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12/09/20

Metade dos entrevistados afirmou que deixaria o Brasil se pudesse, diz pesquisa do Instituto Locomotiva

12 / set
Publicado por jamildo em Notícias às 12:12

Um pesquisa do Instituto Locomotiva investigou o impacto da Covid-19 no humor, no bolso e na perspectiva de futuro da população.

De modo geral, eles disseram que encontraram o perfil de alguém que confia em sua capacidade de construir o futuro, mas desconfia do futuro do país. Um consumidor mais conectado, mais consciente e disposto a gastar menos do que antes. Um sujeito que, mesmo com o fim do isolamento social, ainda por um tempo vai evitar aglomerações e adotar o uso do álcool em gel e máscara. E um ser humano mais próximo da família e mais generoso.

De acordo com os organizadores, esse é o brasileiro que deve sair da pandemia, de acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva.

“Encontramos um otimista cauteloso. Uma pessoa que chama para si a responsabilidade pela melhora da própria vida”, diz Renato Meirellles, presidente do Locomotiva.

“Temos um novo normal em construção e a única certeza é que nada será como antes”.

O levantamento investigou os impactos da Covid-19 no humor, no bolso, nos hábitos e na perspectiva de futuro dos brasileiros.

Para grande parte da população, a pandemia significou uma espécie de freio de arrumação.

88% acham que a vida pós-pandemia será diferente. Essa nova vida está em construção e dependerá, principalmente, do esforço individual: 61% se dizem otimistas em relação ao seu futuro, ao mesmo tempo em que 39% dos entrevistados se mostram pessimistas com as perspectivas do Brasil.

“É um cidadão que está descrente das instituições, das lideranças e, exatamente por isso, imagina que o seu futuro será melhor do que o do país em que vive”, explica Meirelles.

Outro dado eloquente: metade dos entrevistados afirmou que deixaria o Brasil se pudesse.

Quanto às finanças, a pandemia provocou um estrago considerável, mesmo com a chegada do auxílio emergencial. Mais da metade dos entrevistados, 55%, declaram que a sua renda pessoal diminuiu no período. E 47% dizem estar com as contas atrasadas – quanto menor a renda, maior a inadimplência. E não há ilusão. Quase a metade dos brasileiros, 49%, acham que a crise econômica só será superada em 2022.

De acordo com a pesquisa, há também um consumidor mais consciente. Meirelles diz que a pandemia provocou uma alfabetização digital à fórceps de parte da população brasileira.

A Internet se consolidou não apenas como um canal de vendas, mas como uma ferramenta de relacionamento entre o consumidor e as marcas. Dispositivos digitais permitem comparar mais facilmente preços e produtos. Essa comodidade, aliada ao dinheiro curto, explica porque 39% dos entrevistados garantirem que pretendem comprar menos do que antes.

Medidas para evitar o contágio do novo coronavírus devem seguir fazendo parte dos hábitos do brasileiro mesmo depois do fim do isolamento social: 49% pretendem seguir usando máscara e 61% dizem que vão evitar aglomerações por algum tempo. E 53% pretende adotar o uso de álcool em gel para sempre.

Se há uma certeza, é o fato da Covid-19 ter provocado uma ressignificação das relações pessoais, com a valorização dos vínculos familiares e da generosidade. Praticamente todos os entrevistados, 99%, pretendem continuar cuidando mais dos seus no pós-pandemia. E 59% acham que seremos mais solidários.

“É um senso de solidariedade que não era visto no país desde da campanha contra a fome, liderada pelo Betinho”, lembra Meirelles.

A pesquisa do Instituto Locomotiva foi realizada nos dias 14, 15 e 16 de agosto, em 72 cidades em todos os estados da federação. Foram no total 2.432 entrevistas por telefone, com homens e mulheres eleitores, de 16 anos ou mais, das classes A, B, C e D. A margem de erro é de 1,9 pontos percentuais.


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