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07/12/20
Foto: Hélia Scheppa/Divulgação
Foto: Hélia Scheppa/Divulgação

PT deve decidir até o dia 20 de dezembro se permanece na base aliada de Paulo Câmara

07 / dez
Publicado por José Matheus Santos em Notícias às 9:47

O presidente do PT de Pernambuco, deputado estadual Doriel Barros, disse nesta segunda-feira (7) que a direção executiva estadual do partido deverá se reunir até o dia 20 de dezembro para definir o posicionamento em relação ao governo Paulo Câmara após as eleições municipais.

“Até o dia 20 a executiva estadual deverá se reunir. Temos conversado com o PT Nacional e há uma ideia de que a gente possa aprofundar melhor nos próximos dias para que a gente possa fazer uma avaliação na reunião da executiva estadual”, afirmou Doriel Barros ao blog.

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Ainda segundo Doriel Barros, no estado, o partido ainda avalia a posição em relação à gestão estadual do PSB porque, na eleição de 2018, o PT participou do arco de alianças que levou Paulo Câmara à reeleição na disputa pelo Governo de Pernambuco.

“Estamos avaliando no estado porque o PT foi fundamental para a reeleição do governador Paulo Câmara”, frisou.

Por sua vez, o presidente estadual do PT ainda disse que, no Recife, o partido está automaticamente na oposição ao prefeito eleito João Campos (PSB) após a disputa municipal.

“No Recife, essa posição já está definida. A gente nunca pediu para participar de cargos, o prefeito eleito tem repetido isso, não sei se algum partido aliado dele está cobrando isso, mas no Recife está clara a nossa posição de oposição”, declarou o dirigente petista.

Na capital pernambucana, a legenda petista acabou derrotada com Marília Arraes pela candidatura de João Campos (PSB). O prefeito eleito tem repetido em entrevistas que, em seu governo, “não haverá indicações políticas do PT”.

Na cidade, o PT elegeu três vereadores: Liana Cirne, Jairo Britto e Osmar Ricardo. Este último é próximo ao PSB, enquanto os outros dois são de oposição.

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Foto: Roberto Soares/Alepe

PT tem cargos nas gestões do PSB

O PT ocupa cargos na atual gestão do prefeito Geraldo Julio no Recife. Até outubro, o partido comandou a Secretaria de Saneamento do Recife com Oscar Barreto (PT), também da ala petista que defendia aliança com o PSB nas eleições municipais.

No âmbito estadual, o PT comanda a Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco com Dilson Peixoto e tem cargos nos segundos e terceiro escalão da gestão estadual. O partido participou da coligação de 2018 em que Paulo Câmara (PSB) foi reeleito governador e Humberto Costa foi um dos senadores eleitos, junto com Jarbas Vasconcelos (MDB).

João Campos endossou antipetismo no Recife

Na eleição do Recife, após fazer, no primeiro turno, uma campanha com tom propositivo e explorando a imagem da juventude do candidato João Campos, no segundo turno, o tom mudou no discurso do PSB. Largando atrás segundo as pesquisas de intenções de voto, o partido adotou como estratégia o antipetismo na capital, sobretudo no eleitorado conservador e da classe média.

Também houve difusão de panfletos apócrifos em frente a igrejas e templos religiosos com mensagens apontando a candidata Marília Arraes como contrária ao cristianismo e contra a Bíblia. A autoria não foi identificada pela Justiça Eleitoral, mas um juiz eleitoral determinou que a campanha de João Campos se abstivesse de divulgar os materiais e se prontificasse a evitar a sua disseminação pela cidade.

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‘Práticas bolsonaristas’

Na semana passada, em entrevista ao blog, a deputada estadual Teresa Leitão (PT) disse que a campanha do PSB no Recife se aproximou de “práticas bolsonaristas”, o que pode levar ao afastamento das legendas no âmbito estadual.

“O PSB propiciou a vitória da negação da política. Isso para um partido que se diz progressista é muito ruim. O PSB ganhou a eleição utilizando as mesmas praticas bolsonaristas, com gabinete do ódio, fake news, machismo, misoginia. O PSB só é o que é porque um dia Lula foi presidente e porque um dia o PT assumiu a presidência da República e deu atenção a seus aliados, como o PSB na época”, afirmou a parlamentar.

Na ocasião, Teresa Leitão defendeu que o PT passe a ser oposição ao governo de Paulo Câmara na Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde a legenda tem três parlamentares.

“Defendo duas posições, a entrega imediata dos cargos, se é que existe ainda, no governo municipal e no governo estadual, e um reposicionamento da bancada do PT na Assembleia Legislativa”, disse.

“A agressão e o desrespeito com que João Campos e o PSB trataram o PT e as lideranças petistas extrapolam a convivência politica”, acrescentou Teresa.

Foto: Roberto Soares/Alepe

Na semana passada, o presidente estadual do PT, deputado estadual Doriel Barros, disse ao blog que as críticas do PSB ao partido na campanha do Recife deixaram os petistas “indignados”.

“Vamos sentar para fazer uma avaliação forte e interna sobre como cada um participou desse processo sempre preservando a história e o legado do PT no Recife e para Pernambuco. Evidentemente, esses ataques deixaram todos nós indignados e questionamos essa maneira de João Campos de ataque frontal ao PT, principalmente porque o PT que ajudou aqui em Pernambuco muitas vezes o PSB, inclusive, na eleição de Paulo Câmara. Foram ataques injustos e na política não vale tudo para ganhar a eleição, passou dos limites. Mas vamos fazer uma avaliação interna e conversar com o governador Paulo Câmara também”, ponderou Doriel.

O presidente do PT em Pernambuco ainda disse, na ocasião, que houve divulgação de notícias falsas na eleição do 2º turno no Recife e associou o método ao estilo do presidente Jair Bolsonaro, em sua avaliação.

“Houve fake news, muitas mentiras, houve uma tentativa de trazer a questão da fé, como aconteceu na campanha de Bolsonaro de que o PT era contra a religião e a Bíblia. São métodos utilizados que foram repudiados não só no PT mas por muita gente que acha que a política não deve ser um vale tudo”, afirmou Doriel Barros.


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