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21/12/20
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

‘Estou envergonhada’, diz Teresa Leitão sobre PT não romper com Paulo Câmara após disputa contra o PSB no Recife

21 / dez
Publicado por José Matheus Santos em Notícias às 12:18

A deputada estadual Teresa Leitão (PT) voltou a defender, nesta segunda-feira (21), o rompimento do PT com o governo Paulo Câmara. A parlamentar, integrante da ala petista crítica ao PSB, se disse “envergonhada” pela manutenção de cargos dos petistas no Governo de Pernambuco mesmo quase um mês após a disputa pela prefeitura do Recife.

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Para Teresa Leitão, o PSB, de João Campos, que estimulou o antipetismo no 2º turno da eleição do Recife, e o de Paulo Câmara, “é o mesmo”. Na capital, a candidata do PT foi a deputada federal Marília Arraes.

“Como se pode dizer que o município é uma coisa e o estado é outra? É a mesma tigela, João Campos está montando o secretariado em comum acordo com Paulo Câmara. Se fosse uma coisa pessoal que ficasse e acabasse, dava para superar, mas foi o partido (PT) que foi atingido”, disse Teresa.

A deputada estadual ainda fez cobranças ao presidente do PT de Pernambuco, o também deputado estadual Doriel Barros, sobre a condução do processo.

“Como é que um presidente que não defende o partido com unhas e dentes? Ele fez uma nota boa durante a campanha (repudiando a conduta do PSB) e tem que dar prosseguimento a isso, já estamos no final do ano. O aviso foi dado pelo prefeito eleito durante a própria campanha, jogou na própria cara. Disse que a gente não presta. Mas, se quiserem ficar no governo do Estado, fiquem, mas saiam do partido”, disse Teresa ao relembrar afirmações de João Campos contrárias do PT.

“O PT não pertence a esse grupo que está no governo, o PT pertence a todos os filiados, eu mesmo estou envergonhada. Todo mundo se sentiu atacado pelos ataques de João Campos porque foi injusto. PSB pode falar de corrupção de quem?”, finalizou Teresa à reportagem do blog.

Reunião nesta segunda, mas sem discussão da aliança

O PT de Pernambuco se reúne, nesta segunda-feira (14), para finalizar o debate sobre o desempenho do partido, mas não está na pauta do encontro a discussão sobre a aliança com o PSB no plano estadual após a disputa tensa no segundo turno do Recife entre João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT).

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Na segunda-feira passada (14), foi feita uma reunião para leitura geral do quadro após as eleições para prefeito e vereador. Havia a expectativa de que a aliança com Paulo Câmara fosse debatida, o que não aconteceu.

A reunião desta segunda-feira vai finalizar o eixo orientador do partido sobre as eleições municipais.

Posteriormente, é que será feita a reunião do Diretório Estadual do PT para debater, entre outros temas, a manutenção ou não dos cargos ocupados no governo de Paulo Câmara (PSB).

“A reunião dessa segunda vai discutir alianças feitas, candidaturas próprias, como se deu a campanha, questões que vão orientar um debate nosso, com base na ultima reunião, foram levantados vários questionamentos”, disse Doriel Barros, presidente estadual do PT.

Ala crítica vê tentativa de postergar debate

Ainda na semana passada, integrantes da ala petista crítica ao PSB, que defende a entrega e cargos e o rompimento com Paulo Câmara, avaliaram, sob reserva, que Doriel Barros e aliados estão “empurrando com a barriga como podem” a deliberação do assunto, o que o presidente estadual do PT nega.

“Não procede, a gente está fazendo os procedimentos necessários”, diz Doriel Barros.

Na pré-campanha, os diretórios do PT no Recife e em Pernambuco defenderam aliança com o PSB, de João Campos, na eleição do Recife. Entre os membros com essa posição, estavam o senador Humberto Costa e o deputado estadual Doriel Barros. No entanto, a candidatura de Marília Arraes foi uma determinação da direção nacional do PT.

