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12/11/20
FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Recife é a capital mais desigual do Brasil. Pernambuco está em terceiro lugar em desigualdade entre os estados, mostra IBGE

12 / nov
Publicado por José Matheus Santos em Notícias às 12:56

Recife é a capital brasileira mais desigual, com índice de 0,612, posição que não ocupava desde 2016. A cidade é seguida por João Pessoa (0,591) e Aracaju (0,581).

Quanto mais perto de 1, mais a renda é concentrada nas mãos de poucas pessoas. A desigualdade na distribuição de renda é medida pelo índice de Gini, dado que também faz parte da Síntese de Indicadores Sociais. Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (12).

No ano passado, Pernambuco foi o terceiro estado com maior concentração de renda do Brasil, com 0,573, atrás apenas de Sergipe (0,580) e Roraima (0,576).

O índice de Gini do Brasil, o nono país mais desigual do mundo, é de 0,543, inferior aos índices tanto de Pernambuco quanto do Recife. A região Nordeste foi a única do país a ter aumento no índice entre 2018 e 2019.

Extrema pobreza atinge 1,2 milhão de pernambucanos, maior nível em oito anos

Em 2019, Pernambuco tinha pouco mais de 1,2 milhão de pessoas, ou 13% da população, com renda mensal domiciliar per capita inferior a R$ 151 (US$ 1,9 por dia), critério adotado pelo Banco Mundial para identificar a condição de extrema pobreza. É o maior patamar da série história iniciada em 2012, e o dobro da média nacional, de 6,5%, que se manteve inalterada entre um ano e outro.

Em 2018, os muito pobres eram 11,4% da população. Os números são da Síntese de Indicadores Sociais 2020 (SIS), divulgada nesta quinta pelo IBGE, com dados relativos a 2019. No Recife, cerca de 115 mil pessoas, ou 7% da população da capital, vivem abaixo da linha de extrema pobreza.

A síntese mostra ainda que a extrema pobreza implica em menor acesso a serviços básicos: 9% dos pernambucanos com renda mensal inferior a US$ 1,90 por dia não têm a cobertura de nenhum tipo de programa de proteção social, 28,6% têm ao menos uma precariedade nas condições de moradia, 38,8% têm dificuldade no acesso à educação, 47,1% não têm conexão à Internet e 66,5% vivem em domicílios sem saneamento básico.

O índice de pessoas pobres em Pernambuco passou de 41,1% em 2018 para 41,8% em 2019. Este foi o pior resultado em sete anos. Isso significa que pouco mais de quatro em cada dez pernambucanos vive com menos de R$ 436 reais por mês, ou US$ 5,5 por dia, de acordo com o mesmo critério do Banco Mundial. O resultado supera a média nacional, de 24,7% da população abaixo da linha de pobreza.

Pretos e pardos têm pouco mais da metade da renda domiciliar per capita dos brancos

Em 2019, o rendimento médio domiciliar per capita da população pernambucana foi de R$ 954,; no Recife, o valor é praticamente o dobro: R$ 1.899. No ano passado, 75,5% da população pernambucana tinha rendimento médio domiciliar per capita de até um salário mínimo.

Pessoas de cor ou raça preta ou parda tiveram rendimento médio domiciliar per capita de R$ 771, pouco mais da metade do rendimento de R$ 1.347 das pessoas de cor ou raça branca, uma diferença de R$ 576. Além disso, entre os 10% da população com menores rendimentos, três quartos, ou 75,4%, são pretos e pardos. Já entre os 10% com maiores rendimentos, mais da metade, ou seja, 56,5%, é branca.

Desemprego é maior e salários são menores entre pretos e pardos

A taxa de desemprego entre os pretos e pardos em Pernambuco, em 2019, era de 16,3%, contra 12,5% entre os brancos e acima da média de 15,1% para a população em geral. A desocupação entre as mulheres era ainda maior, alcançando 17% no período, enquanto, para os homens, o índice era de 13,6%.

O tempo de procura de trabalho para a população desempregada também foi mensurado na pesquisa pela primeira vez. Das 631 mil pessoas desempregadas em 2019, 14,6% delas procurava uma ocupação há menos de um mês, 31,6% de um mês a menos de um ano, 16,5% entre um ano e dois anos e a maior parte, 37,4%, há dois anos ou mais.

Os pretos e pardos também recebem menores salários do que a população branca, seja em ocupações formais ou informais. Enquanto os brancos recebem, em média, R$ 3.130, quando estão formalizados, o valor cai para R$ 1.942 entre pretos e pardos. Os trabalhadores informais branco recebem por volta de R$ 1.324, os pretos e pardos recebem menos de um salário mínimo, ou R$ 873.

10% que ganham mais recebem 14,6 vezes a renda dos 40% que ganham menos

Em 2019, considerando-se o rendimento médio do trabalho, o grupo de 10% da população ocupada com maiores rendimentos recebeu, em Pernambuco, 14,6 vezes mais do que o 40% da população ocupada que ganha menos, acima do índice nacional, de 13 vezes. Quem está no décimo superior recebeu, em média, R$ 7.795, enquanto os mais pobres nesse patamar de renda receberam, aproximadamente, R$ 535.

Em Pernambuco, os trabalhadores recebem, em média por volta de R$ 1.657, o nono pior valor do país. Quem tem carteira de trabalho assinada, ganha R$ 1.599; quem não tem carteira, conta com vencimentos de R$ 936 por mês. O valor recebido também oscila de acordo com a escolaridade: o rendimento médio por hora de um trabalhador sem instrução ou com ensino fundamental completo é de R$ 5,2. Para quem tem o ensino superior completo, o valor mais do que quintuplica, para R$ 26,8.


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