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20/11/20
Foto: Reprodução/Instagram @rosangelawmoro
Foto: Reprodução/Instagram @rosangelawmoro

Rosangela Moro relata sua percepção de tudo o que acompanhou ao lado do marido

20 / nov
Publicado por jamildo em Notícias às 20:18

Muito se especula sobre a vida pessoal do ex-ministro Sergio Moro, um dos principais personagens da história recente do Brasil e responsável pela maior operação anticorrupção do país.

Com um estilo reservado e discreto, Moro se tornou uma figura pública que causa alvoroço por onde passa.

Com um olhar privilegiado de quem acompanhou de perto os principais momentos da carreira do ex-magistrado, Rosangela Moro compartilha diálogos, percepções e as mudanças na rotina da família em períodos em que o marido esteve no comando da Lava Jato e foi ministro da justiça do governo Bolsonaro.

O casal se conheceu na década de 1990 na Faculdade de Direito de Curitiba, quando Rosangela era graduanda e Sergio Moro um jovem professor recém-contratado para assumir a cadeira de Direito Constitucional.

A autora narra no livro o início da vida do casal em Cascavel, interior do Paraná, para onde se mudou quando Moro assumiu o posto de juiz federal.

Desde então, tentando equilibrar os papéis de mãe de dois filhos, advogada dedicada à prestação de serviços para as Apaes e de esposa, Rosangela acompanha a rotina da família se modificar a cada dia.

Em 2007, após o juiz dar ordem de prisão a um traficante de drogas e à sua esposa, a Polícia Federal precisou designar uma equipe de escolta para os Moro. Esse foi o primeiro grande desafio da família.

Em Os dias mais intensos, Rosangela resgata alguns momentos marcantes da Operação Lava Jato como o dia em que Lula foi preso e o áudio do telefonema entre o ex-presidente e a então presidenta Dilma repercutiu país afora.

No capítulo ‘Tchau querida’, ela revela que Moro estava jogando basquete com os filhos enquanto o Brasil parava na frente da televisão.

“Sergio Moro é assim: quando ultrapassa o momento reflexivo para tomar uma decisão, ele vira a página e espera pelo próximo capítulo, sabendo de todas as consequências que suas escolhas podem surtir. Eu nunca o vi remoendo decisões ou pensando, a posteriori, se poderia ter agido de outra maneira”, ela conta no livro.

Sobre a passagem de Moro ao ministério da justiça, Rosangela cita a esperança sentida no início do mandato de Jair Bolsonaro, a quem se refere como um “outsider, que se propunha a mudar os rumos do país”, mas revela que depois das ‘frituras’ de Sergio no governo começou a ver o cenário com outros olhos.

“Meu marido sentia que suas pautas eram órfãs do Governo, o que confessava a mim, e seguiu em frente até o limite do que, para ele, seria aceitável. Se fosse subordinado à vontade de alguém, ele não teria condenado pessoas poderosas como fez. Eu não sei dizer o motivo de o Planalto não encampar o que Moro defendia: se era para evitar o protagonismo dele na agenda anticorrupção ou se era porque não queria que a pauta avançasse. O Governo se aliou a pessoas que não têm um currículo exemplar e a pauta anticorrupção poderia não ser mais interessante para eles”, ela conta.

No livro, Rosangela também critica a posição do governo com relação à pandemia, afirmando tratar-se de uma atitude negacionista com relação à gravidade do problema com a qual não concorda e reflete sobre as ofensas intensificadas que a família passou a sofrer após a saída do marido do ministério.

De acordo com ela, “antilavajatistas somam-se aos bolsonaristas para criticar a todos nós, como se o culpado de um assassinato fosse quem descobre o cadáver, e não o seu assassino”.

Sobre a autora

Nascida em 28 de maio de 1974, Rosangela Wolff Moro é filha de uma professora e de um mestre de obras que não pouparam esforços para a educação dos filhos em excelentes escolas em Curitiba. Cursou a Faculdade de Direito de Curitiba, especializando-se em direito publico, ramo no qual atua até hoje. Casada com Sergio Moro, acompanhou-o em sua trajetória de magistrado pelo interior do Paraná e de Santa Catarina até 2003, quando fixou novamente residência em Curitiba. Identificou-se com o movimento das APAEs e com as associações de pessoas com doenças raras e vem prestando serviços jurídicos para esse segmento. Publicou dois livros: Regime Jurídico das Organizacões da Sociedade Civil, de 2014, e Doenças Raras: Entender, Acolher e Atender, de 2020. Fez pós-graduação em Direito Tributário na Universidade de Joinville. Tem dois filhos.


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