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29/01/20
O objetivo é diminuir a criminalidade, mas existem questionamentos quanto a eficácia da tecnologia. Foto: Pixabay
O objetivo é diminuir a criminalidade, mas existem questionamentos quanto a eficácia da tecnologia. Foto: Pixabay

Reconhecimento facial em tempo real será realidade em Londres

29 / jan
Publicado por Manuela Figueredo em CIÊNCIA às 11:22

Na última sexta-feira (24), a Polícia Metropolitana de Londres informou que vai implementar câmeras e tecnologia de reconhecimento facial em tempo real na cidade. A nova ferramenta já estava sendo utilizada em testes pela polícia desde 2016.

Segundo o site RTP, o comissário responsável pela supervisão do sistema, Nick Ephgrave, declarou que as câmaras vão estar localizadas em áreas específicas, onde as pesquisas realizadas indicaram ser as zonas mais perigosas e existe uma maior probabilidade de localizar suspeitos. Para isso, vão existir listas de procurados, conectada a uma base de dados e compostas por fotografias, que o sistema vai tentar localizar. Caso as câmeras reconheçam alguém nessa lista, gerará um alerta para que um policial aborde a situação.

As câmeras serão sinalizadas cobrindo uma “área pequena e direcionada” e os policiais distribuirão folhetos sobre a digitalização do reconhecimento facial”, informou o Met, de acordo com o site BBC. Elas também serão usadas de cinco a seis horas por vez, com listas personalizadas de suspeitos procurados por crimes graves e violentos, elaboradas a cada vez. Todas as imagens que não motivarem um alerta de potencial suspeito serão, segundo a polícia, “imediatamente apagadas”.

O propósito do investimento nessa nova tecnologia é auxiliar no enfrentamento de crimes graves e, por sua vez, a reduzir a criminalidade no país. De acordo com a polícia, a instalação será feita de modo transparente, com conversas com as comunidades e primeiro em lugares “onde a inteligência sugere que é mais provável localizar criminosos”.

Câmera de vigilância. Foto: Pixabay

Contraponto

Em efervescência, o reconhecimento facial também apresenta um outro lado da moeda. Embora já seja utilizado em larga escala, com aplicações em aeroportos, segurança nas fronteiras, bancos, lojas comerciais, escolas e até tecnologia pessoal, com o desbloqueio de smartphones, estudos têm mostrados resultados que questionam a precisão e os acertos dessa ferramenta.

Uma pesquisa feita pela Universidade de Essex, em julho de 2019, revelou que o reconhecimento facial utilizado pela Polícia Metropolitana de Londres possui 81% de chance de falhar. A tecnologia deveria identificar suspeitos de crimes, mas acertou apenas em 8 vezes dos 42 testes realizados. Nos restantes, o reconhecimento facial identificou pessoas que não faziam parte da lista de suspeitos.

Outra pesquisa, essa feita pelo governo dos EUA, em dezembro de 2019, chegou à conclusão de que esse sistema pode produzir resultados extremamente imprecisos, especialmente para não-brancos, como divulgou a AFP. O estudo de dezenas de algoritmos de reconhecimento facial mostrou taxas de “falso positivo” para asiáticos e afro-americanos até 100 vezes mais altos do que para brancos. Além disso, também descobriram que dois algoritmos atribuíam o sexo errado às mulheres negras quase 35% das vezes.

A diretora do Big Brother Watch, Ailkie Carlo, afirma que “esta decisão representa uma enorme expansão do estado de vigilância e uma séria ameaça às liberdades civis no Reino Unido”. Além dela, a diretora de defesa do National Council for Civil Liberties, Clare Collier, acredita que “a tecnologia de reconhecimento facial dá ao Estado um poder sem precedentes para rastrear e monitorizar qualquer um de nós, destruindo a nossa privacidade e a nossa liberdade de expressão”.

Enquanto isso, segundo a BBC, Nick Ephgrave afirma que a polícia tem “o dever” de usar novas tecnologias para manter as pessoas seguras. “Todos nós queremos viver e trabalhar em uma cidade segura: o público espera, com razão, que usemos uma tecnologia amplamente disponível para impedir criminosos”, afirmou. “Tenho que ter certeza de que temos as salvaguardas e a transparência adequadas para garantir a proteção da privacidade e dos direitos humanos das pessoas. Acredito que nossa implantação cuidadosa e considerada do reconhecimento facial ao vivo atinja esse equilíbrio”.

 


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