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13/01/20
O aplicativo utiliza Inteligência Artificial (IA) para identificar, por meio da voz, possíveis agressões contra vítimas de violência doméstica - Foto: Pixabay
O aplicativo utiliza Inteligência Artificial (IA) para identificar, por meio da voz, possíveis agressões contra vítimas de violência doméstica - Foto: Pixabay

Hear: aplicativo criado por pernambucano identifica violência doméstica por meio de Inteligência Artificial

13 / jan
Publicado por Larissa Lira em Aplicativos às 17:43

Segundo o Ministério da Saúde, a cada quatro minutos uma mulher é agredida no Brasil. Infelizmente, essa é a realidade de muitas e foi a da mãe do gerente de desenvolvimento de softwares Lincon Ademir. Ele cresceu vendo as frequentes agressões que sua mãe sofria e com o desejo de fazer a diferença na vida dessas mulheres. Assim, em 2018, esboçou um aplicativo que utiliza Inteligência Artificial (IA) para identificar, por meio da voz, possíveis agressões contra vítimas de violência doméstica.

Lincon Ademir é o idealizador do aplicativo

A construção da plataforma ‘Hear’ – uma sigla para “Helping Everyone to Actively React” (ajudando todos a reagir ativamente, em tradução livre) faz parte do mestrado profissional de Licom no Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar). A equipe de 28 pesquisadores engajados no aplicativo é coordenado pela orientadora Ana Paula Furtado, professora de pós-graduação da Cesar School (Escola de Inovação da Cesar) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

 

Como funciona o app?

O aplicativo utiliza a Inteligência Artificial para fazer reconhecimento de voz. Quando o app é instalado no celular e o cadastramento é feito, ele começa a captar, mesmo offline, o som ambiente. Assim, identifica qualquer alteração na voz da vítima ou pedido de socorro.

A forma de identificar a agressão por meio da voz também surgiu de um caso real. “Estava vendo uma matéria em que uma mulher gritou por socorro por quatro horas e ninguém a ajudou. Com o aplicativo, o ‘socorro’ é acionado de forma automática”, relata Licom.

Socorro é uma das palavras-chaves que indicam o ato de violência no app, mas ele também funciona decodificando os níveis emocionais na voz, por meio de análise dos sentimentos. Quando algo é identificado pelo Hear e considerado uma possível agressão ou pedido de ajuda, o alerta passa por análise e assim é acionado uma rede de mulheres cadastradas na plataforma, que estiverem mais próximas ao local da ocorrência, para que possam prestar ajuda à vítima, se for o caso, e chamar as autoridades.

Privacidade

Por funcionar offline, o aplicativo capta todo e qualquer tipo de som. No entanto, ele só notifica quando identifica alterações ou palavras-chaves. “A escuta telefônica já é algo real. Percebemos isso nas propagandas que surgem ‘magicamente’ quando falamos ou conversamos sobre o que queremos comprar. Assim, só usamos uma tecnologia já existente em prol da segurança da mulher, que muitas vezes sequer é socorrida quando pede ajuda que nesse momento é crucial, pois pode impedir que a vítima se torne mais uma mulher nas estatísticas de feminicídio no país”, explica Ana Paula.

Lincon e a sua coordenadora Ana Paula Furtado

Só em 2018, em Pernambuco, 85 mulheres foram mortas vítimas de feminicídio. O pior é que esse número ainda pode aumentar, já que das 241 mortes femininas, contabilizadas pelo projeto #UmaPorUma ao longo do ano, apenas quatro tiveram um desfecho, com a condenação dos acusados.

Conheça o projeto #UmaPorUma

Lançamento

A plataforma deve ser lançada gratuitamente para o público em fevereiro de 2020 e conta não só com o aplicativo de celular, mas também com a versão desktop. Até então ele é um projeto sem fins lucrativos e sem apoio de instituições governamentais.

Em dezembro, o aplicativo foi um dos cinco projetos finalistas do EU-Brazil Innovation Pitch 2019, seminário organizado pela Euraxess Brasil, Confap e Enrich in Brazil. O programa tem como objetivo fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de soluções inovadoras para problemas sociais e recebeu mais de 80 projetos em sua edição brasileira.


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