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14/01/21
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

PT confirma rompimento com governo Paulo Câmara e PSB: ‘tratamento inaceitável e desrespeitoso na campanha do Recife’

14 / jan
Publicado por José Matheus Santos em Notícias às 12:18

O PT de Pernambuco oficializou, por meio de nota, nesta quinta-feira (14), o rompimento com o governo Paulo Câmara e a entrega de cargos na gestão estadual.

“É uma consequência política do acirrado enfrentamento eleitoral municipal de 2020, especialmente no Recife, onde recebemos da campanha do PSB tratamento inaceitável, desrespeitoso e incompatível com o histórico de relacionamento de nível elevado entre nossas siglas”, diz trecho de nota do PT.

No Recife, no segundo turno, houve um acirramento por parte do PSB, do então candidato João Campos, em relação ao PT, que tinha Marília Arraes como candidata.

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Ainda de acordo com o PT de Pernambuco, o rompimento da aliança com o PSB ocorre por influência da direção nacional da sigla petista.

“Decorre também da posição da direção nacional do PT que não produziu nenhuma manifestação pública ou reservada que demonstrasse o interesse em preservar nossa participação no governo como espaço facilitador de conversas entre as duas siglas em nível nacional”, afirma nota do PT de Pernambuco, assinada pelo presidente estadual da sigla, Doriel Barros.

Além de Doriel, a bancada de deputados estaduais do PT tem Dulcicleide Amorim e Teresa Leitão. O trio será independente na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Há possibilidade de formação de um bloco à esquerda com as Juntas (PSOL).

“A partir de agora, assumimos um posicionamento de independência em relação ao governo estadual que pautará também a nossa conduta na Assembleia Legislativa de Pernambuco”, informa o PT.

Veja a nota do PT-PE na íntegra

Nota sobre a entrega de cargos ao Governo do Estado

Como resultado de debates internos sobre a continuidade da participação do Partido dos Trabalhadores no Governo do Estado, decidimos deixar os cargos que o PT ocupa na atual gestão(PSB-PE).

Nossa participação na gestão foi uma decorrência natural da aliança que celebramos com o PSB em 2018 e que teve resultados extremamente positivos para ambos os partidos, entre os quais as reeleições  do governador Paulo Câmara no primeiro turno e do senador Humberto Costa, além da significativa contribuição ao desempenho eleitoral de Fernando Haddad no primeiro e segundo turnos das eleições presidenciais.

Ao longo desses dois anos, o PT contribuiu de forma decisiva para o sucesso da administração estadual, desenvolvendo políticas públicas com criatividade, competência e compromisso com a maioria da população, especialmente no segmento da agricultura familiar. Implantamos um trabalho que, se continuado,  permitirá a colheita de importantes frutos para a gestão estadual e mudanças estruturais nesses setores.

Nosso posicionamento não decorre de divergências administrativas com o governo que consideramos estar cumprindo os compromissos celebrados no programa de governo referendado em 2018 pela população pernambucana. É uma consequência política  do acirrado enfrentamento eleitoral municipal de 2020, especialmente no Recife, onde recebemos da campanha do PSB tratamento inaceitável, desrespeitoso e incompatível com o histórico de relacionamento de nível elevado entre nossas siglas.

Decorre também da posição da direção nacional do PT que não produziu nenhuma manifestação pública ou reservada que demonstrasse o interesse em preservar nossa participação no governo como espaço facilitador de conversas entre as duas siglas em nível nacional.

A partir de agora, assumimos um posicionamento de independência em relação ao governo estadual que pautará também a nossa conduta na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Esperamos ainda a continuidade de um diálogo respeitoso com o governo estadual e com a própria Frente Popular.

Recife, 14 de janeiro de 2021.

Doriel Barros
Presidente do Partido dos Trabalhadores de Pernambuco.

Rompimento

O encontro do PT para discutir a entrega de cargos no governo Paulo Câmara e os rumos do partido acabou por volta das 10h. O partido decidiu sair do governo do Estado.