Parlamentares da legenda, como o senador Humberto Costa, os deputados federais Carlos Veras e Marília Arraes e os estaduais Doriel Barros, Dulcicleide Amorim e Teresa Leitão, foram convidados para participar do encontro da segunda-feira passada, que foi virtual em razão da pandemia do coronavírus, mas não compareceram.

No estado, o PT elegeu 5 prefeitos, dois a menos que em 2016, e 76 vereadores, 13 a mais que as eleições de quatro anos atrás.

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Possibilidade de decisão sobre cargos em janeiro

Com a reta final de 2020 e a proximidade das festas de Natal e de Ano Novo, a cúpula do PT estadual iniciou uma consulta com os membros do diretório para a possibilidade do encontro decisivo sobre o rompimento com o PSB ficar para janeiro de 2021.

“É possível que o encontro do diretório fique para janeiro, porque é preciso que tenha um público maior para fazermos um robusto debate sobre esse e outros assuntos. Será feita uma consulta a cada membro do diretório, porque geralmente a gente faz um encontro de quase de um dia”, afirmou Doriel ao blog na semana passada.

O presidente do PT de Pernambuco avalia que é preciso “presença máxima” para deliberar sobre a questão.

“(Trata-se de) Um processo de consulta e de escuta aos quadros do partido. O PT está na base do governo porque foi uma decisão partidária (em 2018), do mesmo jeito que estamos fazendo agora, ouvindo as bases, os movimentos e os parlamentares para depois levar o debate à Executiva Estadual do partido para ninguém dizer depois que estamos tomando qualquer decisão sem respaldo da base”, acrescentou o presidente estadual do PT na ocasião.

Nesta segunda-feira (21), Doriel disse ao blog que a consulta sobre a reunião em janeiro está “sendo finalizada pelo secretário-geral do PT-PE”.

Questionado, Doriel Barros disse que a aliança com o PSB no plano estadual “será debatida”, independentemente se a opção seja pela manutenção ou pelo rompimento.

“Vai ser debatido”, disse.

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Entenda

Em Pernambuco, o PT é aliado ao governador Paulo Câmara (PSB), apesar de divergências internas na sigla após o segundo turno da eleição para a prefeitura do Recife.

Na capital pernambucana, a legenda petista acabou derrotada com Marília Arraes pela candidatura de João Campos (PSB). O prefeito eleito tem repetido em entrevistas que, em seu governo, “não haverá indicações políticas do PT”.

Na cidade, o PT elegeu três vereadores: Liana Cirne, Jairo Britto e Osmar Ricardo. Este último é próximo ao PSB, enquanto os outros dois são de oposição.

FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

PT tem cargos nas gestões do PSB

O PT ocupa cargos na atual gestão do prefeito Geraldo Julio no Recife. Até outubro, o partido comandou a Secretaria de Saneamento do Recife com Oscar Barreto (PT), também da ala petista que defendia aliança com o PSB nas eleições municipais.

No âmbito estadual, o PT comanda a Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco com Dilson Peixoto e tem cargos nos segundos e terceiro escalão da gestão estadual. O partido participou da coligação de 2018 em que Paulo Câmara (PSB) foi reeleito governador e Humberto Costa foi um dos senadores eleitos, junto com Jarbas Vasconcelos (MDB).

Foto: Felipe Ribeiro/JC IMAGEM

João Campos endossou antipetismo no Recife

Na eleição do Recife, após fazer, no primeiro turno, uma campanha com tom propositivo e explorando a imagem da juventude do candidato João Campos, no segundo turno, o tom mudou no discurso do PSB. Largando atrás segundo as pesquisas de intenções de voto, o partido adotou como estratégia o antipetismo na capital, sobretudo no eleitorado conservador e da classe média.

Também houve difusão de panfletos apócrifos em frente a igrejas e templos religiosos com mensagens apontando a candidata Marília Arraes como contrária ao cristianismo e contra a Bíblia. A autoria não foi identificada pela Justiça Eleitoral, mas um juiz eleitoral determinou que a campanha de João Campos se abstivesse de divulgar os materiais e se prontificasse a evitar a sua disseminação pela cidade.


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