Lázaro Ramos lança autobiografia e reflete sobre racismo

Lázaro Ramos lança autobiografia e reflete sobre racismo

Lázaro Ramos - Foto: reprodução

Publicado em Famosos 2/06/2017 às 2:14

Aos 38 anos, Lázaro Ramos vai lançar sua autobiografia. Será no próximo mês, durante a feira literária mais importante do País, a Flip, em Paraty, no Rio de Janeiro. Em ‘Na Minha Pele‘, o ator descreve detalhes de sua intimidade – primeira transa, morte trágica e precoce da mãe, relacionamento com o pai, entre outros -, o que sente e o que pensa sobre o racismo e a capacidade de transformar suas experiências em munição para lutar contra o preconceito.

Em entrevista à revista Marie Claire, Lázaro falou sobre o lançamento literário. Além do livro, neste semestre, o baiano passa a comandar um novo programa de variedades, todo domingo, na Globo, e ainda vai dirigir dois documentários – um deles com os bastidores de O Topo da Montanha, espetáculo na qual divide o palco com a mulher, Taís Araújo.

Lázaro Ramos e Taís Araújo / Foto: Julian Hilal

Na autobiografia, o ator conta como ‘descobriu” o preconceito, ainda criança, quando visitava sua mãe, Célia, na casa onde trabalhava como doméstica, na Bahia. “Eu brincava com os netos da patroa, mas era sempre lembrado pela família de que não fazia parte dali”, diz. “Uma vez, todas as crianças foram brincar na cama da avó. Ela não gostou. ‘Tá fazendo o quê aí, menino?’, perguntou, ríspida, para mim”, descreve.

Ser estrela de televisão não fez Lázaro escapar do racismo enfrentado por todos os negros. O ator já foi confundido com um ladrão. “A mulher não entendeu por que fiquei tão ofendido com a ‘confusão’”, conta.

Confira trechos da entrevista:

Sobre primeira vez

“Com minha primeira namorada, aos 17 anos. Não sabia se chupava as partes íntimas dela ou se aquilo era asqueroso. Após perder a virgindade, fugi dela por um mês. Foi um pouco traumatizante, mas, depois, fiquei viciado. Queria todo dia, toda hora”, contou.

Sobre o pai

“Sempre foi calado, meio sisudo. (…) Eu, ao contrário, falo muito “eu te amo” para meus filhos. Meu pai não fazia isso, mas, há uns seis anos, ele e eu tivemos pela primeira vez uma briga e, no meio da discussão, ele soltou: “Você nunca me abraça”. Foi lindo. Só consegui responder: “Você queria abraço? Nem sabia que você gostava de abraço!”. Chorei demais e o enchi de abraço”, confidenciou.

Sobre a mãe

“Tinha um jeito de falar encantador e era muito bonita! (…) Ela sempre me emociona e me sinto meio perdido quando falo dela. Morreu jovem, de uma doença rara [paraparesia espástica]… Foi perdendo os movimentos, usou muleta, cadeira de rodas, até ficar na cama. Mas sorria. Nunca demonstrava raiva. Minha mãe é uma incógnita: como uma pessoa pode oferecer tanta coisa boa vivendo numa situação tão precária?”, revelou.

 

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Publicado por
Anneliese Pires

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