Como resultado, a bancada de deputados estaduais deve adotar uma postura independente na Alepe. Há possibilidade de formação de um bloco de oposição à esquerda com as Juntas (PSOL).

O encontro foi por videoconferência. Segundo apurou o blog, o encontro foi marcado na noite desta quarta-feira (13), véspera do encontro.

No estado, o partido comanda a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, com Dilson Peixoto. O cargo deverá ser entregue nas próximas horas. O Blog revelou recentemente que PP e PDT miram assumir a pasta no lugar dos petistas

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Anteriormente, o diretório do PT de Pernambuco, que é presidido pelo deputado estadual Doriel Barros, se reuniu pelo menos duas vezes em dezembro, mas não houve deliberação sobre a aliança com o PSB.

A ala petista crítica ao PSB avaliava, nos bastidores, que Doriel e outros petistas aliados do PSB estavam “adiando como podem” o debate. Procurado pela reportagem ainda em dezembro, o presidente do PT de Pernambuco negou e disse que segue trâmites internos do PT.

Além disso, está em curso na direção nacional do PT um pedido de expulsão de Oscar Barreto. Ele é acusado de infidelidade partidária por ter feito críticas à candidata Marília Arraes durante a campanha eleitoral pela prefeitura do Recife.

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Abaixo-assinado

Na última segunda-feira (11), o Blog revelou que um abaixo-assinado de militantes filiados ao PT de Pernambuco pede que o partido entregue imediatamente os cargos que ocupa no Governo de Pernambuco e a abertura de processos disciplinares contra integrantes da legenda que teriam praticado infidelidade nas eleições de 2020.

O movimento ocorre desde dezembro e segue em janeiro com mais de 300 assinaturas de filiados do PT local. O destinatário do abaixo-assinado é o Diretório do Partido dos Trabalhadores.

No texto de apresentação da coleta de assinaturas, os petistas críticos à aliança com o PSB de Pernambuco dizem que concordam com nota da Secretaria da Juventude do PT, que, em 16 de dezembro, pediu o rompimento com os pessebistas no plano estadual.

“Nós, abaixo-assinado, militantes filiados ao Partido dos Trabalhadores, temos plena concordância com os termos da nota emitida pela Secretaria da Juventude do PT e vimos solicitar da Direção Estadual que todas as providências sejam tomadas para encaminhamento das seguintes questões: 1. Entrega imediata dos cargos comissionados ocupados nas gestões do PSB, estadual e municipal do Recife; 2. Abertura de processos disciplinares contra filiados e filiadas que praticaram infidelidade partidária nas eleições municipais do Recife, sobre os quais existe amplo material comprobatório”, diz o abaixo-assinado criado em 17 de dezembro e com 318 assinaturas.

A autoria é da militante petista Raísa Rabelo. A coleta de assinaturas começou semanas depois do segundo turno da disputa pela Prefeitura do Recife, em que Marília Arraes (PT) foi derrotada por João Campos (PSB) com ataques do candidato pessebista ao PT.

PT e PSB

O atual secretário de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco é Dilson Peixoto, do PT, por indicação da ala próxima ao senador Humberto Costa.

Os petistas decidiram pelo rompimento no plano estadual após a campanha acirrada em ataques entre os dois partidos na disputa do segundo turno pela prefeitura do Recife entre João Campos e Marília Arraes.

Em Pernambuco, o PT foi aliado ao governador Paulo Câmara (PSB) até este 14 de janeiro, apesar de divergências internas na sigla após o segundo turno da eleição para a prefeitura do Recife.

Na capital pernambucana, a legenda petista acabou derrotada com Marília Arraes pela candidatura de João Campos (PSB).

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Na capital, o PT elegeu três vereadores: Liana Cirne, Jairo Britto e Osmar Ricardo. Este último é próximo ao PSB, enquanto os outros dois são de oposição.

O PT ocupou cargos na gestão do ex-prefeito Geraldo Julio no Recife. Até outubro, o partido comandou a Secretaria de Saneamento do Recife com Oscar Barreto (PT), também da ala petista que defendia aliança com o PSB nas eleições municipais.

