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10/12/20
Foto: Roberto Soares/Alepe
Foto: Roberto Soares/Alepe

Teresa Leitão defende que PT seja oposição a Paulo Câmara: ‘PSB cospe no prato que comeu’

10 / dez
Publicado por José Matheus Santos em Notícias às 13:36

A campanha eleitoral do 2º turno na disputa pela prefeitura do Recife segue em repercussão no meio político de Pernambuco. Nesta quinta-feira (10), em discurso durante sessão da Assembleia Legislativa de Pernambuco, a deputada estadual Teresa Leitão (PT), ligada à Marília Arraes, fez duras críticas à campanha do prefeito eleito do Recife, João Campos (PSB), no segundo turno do Recife.

Teresa defendeu ainda que a bancada do PT na Assembleia Legislativa, composta por três deputados, passe a fazer oposição ao governo Paulo Câmara (PSB).

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No início do discurso, Teresa rebateu falas de João Campos em debates de que os integrantes do PT presos “não cabem em duas mãos”.

“O candidato disse que os dedos das suas duas mãos seriam suficientes para nomear, apontar os gestores públicos do PT que estão presos. Quero desafiá-lo, fora do script do marqueteiro, a dizer quais são os 11 gestores do PT que estão presos”, disse Teresa.

“Nossa candidata poderia ter respondido de outra maneira, poderia ter respondido assim: “você não vai apontar? Vai só deixar a dúvida? Pois vou apontar alguns, com nome, município e tornozeleira”. Sabe por que a gente não fez isso? Porque as eleições eram no município do Recife, não eram em Tamandaré, em Paulista, em Limoeiro, no Cabo e muito menos na Paraíba, elas são nacionalizadas no seu conteúdo, mas não nos seus personagens”, disse Teresa.

Foto: Reprodução/YouTube

A fala da deputada estadual faz referência a cidades governadas por gestores do PSB.

Em Tamandaré, no Litoral Sul do estado, o prefeito Sérgio Hacker (PSB), que não se reelegeu, é casado com Sarí Corte Real, acusada no Caso Miguel de abandono de incapaz com resultado em morte.

Em Paulista, na Região Metropolitana do Recife, o prefeito Júnior Matuto (PSB) chegou a ser afastado do cargo duas vezes pela Justiça neste ano por suspeitas de irregularidades em contratos de coleta de lixo.

No Cabo de Santo Agostinho, o prefeito Lula Cabral (PSB), que não foi reeleito, foi preso entre 19 de outubro de 2018 e 14 de janeiro de 2019 no Centro de Triagem e Observação Criminológica (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife, por suspeitas de desvios de recursos do fundo previdenciário do Cabo.

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Teresa Leitão disse que a campanha de Marília Arraes no Recife optou por não citar esses casos suspeitos de irregularidades de gestores do PSB.

“Não citamos porque temos respeito pela dor dos outros. Sofremos na pele as injustiças de processos e julgamentos políticos como o de Lula, como Miguel Arraes, bisavô do candidato, sofreu”, justificou Teresa Leitão.

“Quem tem empatia não usaria a dor de Lula eleitoralmente como o jovem prefeito eleito fez. Usar contra o PT é usar contra Lula. Não adianta não colocar o retratinho de Lula no guia eleitoral e usar todos os amigos de Lula que constroem o PT cotidianamente com ele. Felizmente, acho que Lula, dessa vez, sentiu a traição. Hoje, Lula é livre, saudado que foi pelo prefeito eleito em 2018 com o L de Lula. Mas queremos mais, queremos Lula inocentado”, acrescentou a parlamentar.

Teresa frisou também que, em 2018, João Campos esteve na defesa de “Lula Livre” durante a campanha eleitoral em que foi candidato a deputado federal. Na ocasião, ele apoiou a candidatura de Fernando Haddad (PT) já no primeiro turno à presidência da República.

Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

PT na oposição a João Campos

A deputada estadual Teresa Leitão ainda afirmou que o PT fará oposição a João Campos na Câmara de Vereadores do Recife e alfinetou a fala do prefeito eleito de que, em seu governo, “não haverá indicações políticas do Partido dos Trabalhadores”.

