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Barra de Guabiraba: Riqueza embaixo da terra e aventura em cima.

07 / mar
Publicado por Leonardo Vasconcelos às 10:00

A tranquila Barra de Guabiraba, a 130 km do Recife, no Agreste de Pernambuco, é conhecida como a “Terra das Águas Subterrâneas”, por ser abastecida por um dos maiores lençois freáticos do Estado. Mas você sabe que calmaria não é o forte do #blogmochileo que sempre procura aventuras nos locais e achou uma no pequeno município de aproximadamente 14 mil habitantes. Trata-se de uma trilha de 10 km que começa em um antigo engenho e termina em uma linda corredeira com várias quedas d’água.

 

 

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A “trilha das corredeiras” foi aberta e batizada há dois anos pela agência D’Trilhas que desde então vem levando turistas para um dia de imersão na natureza e história de Pernambuco. “Nós temos um carinho todo especial pela cidade porque foi aqui que a nossa agência montou o primeiro passeio. Um lugar lindo com um grande potencial que a gente se apaixonou assim que chegou e viu que valia muito a pena as pessoas conhecerem. Ainda mais nesses tempos de pandemia em que todos necessitam de paz e ar puro”, afirmou Djair Pedro, um dos sócios da agência.

 

 

 

Antes da trilha, o grupo faz exercícios de alongamento e recebe orientações técnicas de segurança. Quando o percuso de 10 quilômetros se inicia a paisagem vai mudando com as ruinas do engenho e sua chaminé preservada ficando para trás e dando lugar para os vários mirantes naturais da Serra do Rosário, entre eles o ponto mais alto do município a 750 metros acima do nível do mar. No caminho, uma grande árvore chama a atenção por se apresentar partida ao meio devido a dois raios que teriam caído nela, segundo contam.

 

 

Depois se chega até uma área de mata atlântica com uma vasta vegetação, onde a temperatura chega a cair, dando um merecido refresco no calor da região. O grupo passa ainda por uma área de bambuzais até chegar a uma pequena cascata conhecida como Duas Tranças para um breve banho e descanso. Após a pausa, as pernas voltam a trabalhar até atingir o final do caminho, com a sensação de missão cumprida e mente arejada.

 

 

A fisioterapeuta Alexandra Christina não conhecia e se surpreendeu com o que viu em Barra de Guabiraba. “Confesso que não sabia nem onde ficava a cidade e ao chegar tive uma surpresa com a beleza e riqueza dela. A trilha é um desafio constante, não só o fato de fazer um percurso, mas estar ali e viver aquilo. Foi magnífico e revigorante”, disse. Por atuar em um ambulatório, ela destacou a importância de, em tempos de Covid-19, ter momentos assim, não só para os profissionais de saúde, mas os de outras áreas também. “Já vivemos no estresse, somos muito cobrados, mas não podemos nos deixar levar por isso e não nos permitirmos uma pausa. Foi muito prazeroso quebrar a rotina e me sentir novamente reenergizada”, definiu Alexandra.

 

 

Na sequência, o grupo dá um descanso para os pés e pega caminhões paus-de-arara para seguir até a Corredeira da onça que dá nome à trilha. Trata-se de uma grande e bonita sequência de pequenas quedas d’água perfeitas para banho abastecidas pelo Rio Sirinhaém e com cerca de 1,5 quilômetro de extensão. Após tanto esforço hora de dar um justo relaxamento pro corpo e mente.

 

 

 

“As pessoas fazem este passeio para se desconectar deste mundo caótico e pandêmico e se conectar com a natureza que nós consideramos sagrada. E elas voltam diferentes para suas casas depois de entrar em sintonia com essa energia única. A nossa mensagem é: ousar mais, viver mais e se aventurar sempre”, resumiu o outro sócio da agência, Daniel Pereira. Mensagem também sintetizada em uma imagem. A do arco-íris formado na paisagem na despedida do grupo do local. Realmente, mais do que nunca, é preciso viver mais.

 

HISTÓRIA

O professor, pesquisador e historiador Ezequiel Cícero da Silva, que mantém em sua casa, no centro da cidade, um museu arqueológico, explicou o motivo do título de “terra das águas subterrâneas”. “A topografia de Barra de Guabiraba, encravado no Planalto da Borborema, é privilegiada pois tem uma parte mais baixa onde desagua vários rios e riachos da região. Esta água se acumula no município e tem um escoamento lento e gradativo, formando o maior lençol freático da região. Por isso, diversas empresas de engarrafamento de água mineral se instalaram aqui”, explicou Ezequiel.

 

 

O próprio nome do município tem relação com as águas pois contam que foi no encontro dos rios Sirinhaém e Bonito Grande que o historiador Mário Melo se deparou com uma grande árvore de Guabiraba e por isso denominou o local assim. A história da cidade também se confunde com a dos engenhos, sendo um dos principais o do Sítio do Meio, onde começou a trilha. “Este engenho de fogo morto já foi um dos maiores produtores de cachaça de Pernambuco nas décadas de 50 e 60. A fundação da propriedade é de 1814, oriunda das doações de terra da época das sesmarias, no período em que o governador era Caetano Pinto de Miranda Montenegro”, detalhou Ezequiel.

 

 

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