela já havia voltado para o Recife.

Rotina

Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Na volta, Juliana precisava tomar uma decisão em relação ao tratamento: optar pela quimioterapia, radioterapia ou hormonoterapia. Apesar de toda a ajuda, ela sabia que a decisão estava em suas mãos. Escolheu as três opções e, além disso, começou a mudar os seus hábitos e a sua vida.”Não é só o câncer, é a mudança de vida. Você tem que mudar rápido. Eu entrei para a terapia porque sabia que tinha que arrumar minha vida”, ressalta.

Mudança

Com todas as complicações da doença, a jornalista afirma que conseguiu perceber toda a ajuda que tinha ao seu dispor, tanto dos amigos como da família. Seus quatro irmãos acompanharam a sua cirurgia em São Paulo, revezando-se no hospital para não deixá-la sozinha. Com isso, ela começou a repensar os seus relacionamentos e até mesmo o seu lugar no mundo. “Hoje eu tenho analisado mais as relações, até porque eu quero novos amigos. Eu saí do câncer e percebi que o que vale da vida é o relacionamento”.

“Eu perguntei: ‘se eu morresse hoje, o que valeria pra mim?’ e eu vi que não eram coisas. Não era o carro. Eu vou lembrar dos amigos que eu amava e não convivi ou de um nascer do sol que eu não fui por preguiça de acordar. Ou na quebra da rotina que eu não fiz porque tinha que ter aquela rotina. Eu não posso sair daqui sem ter feito tudo o que Deus queria que eu fizesse”, defende. “Hoje eu estou no processo de viver a vida mais leve.”

Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Com a mudança, Juliana aproveitou para concretizar alguns sonhos e destruir os medos. A volta para a advocacia foi representativa, nesse sentido. “Eu tinha medo porque não tinha experiência. Agora eu digo: ‘por que eu não vou e crio experiência?’ Você começa a ver a vida de forma menos burocrática, com menos obstáculos. Mais leve. Você tenta, pelo menos”, continua.

“Eu não queria viver em função do câncer”

Durante o tratamento, Juliana tinha um objetivo: não deixar que a doença protagonizasse sua vida. “Eu não queria viver em função disso. Eu já pensava o tempo todo. Você está com tanto medo, que as outras coisas ficam tão pequenas. Mas eu não queria isso. Eu tinha uma certeza: que eu queria ser feliz no tratamento. Não queria perder tempo nem durante os procedimentos”, destaca. “O povo dizia para mim: ‘nem parece que você está fazendo quimioterapia’. Eu tentei manter a rotina com os meus filhos”, completa.

Foto: Dayvison Nunes / JC Imagem

Mas Juliana passou por alguns momentos delicados. A perda do cabelo devido à quimioterapia foi um deles. Não por ela, mas pelo seu filho que não entendia o momento.”Eu expliquei que estava com uma doença séria e que teria que fazer uma cirurgia. Mamãe vai e mamãe volta. Eu conversei com ele tudo o que eu iria passar. Falei da perda de cabelo. Na hora ele falou ‘mãe, não existe mulher sem cabelo’ e aí eu expliquei que existia e que elas estavam de perucas”, relembra. “Eu filmei a perda de cabelo. Raspei a cabeça do meu marido também. E foi um dia até divertido, fiz quando os meninos não estavam aqui e liguei para avisar que eu estaria careca”.

Agora, ainda em tratamento, ela busca uma mudança de comportamento e pensamento. “Eu estou tentando arranjar a vida de forma mais equilibrada. É meio que arranjar a vida na contramão da sociedade, hoje em dia. Saber o que eu quero, saber os meus sonhos e a minha importância. Tentando viver e sentir mais as coisas, apesar das sobrecargas da vida”, destaca. “A melhor coisa que eu faço é o convite para voltar a si mesmo. E é o que eu tenho feito”, finaliza.

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Publicado por
Mirella Martins

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