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27/11/13

App para avaliar homens “Lulu” cria polêmica

27 / nov
Publicado por Letícia Saturnino em Destaque às 13:04

Aplicativo tem mais de 1 milhão de usuárias nos EUA. Foto: Divulgação
Aplicativo tem mais de 1 milhão de usuárias nos EUA. Foto: Divulgação

Lançado no Brasil há pouco mais de uma semana, o app Lulu tem sido assunto de milhares de conversas exaltadas, online e offline, nos últimos dias. Está por fora e não entende a razão da polêmica? É que o aplicativo, criado pela jamaicana Alexandra Chong, reúne avaliações das mulheres sobre seus amigos do Facebook, indo desde o humor à performance sexual do rapaz.

O app tem mais de 1 milhão de usuárias nos Estados Unidos, onde foi lançado em fevereiro. No Brasil, segundo país a receber uma versão localizada do aplicativo, ele já chegou à posição de número 1 na App Store na categoria redes sociais, além de estar em destaque no Google Play.

O funcionamento do Lulu é simples: você baixa o app, permite que ele se conecte ao seu perfil do Facebook (a criadora garante que a privacidade das usuárias é totalmente protegida e que o aplicativo não publica nada no seu nome) e visualiza seus amigos da rede social. É possível encontrar uma pessoa específica clicando no ícone de lupa na parte superior da tela, ou ainda escolher a opção “Encontre garotos” e filtrar a busca de acordo com critérios como “Bombando no Lulu”, “Os bons de cama”, “Os mais confiáveis” e “Os mais engraçados”.

Selecione um dos seus amigos do Facebook para avaliá-lo. Foto: Divulgação
Selecione um dos seus amigos do Facebook para avaliá-lo. Foto: Divulgação

Para avaliar alguém, basta acessar o perfil do rapaz e escolher a opção “Avalie ele anonimamente”. Na primeira tela, você deve definir o tipo de relacionamento que tem com a pessoa: “Ex-namorado”, “Estou a fim”, “Juntos”, “Já fiquei”, “Amigo” ou “Parente”.

Em seguida, é hora de avaliar o garoto em relação a diferentes aspectos: humor, educação, ambição, compromisso e aparência. Não é possível escrever nada; a avaliação acontece na forma de um quiz, como os de revistas femininas, em que você escolhe entre várias opções apresentadas.

A última etapa é a mais curiosa: a usuária deve escolher hashtags para qualificar o rapaz de forma positiva e negativa. Entre as opções, estão os engraçados #CurteRomeroBritto, #ObcecadoPorStarWars, #TocaVuvuzela, #PerfeitoParaAMinhaIrmã, #SabeEscrever, #Aparadinho e #HeInventedSex.

Uma das etapas inclui a escolha de hashtags para definir o rapaz. Foto: Divulgação
Uma das etapas inclui a escolha de hashtags para definir o rapaz. Foto: Divulgação

Nos últimos dias, o Lulu tem apresentado problemas para conectar-se ao Facebook – passo indispensável para seu funcionamento -, mas mesmo quem nunca usou o aplicativo tem opiniões sobre ele.

A estudante Bruna Caribé, 24 anos, observa que o app parte de uma prática que acontece na “vida real”, offline, entre grupos de amigas. “Muitas mulheres, quando se interessam por alguém, querem saber o máximo possível sobre o cara”, diz. Ainda assim, ela tem suas ressalvas quanto ao aplicativo: “Acho a ideia engraçada, mas a execução falha, já que não respeita o direito do outro de entrar na brincadeira ou não. Também acho o uso de notas ruim, porque cria uma espécie de competição entre os homens”, afirma.

Já a analista de sistemas Renata Gusmão, 24, é totalmente contra o aplicativo, porque acredita que os comentários, sejam eles positivos ou negativos, tomam uma proporção muito maior que no mundo offline: “A informação fica acessível pra um grupo bem mais amplo que suas amigas próximas. Isso resume as pessoas às opiniões que os outros têm delas e as trata como produtos”, argumenta.

Muitos homens também estão incomodados com o app, e já está até sendo desenvolvida uma versão para o sexo oposto: o app Tubby, que deve estar disponível em breve no Google Play e na App Store e usa o slogan “Sua vez de descobrir se ela é boa de cama”.

Para o engenheiro civil Daniel Melo, 23, o Lulu é “abusivo e invasivo”. Ele afirma que o problema não é o que possam falar dele, e sim o princípio por trás do aplicativo. “Eu espero que alguém consiga um mandato judicial pra tirar isso da rede. Porque se isso passar, pode ter certeza de que ainda virão apps muito piores por aí”, diz.

O designer Ráian de Andrade, 25, se diz contra o aplicativo, mas acredita que os homens deviam se estressar menos com a novidade. “É como Xico Sá disse numa crônica: ‘calma, meu rapaz, é só um banheiro ampliado’. Eu acho que a mediocridade de quem usa é a mesma da de quem faz isso no banheiro, saca? Já acontece. Leve na boa assim como sempre se fez”, opina.

Ainda assim, ele observa que em vez de alimentar um “espírito de vingança” (com o uso de uma versão masculina como o Tubby, por exemplo), o Lulu deveria servir para inspirar reflexão: “Acho que agora o lance de ser um objeto atingiu os homens e gerou a insatisfação, só que isso acontece com as mulheres desde sempre. Seria bom se houvesse alguma reflexão sobre isso por parte dos homens”, diz.

Se você, homem, não gostou nada da novidade e quer retirar seu perfil do aplicativo, não se desespere. É possível fazê-lo acessando esta página e clicando em “Remove my profile now” e depois“Yes, remove my profile”.


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