Para Teresa, a fala de Campos deixa margem para eventuais indicações de petistas na cota pessoal do prefeito eleito.

“Quem do PT lhe acenou ou pediu cargos? Ele disse que não aceitará indicação política do PT. A quem o jovem prefeito pretende convidar como cota pessoal? Quando convidar alguém não dê só um cargo, dê uma ficha de filiação ao PSB também. Nos poupa de alguns processos que já estão em curso no interior do partido, que vocês gostam muito de se meter inclusive”, afirmou Teresa.

Recentemente, integrantes do PT Nacional pediram à cúpula do partido a expulsão de Oscar Barreto do partido. Ele foi secretário de Saneamento do Recife na gestão de Geraldo Julio até outubro, quando entregou o cargo, um mês antes da votação no pleito municipal. Barreto defendeu aliança do PT com o PSB no Recife durante a pré-campanha.

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‘PSB cospe no prato que comeu’

A deputada Teresa Leitão saiu em defesa de um reposicionamento da bancada petista na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Além dela, integram a bancada os deputados Doriel Barros e Dulcicleide Amorim, ambos ligados à base do governo no parlamento estadual.

“Espero que a gente se reposicione aqui no Estado e aqui na Alepe também”, disse Teresa.

“Nós do PT, Doriel e Dulcicleide, temos uma tarefa muito grande, de defender o meu partido e as lideranças nacionais do PT, as mesmas que foram bajuladas, cortejadas por esse mesmo PSB que hoje cospe no prato que comeu”, afirmou Teresa em direção aos colegas de bancada.

A deputada ainda arrematou: “no que depender de mim, o PT será oposição a esse governo. No município, já é porque as urnas já indicaram isso. No estado, espero que seja também”.

Foto: Reprodução/YouTube

Líder da oposição acena

Em aparte à fala de Teresa Leitão, o líder da oposição na Alepe, deputado estadual Antonio Coelho (DEM), afirmou que João Campos teve um discurso “oportunista” no segundo turno do Recife ao estimular o antipetismo, de quem já foi aliado.

“Isso mostra o discurso oportunista do candidato do PSB ao denunciar aqueles que eram amigos próximos até pouco tempo atrás. Esse ciclo de poder do PSB acho que só sobreviveu por ter se agarrado a essa onda do lulopetismo em 2018”, disse o deputado.

Ainda durante sua breve fala, Antonio Coelho fez elogios à postura de Teresa Leitão e acenou para a bancada petista, caso queira fazer parte do campo da oposição.

“Talvez o PT esteja prestes a entrar em um novo caminho, enquanto todo bloco de oposição respeita o tempo interno do PT para tomar as suas posições, acho que já existe um eixo programático evidente de que a gente poderia fazer oposição programática contra o governo do PSB”.

Na retomada da fala, a deputada Teresa Leitão considerou “difícil” o cenário do PT integrar o bloco atual de oposição na Assembleia Legislativa.

“É uma posição muito difícil sermos liderados por Vossa Excelência pelas conexões nacionais”, respondeu Teresa a Antonio Coelho. 

A deputada se refere ao fato do pai de Antonio, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), ser líder do governo do presidente Jair Bolsonaro no Senado Federal. 

Apesar de defender que o PT passe para a oposição a Paulo Câmara, Teresa Leitão defende que o PT atue no campo de oposição à esquerda a Paulo Câmara.

A atual composição da oposição na Alepe tem viés de direita e tem integrantes admiradores do presidente Jair Bolsonaro, como Alberto Feitosa e Clarissa Tercio, por exemplo.

Outro deputado que fez aparte à fala de Teresa Leitão foi João Paulo (PCdoB), ex-prefeito do Recife e que declarou apoio a Marília Arraes na disputa do segundo turno pela prefeitura do Recife. O comunista justificou a medida por discordâncias dos métodos da campanha do PSB na capital pernambucana.

“Discordei completamente do método usado na campanha. Acho que podemos ganhar uma eleição (de forma limpa). Essa (campanha) agora talvez tenha ultrapassado todos os limites. Isso muitas vezes deixa sequelas significativas”, afirmou João Paulo, que foi prefeito do Recife pelo PT entre 2001 e 2008.


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