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01/12/20
Foto: Divulgação
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‘O PT seria bem-vindo na bancada’, diz líder da oposição na Assembleia Legislativa

01 / dez
Publicado por José Matheus Santos em Notícias às 11:20

O líder da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Antonio Coelho (DEM), disse nesta segunda-feira (30), em meio ao imbróglio do possível rompimento do PT com o PSB a nível estadual, que a bancada de três deputados petistas na Alepe seria “bem-vinda” ao campo da oposição.

O PT deverá fazer nos próximos dias uma avaliação sobre o posicionamento político em relação ao governo Paulo Câmara (PSB), no qual possui cargos, como a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, após a disputa tensa no segundo turno do Recife, que foi disputado entre Marília Arraes e João Campos.

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“Quero respeitar o tempo do PT, vai fazer as suas avaliações internas e tomar as suas decisões. Como líder da oposição, as portas estão abertas para fazer oposição ao governo que está aí (de Paulo Câmara). O PT seria bem-vindo”, disse o deputado Antonio Coelho ao blog.

Balanço da oposição

O deputado Antonio Coelho, que é o novo líder oposicionista na Assembleia Legislativa, ainda disse que observa um fortalecimento da oposição nas eleições municipais em Pernambuco, apesar do PSB ter vencido a disputa pela Prefeitura do Recife.

“A oposição sai fortalecida, vencemos em cidades importantes no estado como Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Olinda, Paulista, Petrolina, Caruaru, Araripina, entre outras. O desejo de mudança foi muito nítido com o cansaço em relação à gestão do PSB”, disse o parlamentar.

Antonio Coelho disse que nomes como os prefeitos reeleitos de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), e do prefeito eleito de Paulista, Yves Ribeiro (MDB), são alguns dos que saíram “fortalecidos das urnas” pelo campo da oposição.

Ainda para Antonio Coelho, a atuação da oposição deve ocorrer em duas frentes nos próximos dois anos. “Temos que ter a questão propositiva sobre as necessidades da população e usar isso como potencial modelo para Pernambuco, e o outro ponto é ter um papel fiscalizatório para o governo fazer mais pelas pessoas. Vamos cobrar para que haja melhorias”, disse.

Questionado sobre a vitória do PSB no Recife e os impactos na oposição, o deputado oposicionista disse que observa que foi uma vitória importante para a legenda governista, mas fez ponderações.

“Reconheço que é uma vitória importante do PSB, João Campos demonstrou mérito, resiliência, é uma vitória qualificada eu diria, porque houve uma votação de 30% no primeiro turno e uma votação apertada no segundo turno. Se somar a votação de Marília Arraes com brancos, nulos e as pessoas que saíram de casa para não votar é maior do que a votação de João. E é uma vitória na qual João só ganhou porque ele conseguiu atrair eleitores da direita que não queriam ficar mais à esquerda de João”, avaliou Antonio Coelho.

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O PT de Pernambuco deverá ser reunir ao longo da semana para decidir o posicionamento em relação ao Governo do Estado após a disputa das eleições municipais.

No Recife, a legenda petista acabou derrotada com Marília Arraes pela candidatura de João Campos (PSB). O prefeito eleito já disse em entrevistas que, em seu governo, “não haverá indicações políticas do PT”.

Os petistas já classificam, nos bastidores, que, com isso, a posição de oposição a João Campos é automática na Câmara de Vereadores do Recife. O PT elegeu três parlamentares: Liana Cirne, Jairo Britto e Osmar Ricardo. Este último é próximo ao PSB, enquanto os outros dois são de oposição.

O PT ocupa cargos na atual gestão do prefeito Geraldo Julio no Recife. Até outubro, o partido comandou a Secretaria de Saneamento do Recife com Oscar Barreto (PT), também da ala petista que defendia aliança com o PSB nas eleições municipais.

No âmbito estadual, o PT comanda a Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco com Dilson Peixoto e tem cargos nos segundos e terceiro escalão da gestão estadual. O partido participou da coligação de 2018 em que Paulo Câmara (PSB) foi reeleito governador e Humberto Costa foi um dos senadores eleitos, junto com Jarbas Vasconcelos (MDB).

FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Após fazer, no primeiro turno, uma campanha propositiva e explorando a imagem da juventude do candidato João Campos, no segundo turno, o tom mudou no discurso do PSB. Largando atrás segundo as pesquisas de intenções de voto, o partido adotou como estratégia o antipetismo na capital, sobretudo no eleitorado conservador e da classe média.

Também houve difusão de panfletos apócrifos em frente a igrejas e templos religiosos com mensagens apontando a candidata Marília Arraes como contrária ao cristianismo e contra a Bíblia. A autoria não foi identificada pela Justiça Eleitoral, mas um juiz eleitoral determinou que a campanha de João Campos se abstivesse de divulgar os materiais e se prontificasse a evitar a sua disseminação pela cidade.

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‘Práticas bolsonaristas’

Para a deputada estadual Teresa Leitão (PT), a campanha do PSB no Recife se aproximou de “práticas bolsonaristas”, o que pode levar ao afastamento das legendas no âmbito estadual.

“O PSB propiciou a vitória da negação da política. Isso para um partido que se diz progressista é muito ruim. O PSB ganhou a eleição utilizando as mesmas praticas bolsonaristas, com gabinete do ódio, fake news, machismo, misoginia. O PSB só é o que é porque um dia Lula foi presidente e porque um dia o PT assumiu a presidência da República e deu atenção a seus aliados, como o PSB na época”, disse a parlamentar.

Teresa Leitão defendeu que o PT passe a ser oposição ao governo de Paulo Câmara na Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde a legenda tem três parlamentares.

“Defendo duas posições, a entrega imediata dos cargos, se é que existe ainda, no governo municipal e no governo estadual, e um reposicionamento da bancada do PT na Assembleia Legislativa”, disse.

“A agressão e o desrespeito com que João Campos e o PSB trataram o PT e as lideranças petistas extrapolam a convivência politica”, acrescentou Teresa.

Foto: Roberto Soares/Alepe

Para o presidente estadual do PT, deputado estadual Doriel Barros, as críticas do PSB ao partido na campanha do Recife deixaram os petistas “indignados”.

“Vamos sentar para fazer uma avaliação forte e interna sobre como cada um participou desse processo sempre preservando a história e o legado do PT no Recife e para Pernambuco. Evidentemente, esses ataques deixaram todos nós indignados e questionamos essa maneira de João Campos de ataque frontal ao PT, principalmente porque o PT que ajudou aqui em Pernambuco muitas vezes o PSB, inclusive, na eleição de Paulo Câmara. Foram ataques injustos e na política não vale tudo para ganhar a eleição, passou dos limites. Mas vamos fazer uma avaliação interna e conversar com o governador Paulo Câmara também”, disse Doriel.

O presidente do PT em Pernambuco ainda disse que houve divulgação de notícias falsas na eleição do 2º turno no Recife e associou o método ao estilo do presidente Jair Bolsonaro, em sua avaliação.

“Houve fake news, muitas mentiras, houve uma tentativa de trazer a questão da fé, como aconteceu na campanha de Bolsonaro de que o PT era contra a religião e a Bíblia. São métodos utilizados que foram repudiados não só no PT mas por muita gente que acha que a política não deve ser um vale tudo”, afirmou Doriel Barros.

Foto: Roberto Soares/Alepe


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