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08/09/20
Foto: Reprodução/Google Street View
Foto: Reprodução/Google Street View

MPF-PE denuncia sete pessoas por suposto desvio de recursos do Ministério do Turismo para realização de eventos

08 / set
Publicado por José Matheus Santos em Notícias às 10:23

O Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco (PE) ofereceu, à Justiça Federal, denúncia contra sete pessoas por suposto desvio de recursos federais repassados por meio de cinco convênios firmados entre o Ministério do Turismo e a Oscip Instituto Mundial do Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC).

A denúncia, de responsabilidade da procuradora da República Silvia Regina Pontes Lopes, é a segunda decorrente da Operação Fantoche, deflagrada em fevereiro de 2019.

As investigações da operação foram iniciadas em decorrência de relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificaram supostas fraudes ocorridas em processos seletivos e contratos administrativos firmados por diversos departamentos do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

De acordo com as apurações, as irregularidades teriam ocorrido em seleções e contratos envolvendo o grupo empresarial da Aliança Comunicação e Cultura Ltda, “contratada inicialmente por inexigibilidade de licitação de forma indevida e, posteriormente, por meio da contratação indireta de seus projetos mediante a cooptação de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips)”.

Os cinco convênios objetos da denúncia do MPF foram assinados entre dezembro de 2008 e fevereiro de 2009, envolvendo a realização de eventos artísticos e culturais para promover o estado de Pernambuco nas cidades de Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Para cada convênio, foram repassados, pelo Ministério do Turismo, R$ 300 mil – totalizando R$ 1,5 milhão de verbas federais.

silvia regina pontes lopes
Procuradora Silvia Regina Pontes Lopes. Foto: Reprodução

A disponibilização dos recursos foi viabilizada por meio de emendas parlamentares para a celebração dos convênios com o Ministério do Turismo, ocasião em que foi indicado o IMDC para a execução dos projetos.

De acordo com a procuradora da República Silvia Regina Pontes Lopes, “a efetiva liberação das verbas somente ocorreu após a realização dos eventos, o que demonstra que os recursos federais não foram usados para custear os objetos dos convênios”.

Além de Deivson Oliveira Vidal, ex-diretor do IMDC, e Luiz Otávio Gomes Vieira da Silva, sócio-administrador da Aliança Comunicação e Cultura, também são alvos da denúncia Mário Augusto Lopes Moysés, então secretário-executivo do Ministério do Turismo, Marta Feitosa Lima Rodrigues, ex-coordenadora geral de Análise de Convênios do ministério, Talita Costa Pires e Tânia Maria da Silva, que ocupavam cargos de assistentes técnicos, e Carla de Souza Marques, ex-assessora técnica do MTur que também integrava a Coordenação Geral de Análise de Convênios.

De acordo com as investigações, Deivson Oliveira Vidal e Luiz Otávio Gomes Vieira da Silva “articularam a elaboração de diversos eventos em uma mesma data, com objetos semelhantes, bem como a simulação de cotação de preços para a escolha da Aliança Comunicação e Cultura e fraude referente às cartas de exclusividade dos shows realizados nos eventos”.

“As apurações ainda indicaram irregularidades como a não caracterização de interesses recíprocos entre o Ministério do Turismo e o IMDC, bem como da relação dos objetos dos convênios propostos com as atividades desenvolvidas pelo proponente – o próprio estatuto do IMDC delimitava sua atuação na área turística exclusivamente ao estado de Minas Gerais –, além da inexistência de verificação da capacidade operacional da Oscip para executar os projetos e da ausência de manifestação expressa da Secretaria Nacional de Políticas do Turismo aprovando os planos de trabalho. Também inexistiu análise efetiva de custos dos projetos. As contas de todos os convênios foram julgadas irregulares pelo TCU”, afirma o Ministério Público Federal.

Caso sejam condenados pela Justiça Federal pelo crime de peculato, a pena aos denunciados pode chegar a 12 anos de reclusão, podendo ser maior devido à prática continuada, além do pagamento de multa.

O MPF também requer que seja decretada perda de eventual cargo ou função pública exercida pelos envolvidos, bem como a perda de bens acrescidos ao patrimônio em decorrência da prática criminosa e a reparação dos danos causados aos cofres públicos.

Relix

Em abril, o MPF ofereceu denúncia contra dez pessoas investigadas por desvio de mais de R$ 2,5 milhões do Sesi, liberados em contrato de patrocínio do projeto Relix Pernambuco 2014, firmado entre o Departamento Regional do Sesi no estado e o Instituto Origami. Luiz Otávio Gomes Vieira da Silva também está entre os denunciados.


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