A Marianne, o que é de Marianne

Publicado em Notas 4/08/2015 às 10:30
A Marianne, o que é de Marianne

Salve Marianne Peretti, a mulher que Brasília vê todos os dias mas não conhece

Marianne Peretti/Fotos: Dayvison Nunes/JC Imagem

Marianne Peretti/Fotos: Dayvison Nunes/JC Imagem

Marianne Peretti, a mulher que Brasília vê todos os dias mas não conhece, terá livro sobre sua vida e obra – A ousadia da invenção – lançado nesta terça (4), às 19h, na Caixa Cultural. A publicação é a 2ª empreitada [já há uma exposição e é filmado um documentário] com vista a dar a artista franco-brasileira o reconhecimento que lhe é devido.

As obras de Marianne, 88 anos, não estão só em Brasília, como o início deste texto pode sugerir – há também noutras cidades do País, como o Recife, e noutros países -, mas são dela trabalhos considerados patrimônios nacionais, como os vitrais da Catedral de Brasília e obras espalhadas pela Capital Federal: Câmara, Senado, STJ, Memorial JK, Palácio do Jaburu…

Numa ida à Brasília, Tactiana Braga, Laurindo Pontes e o francês Yves Lo-Pinto Serra, trio que briga pelo nome de Marianne, ficaram impressionados ao ouvirem guias turísticos apresentando as obras da artista sem a ela se referirem. Quando até Oscar Niemeyer a elogiou: “Uma artista que compreende o sentido das artes. É uma artista de excepcional talento”.

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Posso chamá-la de você?
Mas é claro.

Marianne, quando você olha para tudo o que já fez, o que enxerga?
Eu enxergo muito trabalho [risos]. Não é?

E com quais olhos? São diferentes?
É lógico, porque é um olhar diferente, quando você vê de novo. São outros olhos. Aí você vê bem: se é bom, se tem defeito, se você devia ter feito alguma coisa diferente…

Você é perfeccionista?
Sou.

Encontra muita coisa?
Nem tanto. Acho que muitas coisas eu consegui.

O que a arte trouxe para a sua vida?
É minha vida!

Seus vitrais têm sido chamados de “vitrais dos trópicos” por causa da presença da luz… Para você, o que significa a luz?
É essencial.

Mas porque você a persegue?
Eu adoro o sol. Um dia em que não tem sol eu sofro.

Talvez por isso tenha se adaptado tão bem ao Brasil…
Sim, mas eu sou meio brasileira – meu pai era pernambucano. Eu fui criada e educada na França, mas eu vim ao Brasil ainda muito jovem e gostei muito do verde, dos jardins…

Imagino que Olinda, então, seja seu lugar ideal [a casa de Marianne é um sítio na Cidade Alta].
Olinda é maravilhosa…

O que Olinda agregou ao seu trabalho?
Um monte de coisa. Primeiro eu reformei essa casa, que era uma miséria quando eu comprei, e me instalei com o ateliê no jardim. Estou muito contente.

Há quantos anos?
Ah, isso não me pergunte. Não são dez anos, é muito mais, mas quanto, exatamente, eu não lembro. Não lembro de números. Tem gente que sabe tudo. Bom para elas, mas…

Sobre o reconhecimento que lhe falta…
Gostaria.

Acha que o fato de ser mulher…
Claro! O brasileiro é machista. O que realmente complica as coisas. Se eu fosse um homem, acho que eu estaria num lugar melhor. Não é?

Certamente.
Está vendo. Você tem a mesma ideia e é homem… Os americanos lá do Norte não têm isso, porque tem muitas mulheres que são um monte de coisas lá e são badaladas. Na França eles são um pouquinho [machistas] também. Eu acho.

Pegando emprestado o título do livro – A ousadia da invenção –, qual sua maior ousadia como artista?
[Pausa] Difícil, não? Mas a minha maior ousadia foi fazer as coisas lá de Brasília. A catedral, um negócio enorme, de 30m de altura com 10m de base, com uns triângulos… Um negócio terrível, fisicamente. Eu estava esgotada. O governo me dava hotel com comida, mas quando eu chegava, me jogava no sofá e dormia. Não tinha nem força para telefonar para o restaurante mandar a comida.

Sobre Oscar Niemeyer, quando se viram?
Ele foi duas vezes ver o desenho. Só. E disse: continue [risos].

Assista:

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Publicado por
Romero Rafael

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