Um ano sem Ariano Suassuna – Francisco Brennand e J. Borges relembram o amigo

Publicado em Notas 23/07/2015 às 11:00
Um ano sem Ariano Suassuna – Francisco Brennand e J. Borges relembram o amigo
ariano

Registro de Ariano em sua última aula espetáculo, no Festival de Inverno de Garanhuns de 2014

Completa-se nesta quinta-feira (23) um ano da partida de Ariano Suassuna. O Social1 reaviva o mestre armorial por meio de dois de seus grandes amigos, o artista plástico Francisco Brennand e o xilogravurista J. Borges – curiosamente, o erudito e o popular, a ponte por que atravessa a obra de Ariano.

“Para mim, Ariano está vivo”

Brennand, em entrevista ao blog, meses depois da morte do amigo, declarou: “Para mim, Ariano continua vivo”. É que, em 1982, o autor de Auto da Compadecida declarou, num ritual de imortalidade, que ele mais Brennand, Cesar Leal e José Laurindo de Melo – quatro amigos muito próximos – nunca morreriam. A amizade de Brennand com Ariano começou no Colégio Oswaldo Cruz, em 1945. Ariano conquistou Francisco com seus conhecimentos de pintura. E Francisco agradou Ariano com suas leituras sobre literatura. “No dia 4 de fevereiro de 1993, Ariano Suassuna acompanhado de seu filho, Dantas, esteve aqui na fábrica…”, leu Brennand, no diário, entrecortando a entrevista e ilustrando a proximidade deles. Assista:

“Foi ele quem botou meu nome lá pra cima”

Numa visita do blog a J. Borges, no seu ateliê em Bezerros, a tarde lenta e preguiçosa foi animada pelas histórias dos dois – sobretudo quando se encontravam pelos hotéis, nos eventos de cultura e literatura, País afora. “Eu considerava ele meu padrinho. Foi ele quem botou meu nome lá pra cima. Quando ele me viu trabalhar, ficou entusiasmado e disse que eu era o melhor do Nordeste. Eu fui produzindo mais e ele disse que eu era o melhor do Brasil. Depois, lá em 2008 ou 2010, ele esteve aqui, andou por esses cômodos todos, foi lá e veio cá, e disse: ‘Borges, você é o melhor do mundo’. Aí eu disse: ‘Ariano, você agora pirou, não sabe dizer mais nada”, contou, acabando-se de rir.

Borges destacou, ainda, a simplicidade de Ariano, transparente no seu interesse pelo popular. Relatou que num dia na casa dele, no Recife, após almoçar e conversar muito, quis ir embora e foi impedido. Ariano teria dito: “Borges, conversar com você é uma aula. Eu nasci e me criei dentro de colégio. Depois fui para a faculdade, me formei e terminei sendo professor. Meu vocabulário é o científico e o seu é o que eu gosto, que é o popular, do Agreste e do Sertão; o linguajar do cordel. Quando você fala eu aprendo, aqui e acolá, uma palavra que eu não sabia”.

J. Borges no seu ateliê, em Bezerros/Foto: Dayvison Nunes/JC Imagem

J. Borges no seu ateliê, em Bezerros/Foto: Dayvison Nunes/JC Imagem

Na Pedra do Reino

Será celebrada domingo (26), às 8h, a Missa de Um Ano de Encantamento do Imperador da Pedra do Reino, em São José do Belmonte. O padre da cidade, Claudivan Santos, presidirá a liturgia com poesia e cantoria, de poetas, violeiros e repentistas da cidade sertaneja, mais bacamarteiros, banda de pífanos e o canto do Coral do Sítio Campos, Quem promove é a Associação Cultural Pedra do Reino.

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Publicado por
Romero Rafael

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