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20/07/13

Dale Stephens: Aprendizagem é importante, mas devemos mudar o modo de aprender

20 / jul
Publicado por Agence France-Presse em Campus Party Recife às 18:17

O norte-americano Dale Stephens trouxe à Campus Party Recife a visão do Uncollege, projeto que defende a "não universidade"
O norte-americano Dale Stephens trouxe à Campus Party Recife a visão do Uncollege, projeto que defende a “não universidade”

No último dia de atividades da Campus Party Recife, o norte-americano Dale Stephens apareceu como um dos destaques do palco principal. Sua palestra trouxe a origem e desenvolvimento do projeto Uncollege, que defende que o aprendizado deve acontecer de forma independente, sem se render ao método tradicional das universidades.

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Idealizado pelo jovem quando ainda tinha 19 anos, o Uncollege foi fruto de um projeto ainda mais antigo. “Quando eu tinha 12 anos, falei para meus pais que queria ter uma conversa séria. Disse a eles que não iria mais à escola. Eles não ficaram muito animados, por acreditarem no valor da educação formal. Mas acreditaram em mim o suficiente para permitirem que eu tomasse as minhas próprias decisões”, lembra Stephens.

Para ele, deixar a escola provocou a primeira sensação de que era possível aprender a qualquer momento. O método adotado para se educar passou a ser o Unschooling, através do qual a própria pessoa se educa, diferentemente do método do Homeschooling, em que professores ensinam a domicílio. “Aprendi sem professores, provas, campainha de intervalos, nem curriculo. Foi a concretização da meta-aprendizagem, uma auto-avaliação que pude construir ao lado de pessoas que também compartilhavam a escolha de não se submeter ao ensino tradicional das escolas”, pontuou.

Mas uma ironia marcou a trajetória de Dale: ele conseguiu um emprego na startup Zinch, que tem o propósito de ajudar as pessoas a ingressarem na universidade. Há seis anos fora do sistema educacional, o jovem acabou por também ser aceito em uma universidade.

“Foi aí que comecei a pensar que a lógica do Unschooling poderia ser levada à universidade. Vindo de um ambiente com pessoas interessadas em aprender, vi nos corredores daquela instituição uma maioria que não sabia o porquê de estar ali. Isso não criava um ambiente coesivo, e a minha frustração fez com que eu só ficasse na universidade por pouco mais de um semestre”, avalia.

Com a experiência, Stephens notou dois problemas pontuais às universidades: o alto custo – o centro de ensino onde ele chegou a estudar custava ao estudante 45 mil dólares ao ano – e a ausência do método de meta-aprendizagem, por ele defendido. Estimulado a desenvolver o Uncollege, ele começou também a produzir seu livro, “Hacking Your Education”.

Aprender a aprender

“Entrevistei pessoas que não eram nem gênios, superdotados, tampouco privilegiados. Eram pessoas que chegavam a ser preguiçosas, até. Se juntássemos todas elas em uma sala de aula, parecia algo que não se encaixava. Então com base nesse levantamento, tive a ideia de encabeçar um projeto que ajudasse a ‘aprender a aprender’. Em setembro, ele será posto em prática. Se chama Gap Year: três pessoas vão passar três meses no processo de meta-aprendizagem, três meses viajando, três meses em intercâmbio, e mais três meses desenvolvendo projetos criativos”, explicou.

A experiência é, para ele, uma amostra de que aprender exige uma auto-direção, processo que deve se tornar independente dos métodos tradicionais. “Podemos formatar o futuro, participar dele. Acho que a Campus Party é um exemplo perfeito do que eu defendo: vocês estão vivendo o conhecimento”, finalizou.


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