No âmbito estadual, o PT comanda a Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco com Dilson Peixoto e tem cargos nos segundos e terceiro escalão da gestão estadual. O partido participou da coligação de 2018 em que Paulo Câmara (PSB) foi reeleito governador e Humberto Costa foi um dos senadores eleitos, junto com Jarbas Vasconcelos (MDB).

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João Campos endossou antipetismo no Recife

Na eleição do Recife, após fazer, no primeiro turno, uma campanha com tom propositivo e explorando a imagem da juventude do candidato João Campos, no segundo turno, o tom mudou no discurso do PSB. Largando atrás segundo as pesquisas de intenções de voto, o partido adotou como estratégia o antipetismo na capital, sobretudo no eleitorado conservador e da classe média.

Também houve difusão de panfletos apócrifos em frente a igrejas e templos religiosos com mensagens apontando a candidata Marília Arraes como contrária ao cristianismo e contra a Bíblia. A autoria não foi identificada pela Justiça Eleitoral, mas um juiz eleitoral determinou que a campanha de João Campos se abstivesse de divulgar os materiais e se prontificasse a evitar a sua disseminação pela cidade.

PP e PDT miram secretaria estadual de Desenvolvimento Agrário

Comandada pelo PT, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco está na mira de PP e PDT no primeiro escalão da gestão estadual. A pasta tem o petista Dilson Peixoto como titular.

De acordo com informações de bastidores, PP e PDT manifestam desejo de assumir a secretaria, que tem influência entre bases no interior do estado, nos setores de agricultura, pecuária e dos trabalhadores rurais, além dos cargos comissionados.

A medida deve ocorrer após o rompimento do PT com o PSB no âmbito estadual, selado nesta quinta-feira (14).

No estado, o PP comanda a secretaria de Política de Prevenção à Violência e às Drogas, com Clovis Benevides. Sob reserva, fontes da sigla dizem que, se o partido assumir a Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco, “compensaria” a insatisfação com a composição de João Campos no Recife.

O PP de Pernambuco está insatisfeito com os espaços destinados ao partido na gestão de João na Prefeitura do Recife. O partido perdeu o comando do Saneamento. Na distribuição de secretarias para os aliados do governo João Campos, coube ao PP ficar com a Secretaria de Habitação do Recife. A indicada foi Maria Eduarda Médicis Campos. 

O presidente do partido no estado é o deputado federal Eduardo da Fonte. No Recife, presidente municipal é o filho do deputado, Lula da Fonte.

Já o PDT tem Alberes Lopes como Secretário de Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco. O partido já comandou a Secretaria de Agricultura no primeiro mandato de Paulo Câmara, quando indicou Wellington Batista.

Além disso, já teve indicações para a presidência do Iterpe (Instituto de Terras e Reforma Agrária do Estado), no primeiro mandato do governador.

Agora, os holofotes pedetistas estão na pasta do Trabalho. Mas, no PDT, há preferência pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário, por causa do “guarda-chuva” de cargos e das relações maiores com bases eleitorais no interior do estado.

No estado, o partido é presidido pelo deputado federal Wolney Queiroz. No Recife, o partido tem a vice-prefeita Isabella de Roldão e indicou a advogada Adriana Rocha para a Secretaria do Trabalho do governo de João Campos.

PT tucano?

A deputada federal Marília Arraes (PT-PE) disse, nesta quarta-feira (13), acreditar que “chegou o momento das mulheres tomarem o protagonismo do cenário político de Pernambuco”.

Durante uma entrevista à Rádio Liberdade de Caruaru, Marília comentou sobre a disputa para o Governo de Pernambuco no próximo ano e fez uma fala em alusão à prefeita Raquel Lyra (PSDB), vista como uma das possíveis postulantes ao cargo.

“Pode ser que Caruaru tenha uma governadora em 2022. Vamos ver o que acontece”, disse Marília, sem citar diretamente Raquel.

Além de Raquel Lyra, são cotados como candidatos a governador contra o ex-prefeito do Recife Geraldo Julio (PSB) o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), e o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), além de uma candidatura provável do PT para ser palanque no estado do candidato presidencial.


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