A noite para reverenciar Francisco Brennand

A noite para reverenciar Francisco Brennand

Zé Cláudio e Francisco Brennand. Foto Dayvison Nunes / JC ImagemData: 23-11-2016Assunto: SOCIEDADE - Exposição Francisco Brennand.

Publicado em Cobertura Galerias 23/11/2016 às 10:46

Todo mundo sabe que a Várzea é Francisco Brennand. E Brennand é a Várzea. É lá, na sua oficina, em que o maior artista plástico pernambucano contemporâneo vive, respira, produz, convive… Ele não gosta muito de sair de casa, muito menos, de viajar. Aos 89 anos, a pessoa pode se dar o direito a certos luxos.  Mesmo quando se tem uma vernissagem com 20 quadros. Tudo inédito. Tudo pintado esse ano, ou seja, fresco; novo. Se ele não fosse, estaria perdoado. Suas obras são extensões do seu ser. Seus traços plagiam sua personalidade, mas ele foi. Sim, estava lá.

Altivo, lúcido e ativo. Francisco Brennand estava sentadinho, na cadeira de sempre, na sua galeria, em Boa Viagem. Com seus tradicionais suspensórios e sua inseparável bengala. Um entra-e-sai de gente vislumbrando, comentando e analisando. Ele só admirava. Olhando, quieto. Não me aguento, pergunto: “Fica ainda nervoso?”. Ele me olha nos olhos e responde sereno: “Nada”. Emendo outra tentativa: “Gosta de ouvir impressões? Como lidar com as críticas?”.  Ouvi um suave: “tudo isso é retórica, minha querida”. O fiel amigo, Zé Cláudio, ao seu lado, brinca:  “Os quadros de Brenannd é uma discussão viva”. E iniciamos uma linda dialética e vários personagens. Fomos de Picasso a Euclides da Cunha. Não mensuro se foi cinco ou 20 minutos. Parecia uma eternidade pela intensidade, fervor e paixão.

Isso é Francisco.

A noite era isso.

“De” Francisco, “para” Francisco.

Compartilhe
Publicado por
Mirella Martins

Comentários
WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com